Tu és o meu mundo

Tu és o meu mundo

Sentei-me ao lado da caminha da minha filha, olhando para a pequena Beatriz, que dormia tranquila. Deitada de lado, com a boca entreaberta e o respirar sereno mal perturbava o silêncio do quarto. À meia luz, as suas pestanas finas projetavam sombras suaves nas bochechas e o cabelo alourado, desalinhado pela almofada, dava-lhe um ar de anjinho. Sorri, sem querer. Nestes momentos, parecia-me quase uma gotinha de luz caída do céu.

Lá fora, o entardecer envolvia Lisboa, e as primeiras estrelas surgiam, tímidas, sobre o casario antigo. O dia rendia-se à noite, e no céu apareciam pontos brilhantes, discretos antes, acentuando-se com o romper da escuridão.

Enquanto admirava as estrelas, deixei-me levar pelas recordações. Três anos antes, tudo fora diferente. Naquele mesmo quarto havia sempre risos a inundar o espaço os risos da Sílvia. Lembro-me como, sempre que entrava, mudava instantaneamente a energia do lar: os seus braços envolviam-me num carinho sem fim e os olhos, cheio de ternura, transformavam-se em abrigo seguro. Dela restava-me agora a saudade e a nossa filha, tão pequena ainda. Por ela, sabia que tinha de continuar.

A doença veio sorrateira, como ladrão que se esconde nas sombras. Primeiro, Sílvia queixava-se só de cansaço, dizia que tinha trabalhado demais, precisava de descanso. Depois vieram as dores de cabeça, que atribuímos ao stress, às noites mal dormidas. Fomos a médicos, fizemos exames, e nada era claro. Os tratamentos não ajudavam e Sílvia definhava aos poucos.

Veio o diagnóstico verdadeiro quando já era tarde. Não hesitei um segundo: deixei o emprego de gestor numa multinacional na baixa, apesar dos insistentes apelos dos colegas Podes conciliar!, diziam. Sabia bem: mais do que nunca, o essencial era estar ao lado da minha mulher. Ainda bem que tínhamos guardado parte dos nossos salários em euros para comprar carro deu para aliviar as contas durante um tempo.

Desde então, a rotina transformou-se em consultas, longas horas em salas de espera dos hospitais lisboetas, tratamentos, exames. Estava sempre ao lado de Sílvia, segurando-lhe a mão quando sentia medo, lendo-lhe o Dom Quixote em voz alta nos dias em que já não se levantava da cama, ou apenas ficando em silêncio ao seu lado, atento ao bater do seu coração frágil. Naqueles dias, aprendi, enfim, que amar não é só sorrir é ser âncora quando tudo desaba, e não largar mesmo quando faltam as forças.

Quando Sílvia partiu, a vida ficou suspensa, como se habitasse um nevoeiro cinzento. Os dias arrastavam-se em sucessão indiferente, as noites eram madrugadas insónias e a manhã, sempre enevoada. Tudo o que me restava era Beatriz e a vontade de garantir, a todo o custo, que não lhe faltava nada, que sentia o pai por perto.

Pouco depois do funeral, apareceu a mãe da Sílvia Dona Filomena. Entrou devagar no nosso T2 perto do Rato, o olhar minucioso a varrer a sala desarrumada, brinquedos espalhados, loiça por lavar. Ajustou a mala no ombro e disse, determinada:

Mário, tens de descansar. Vou levar a menina comigo. Tu não estás a conseguir.

Naquele instante, eu permanecia de sentinela ao berço da Beatriz. Só apertei o cobertor nas mãos, dizendo, sem hesitar:

Não. A Beatriz fica comigo.

Filomena aproximou-se, os olhos fundos de preocupação.

Mas olha para ti! Não te reconheces no espelho. E a Beatriz merece estabilidade, um lar arrumado, tudo certinho. Assim não dá… e olhou em redor, calando-se.

