Um toque de chamada no telemóvel da minha nora mudou os meus planos de ajudar um casal jovem a encon…

Um toque de chamada do telemóvel da minha nora mudou completamente a minha intenção de ajudar um jovem casal a encontrar um apartamento

Vivo sozinha num simpático T1 bem no coração de Lisboa. O meu marido já partiu há cinco anos, e herdei da minha tia outro apartamento, um T2, noutra zona da cidade menos fina, mas igualmente bem arranjada. Arrendei-o a uns inquilinos jovens e impecáveis que, todos os meses, apareciam para pagar a renda e dar uma olhadela ao estado do apartamento. Durante dois anos, nem pio tudo certinho.

Quando o meu filho casou, ele e a nora decidiram fazer pela vida deles e foram arrendar um canto enquanto juntavam dinheiro para a entrada do crédito habitação. Não fui contra, até porque a minha ideia era, mais tarde, passar-lhes o apartamento da tia e deixá-los fazer nele o que lhes apetecesse: vender, renovar, redecorar à maneira deles enfim, serem felizes.

Um ano passado o casamento, nasceu o meu neto. Com o berreiro do menino cá por casa, achei ainda mais sentido em tratar da papelada para lhes passar o apartamento. Mas, olhem, bastou uma semana para mudar de ideias.

Fez-se a data redonda dos meus 60 anos! Decidi festejar como deve ser em grande! Reservei um salão num restaurante jeitoso e convidei meio mundo, incluindo, claro, o meu filho e a minha nora.

Com a nora sempre me dei razoavelmente, embora ela seja de lágrima e explosão fácil; às vezes até comigo. Mas eu atribuo ao calor da juventude e ao facto de ainda não ter carregado muitos sacos de batatas na vida. Contudo, o que ela fez neste dia deixou-me, digamos, com a pulga atrás da orelha.

O meu filho e a nora trouxeram o rebento. Aquela algazarra de restaurante é tudo menos lugar para bebé, e ela logo avisou que não ficariam muito tempo. Tudo tranquilo, achei natural.

Na hora de se porem a andar, a minha nora não encontrava o telemóvel. Lá fui eu ajudar, marquei o número para ver se aquilo apitava e a busca fosse mais fácil.

De repente, não é que, em vez de toque normal, começa a soar um grunhido furioso, latidos e uivos de cão, mesmo ali a ecoar no restaurante? Toda a malta ficou pasmada alguns até quase cuspiram a sangria. A nora, corada como um tomate de Almeirim, correu para apanhar o telemóvel, que estava em cima do parapeito da janela, e silenciou o berreiro daquele canídeo digital.

Olhei para os convidados uns olhavam para ela, outros para mim. O meu irmão, santo homem, pegou logo na deixa, pediu à banda que recomeçasse e lançou mais um brinde à minha saúde. Mas, como diz o povo, ali ficou um cheirinho.

O resto da noite, notei aquela típica mexeriquice portuguesa os convidados a cochichar sobre o toque tão original que a nora me pôs no número dela. Aquilo não me saiu da cabeça. No dia seguinte, perguntei ao meu filho que já devia estar habituado àquela ópera canina mas ele respondeu, com aquele desprezo tipicamente masculino, que não era nada de mais.

Desde então, afastei-me um pouco deles e guardei o presente do apartamento para melhor altura quando o clima entre nós acalmar ou, pelo menos, ouvir um pedido de desculpas básico. Se me acham um cão, paciência, cada um é livre de escolher que bicho quer na família!

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

Um toque de chamada no telemóvel da minha nora mudou os meus planos de ajudar um casal jovem a encon…