Levantei-me devagar, fixando-lhe o olhar. Cada palavra saída de mim era firme, apesar do cansaço notório:

Eu sou o pai. Vou educá-la. Foi o que combinei com a Sílvia, prometi-lhe que íamos ficar juntos. Até ao fim.

Ela suspirou, resignada. Percebeu que era inútil insistir. Ainda assim, murmurou, mais suave:

Se precisares, estou aqui. Não hesites. Qualquer hora.

Até à sua partida, manteve aquele ar de quem gostaria de ajudar, mas não sabia como. Voltou a sair para a rua, e o apartamento reencontrou o sossego de sempre, só interrompido pelo respirar sereno da Beatriz.

Ali, na companhia daquela criança, voltei a sentar-me ao lado da cama. Toquei-lhe a mão, sentindo o calor miúdo da sua pele. Era a única âncora que me mantinha neste mundo. Sabia que o mais difícil ainda estava por vir, mas também sabia a minha missão: fazer da Beatriz uma criança feliz e guardar para ela o pouco de luz que a Sílvia deixou.

A rotina mudou drasticamente. O apartamento ficou resumido às vozes de dois: eu e a Beatriz. Demorou a adaptar-me. Nunca tinha pensado no quão difícil era trocar uma fralda sem drama, acalmar uma menina que acordava aos soluços, ou fazer uma papa decente. Os primeiros meses foram uma luta diária. Ia ao Google pesquisar tudo, lia fóruns portugueses sobre educação de filhos, experimentava receitas improvisadas de sopas. Às vezes, telefonava à Dona Filomena, tentando esconder a aflição.

Cada conquista dava-me ânimo da primeira vez que acertei na temperatura da água para o banho, ao dia em que consegui fazer arroz de pato sem afogar a cozinha em fumo. Devagarinho, fui aprendendo a distinguir as peças da roupa da miúda, a passar a ferro sem deixar marcas, a aquecer as papas sem me queimar. Nas noites, ao adormecê-la, improvisava canções de embalar do Zeca Afonso, lia histórias com sotaques inventados, representando fadas e dragões. Quando o cabelo dela cresceu, até aprendi a fazer tranças no início, claro, cruzava-me todo.

Hoje, a Beatriz tem quatro anos e é uma traquina de primeira. Por toda a casa só ecoam perguntas Porquê isto?, Como se chama aquilo?. O riso dela é o som mais mágico que conheço. E quando me olha, com aqueles olhos a brilhar, sinto uma alegria calma, uma felicidade silenciosa de missão cumprida: sou, de facto, um pai à altura.

**************

Numa dessas noites, sentado na sala, dei por mim a recordar. Vieram-me à memória os momentos em que, eu e Sílvia, escolhemos a caminha da Beatriz, ríamos de sermos trapalhões a trocar fraldas, sonhávamos alto Como será ela em adulta?. De repente, uma voz interrompeu as reminiscências:

Pai! A Beatriz estava de pé na cama, braços esticados e sorriso rasgado. Brincamos?

Mais depressa do que pensei, o sorriso desenhou-se-me no rosto. Fui buscá-la, aconcheguei-a no colo.

Claro, princesa. E hoje o que vais ser?

Princesa! exclamou, batendo palmas. Eu sou a princesa e tu és o cavaleiro!

Não consegui evitar rir. Levantei-a bem alto e fiz rodopiar o quarto, enquanto o riso dela enchia a casa de uma felicidade que só encontro ali.

Precisamos de um castelo, não é? Onde será?

Ela pensou por um instante e apontou com segurança para o canto dos brinquedos:

Ali! O meu castelo!

Descemos para o tapete. Começámos juntos a construir muralhas com blocos de cores. A história ganhava asas: fadas madrinhas, dragões, passagens secretas. Eu ia inventando narrativas, cuidando de pôr sempre um pouco de magia em tudo, nunca assustador. Olhava o rosto da Beatriz: ela vibrava, interrompia-me para acrescentar detalhes, e neles, revia a Sílvia tão viva.

Ela teria orgulho em nós, pensei. Sorri por dentro: estávamos a conseguir, sim. Confiei.

Mais tarde, na manhã seguinte, começou o ritual da saída. Fui reunindo na mochila as coisas dela lanche, brinquedo favorito, uma garrafa de água, toalhetes.

Viu-me a preparar tudo e até quis vestir-se sozinha, puxando o casaco encarnado do cabide.

Quero fazer sozinha! protestou, lutando com o fecho.

Ajudá-la a vestir-se trouxe-me outro sorriso, lembro-me como era complicado quando era recém-nascida. Apertei-lhe o gorro, ajeitei os botões.

Pronta? perguntei, de mão dada.

Pronta! gritou, pulando.

Fomos à praceta ali perto, aquelas que existem em quase todos os bairros lisboetas: baloiços, um escorrega baixo, muitas crianças. Identificava já as rotinas de quem frequentava o parque. Havia olhares de compaixão, outros de curiosidade, e até escutava comentários, sempre sussurrados.

Olha, lá está sozinho com a menina… segredava uma mãe à outra.
Deve ter ficado sem a mulher respondia uma segunda.
Não, ouvi dizer que a esposa morreu…

Agarrei o pequeno braço da Beatriz, sem mostrar que tinha escutado nada. Segui para a caixa de areia.

Pai, posso fazer bolinhos? Ela mal esperou resposta. Tinha as forminhas, concentrada, e dava voltas aos baldinhos com uma seriedade deliciosa.

Mostra lá! incentivei.

Olha, pai! exultou ao mostrar-me o seu bolo de areia. Fica bonito?

Lindo! Passava num concurso de pastelaria!

Riu-se, atirando logo para outro. Nesses momentos, o resto do mundo desaparecia. Só ela importava.

Sentei-me no banco. Beatriz estava entretida, mas continuava a olhar para mim de vez em quando, à procura do meu olhar. Isso bastava-me.

Aproximou-se uma jovem senhora com um rapazinho, devia ter uns cinco anos. Sorrindo, disse-me:

Olá! Sou a Leonor. Já o vi algumas vezes por aqui. A sua filha parece muito feliz nota-se como adora brincar.

Mário, prazer. A Beatriz é mesmo aficionada da areia. Pode passar horas aqui.

Sentou-se a meu lado. O filho logo foi arrastar a Beatriz para fazer estradas de areia.

Está só com ela? perguntou, num tom educado, mas atento.

Sim respondi com naturalidade. A minha mulher faleceu há três anos.

Lamento murmurou, visivelmente tocada. É preciso coragem. Nem todos os homens aguentariam. Conheço quem nem ao fim-de-semana quer ficar com os filhos.

Encolhi os ombros. Não me apetecia falar de outros homens, nem comparar-me. Observei a Beatriz a ensinar o miúdo a encher baldes, com graça.

Se quiser, um dia destes podíamos ir até ao Jardim da Estrela com eles sugeriu Leonor, com gentileza. Para os miúdos é sempre bom, e duas cabeças conversam melhor do que uma sozinha…

Olhei-a com respeito. Era simpática, cuidada, e via-se que sabia lidar com crianças. Mas não senti vontade de aceitar naquele momento. Talvez um dia. Por agora, importava-me só a minha menina.

Obrigado pelo convite. Mas para já quero dedicar-me só à Beatriz. Preciso que sinta que estou mesmo presente.

Claro, percebo assentiu. Fico por aqui, para o que precisar.

Despediu-se, guardando a oferta no sorriso. Foi buscar o filho, embora ambos tivessem preferido ficar a construir mais estradas de areia.

Foquei-me outra vez na minha filha.

Pai, este é para ti! gritou, orgulhosa, apontando para uma série de bolos de areia alinhados.

Peguei cuidadosamente num deles, fingindo prová-lo.

O melhor bolo de sempre! elogie.

Rimos juntos. Imaginei Sílvia connosco ali no parque, orgulhosa da filha, sorrindo de braços cruzados, pronta a elogiar connosco.

Ao fim do dia, já Beatriz dormia, fui até à cozinha. Fiz chá, peguei no velho álbum de fotografias e sentei-me à mesa. Folheei devagar, encontrando os primeiros retratos no Hospital de Santa Maria, Sílvia cansada mas feliz, Beatriz minúscula ao colo. Noutras, passeávamos pelo Príncipe Real, encantados com tudo. Fiquei tempo demais a olhar para a foto em que as duas sorriam para a câmara Sílvia aberta, Beatriz ainda tímida, mas cheia de confiança.

Estamos a dar conta do recado, Sílvia murmurei, baixinho. Tenho a certeza de que te orgulhavas de nós.

Lá fora, a chuva batia suave nas janelas, enchendo o apartamento com aquele som de eternas noites portuguesas. Fechei o álbum, bebi um gole de chá e prometi a mim próprio: amanhã será outro dia com papas de aveia ao pequeno-almoço, correria pela casa, passeio ao jardim, abraço forte Só quero estar aqui. Só quero viver.

**************

No dia seguinte voltámos ao parque. Beatriz puxou-me para os baloiços, determinada a voar alto, com os pés lá no céu. Segurei-lhe as mãos enquanto o riso descascava toda a tristeza que alguma vez ali viveu.

Vi Leonor outra vez, sentada com as agulhas de tricô em punho, olhando para o filho entrelaçado nas correrias das crianças. Sorriu apenas. Só por isso, aquele parque pareceu-me mais acolhedor.

Ela viu-me, atento à filha, rindo quando ela queria saltar do baloiço, sempre ali para a amparar se caísse, pronto a elogiá-la em cada instante. Notou como Beatriz confirmava, de tempos a tempos, se eu continuava ali, se era mesmo seguro arriscar.

Nessa altura, tive certeza não precisava de apoios de pena, nem de programas a dois. Já tinha tudo: Beatriz era o meu mundo. Isso bastava.

**************

O tempo passou, silencioso, mudando as cores das árvores no Jardim do Torel e enchendo as ruas de folhas. Veio o frio português, miudinho, o gelo fininho que cria crostas nos carros na madrugada. As manhãs cheiravam a castanhas assadas e o vento trazia já promessas de chuva com sabor a Natal.

Com as mudanças de estação, comecei a vestir Beatriz com mais cuidado camisola de lã, cachecol, luvas, gorro com pompom. As brincadeiras no parque eram mais curtas, mas não menos preciosas: ela adorava saltar nas folhas secas, tentar apanhar gotas de orvalho nas mãos, ver as primeiras nuvens de vapor a sair-lhe da boca.

Um destes dias, já regressávamos, quando ouvimos chamar:

Mário!

Era a Dona Filomena, num casaco comprido, gorro azul e uma grande mala a pender. Aproximou-se, um pouco ofegante.

Olá, filho. Trouxe umas coisas para a Beatriz roupa quente, livros novos, até fiz um bolo de maçã para ti, aquele que gostas.

Assenti, aceitando os presentes. Ela nunca deixou de desconfiar das minhas escolhas, mas já não criticava abertamente. Pelo contrário agora tentava participar.

Obrigado, Filomena. Beatriz, agradece à avó.

Obrigada, avó! gritou a miúda, de olhos a brilhar ao ver os livros. Olha, pai, histórias de coelhinhos e princesas!

Dona Filomena sorriu, sentando-se na entrada para organizar tudo. Tirou camisolas com renas, meias de lã, gorro novo.

Estes são para os dias frios. E escolhi livros com desenhos grandes, como tu gostas.

Beatriz abraçava-os, ansiosa pela primeira história.

Fiz o bolo em tua honra disse, tirando um saquinho ainda quente.

Ponderei e concordei: podíamos todos beber chá. A miúda ajudou com os livros, subimos juntos.

Na cozinha, entre o vapor do bule e o cheiro do bolo, notei que Filomena me observava com um olhar diferente, menos de crítica, mais de aceitação.

De repente, murmurou, num tom que me apanhou de surpresa:

Queria pedir desculpa… Por tudo o que disse naquela altura. Achei mesmo que não ias conseguir. Afinal, consegues melhor do que eu imaginava.

Fiquei em silêncio, ouvindo ao longe a Beatriz a folhear livros. Fui sincero:

Faço só o que a Sílvia gostaria. Quero que a Beatriz sinta sempre o nosso amor.

Ela assentiu, limpando discretamente uma lágrima.

Se quiseres, podia vê-la mais vezes. Pegar nela aos fins-de-semana. Para sentir que tem família.

Olhei para a sala, vi Beatriz sentada, absorta nas ilustrações, e senti um peso a aliviar-se talvez, sim, estava na hora de a deixar criar mais memórias com a avó.

Vamos experimentar. Mas só se a Beatriz quiser mesmo.

Quero! veio logo o grito do sofá, sem olhar sequer. Avó, lês-me histórias?

Claro, querida. Quantas quiseres. Até podemos já hoje, se o papá deixar.

Assenti, sentindo um calor novo no peito. Talvez fosse isto que tanto procurava: o equilíbrio entre a dor e as pequenas ajudas vindas de quem quer bem.

Na última noite, sentei-me outra vez junto à cama da minha filha. Na mão, uma fotografia velha: Sílvia sorria radiante para a câmara, com a Beatriz minúscula ao colo. Ambas tinham aquele sorriso cúmplice que os anos não apagam.

Mãe está connosco? murmurou Beatriz, meio adormecida, com aquela voz que não precisa mais do que a verdade.

Está, querida. Mesmo quando não a vemos, está aqui no teu sorriso, nas tuas brincadeiras, em tudo o que te faz única.

Ela aconchegou-se, disse-me baixinho:

Gosto muito dela.

E ela de ti. Mais do que tudo afirmei, beijando-lhe a testa.

Logo adormeceu, num sono sereno. Fiquei ainda alguns minutos, ouvindo a respiração dela. Depois saí, fechei as luzes e fui à cozinha. Fiz chá, sentei-me à janela. Lá fora, as primeiras nuvens prometiam chuva. De dentro, sentia o aconchego de um lar pequeno, com cheiro a mimo.

Os pensamentos correram livres as noites em claro, o pânico dos primeiros meses, o medo de falhar. Agora sabia nunca fui substituto. Fui só eu: o pai que faz bolos, arranja bonecos, lê histórias, consola noites más e ri de manhã cedo.

Peguei no meu velho caderno de notas, onde guardo as memórias da Beatriz: primeiros passos, frases engraçadas, e tudo o que faz de nós uma pequena família.

15 de outubro. A Beatriz deu laço ao sapato sozinha. Disse-me, orgulhosa: Já sou crescida! Depois abraçou-me e sussurrou: Mas sou sempre a tua menina pequenina. Fiquei a sorrir o dia todo.

Fechei o caderno. Amanhã haverá novos pequenos milagres ela escolher o sabor dos cereais, apanhar paus na rua como se fossem tesouros, rir alto, chorar por um arranhão, correr para o meu colo a reclamar um abraço.

A lição, escrevo eu agora, às voltas com a chávena de chá, é clara: Ser pai não é preencher o vazio que outro deixou. É inventar e reinventar o amor todos os dias, com os meios que se tem. E isso, aprendi, de tudo o que a vida me tirou, foi o único verdadeiro milagre que me restou.

E basta. Basta sempre.

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