O nosso único filho deixou-nos boquiabertos ao anunciar que quer casar – e ele tem apenas 22 anos

O nosso único filho surpreendeu-nos quando anunciou que queria casar-se e ele só tem 22 anos. Mas eu e o meu marido lembrámo-nos de que também casámos muito jovens: ele tinha acabado de fazer 22, e eu era ainda mais nova, só 19. Por isso, achámos que não fazia sentido contestar afinal, cada um tem o seu destino. Gostávamos da noiva, a Inês, que estudava com o nosso filho na mesma turma da universidade. Quando percebemos que eles falavam a sério, começámos a preparar a festa do casamento. Sendo o Ricardo o nosso único filho, achámos que era natural fazer-lhe uma festa à altura.

Cumprindo a tradição, eu e o meu marido fomos visitar os pais da Inês, a nossa futura nora. Mal a conhecíamos, apenas a tínhamos visto algumas vezes ao lado do nosso filho. Ela dizia sempre que vivia com a mãe numa aldeia perto da nossa cidade, Coimbra. Assim que marcámos o encontro para irmos pedir a mão da Inês, avisámos com antecedência a futura consogra.

O meu marido comprou flores, eu fiz um bolo e lá fomos nós conhecer a família. Logo ao chegar, ficámos maravilhados com o quintal: tudo limpo e arrumado. A casa, embora antiga, transbordava cuidado e limpeza. À porta estava a D. Manuela, mãe da Inês, uma senhora de rosto simpático e olhar acolhedor. Desde o primeiro momento, agradou-nos. Recebeu-nos com carinho e convidou-nos para a mesa. O lanche estava delicioso, notava-se que tudo tinha sido feito com esmero. Conversámos animadamente, e percebemos logo a bondade da D. Manuela.

No entanto, não chegámos a combinar nada sobre o casamento. Ela explicou logo no início da visita que não tinha dinheiro para contribuir para a festa. Notava-se pelo olhar da Inês que sentia algum embaraço, e o Ricardo também ficou desanimado ele queria a festa sobretudo porque sabia o quanto isso significava para a Inês. Eu e o meu marido decidimos imediatamente que iríamos nós pagar o casamento; tranquilizámos o nosso filho dizendo que faríamos o possível para lhe dar um dia inesquecível.

Propusemos à D. Manuela que convidasse um certo número de familiares e amigos chegados. Explicámos que, como é tradição em Portugal, os convidados costumam oferecer um presente em dinheiro, que normalmente cobre o seu próprio lugar na festa. Depois de alguma resistência, pois não queria sobrecarregar ninguém, ela acabou por aceitar, pensando principalmente na felicidade dos filhos.

Na véspera do casamento, a D. Manuela apareceu, surpreendendo-nos à porta de casa. Trouxe um envelope branco, cheio de notas de euros. Veio explicar que, sentindo-se desconfortável por deixar tudo do nosso lado, tinha pedido um empréstimo bancário para pagar a sua parte. Insistimos para que devolvesse o dinheiro ao banco, pois nunca quisemos que ela se endividasse, principalmente sabendo das dificuldades com que vivia. Mas não nos quis ouvir disse-nos que já tinha tomado a decisão. Fizemos então o casamento tal como sonhámos.

Os jovens ficaram radiantes. No próprio dia, a D. Manuela surpreendeu-nos de novo: mostrava-se uma mulher ainda jovem e elegante penteado novo, maquilhagem e um vestido bonito, parecia outra pessoa. Todos repararam, inclusive o meu cunhado Paulo, irmão mais novo do meu marido. Tem 46 anos, também está divorciado e há mais de dez anos trabalha em França. Desta vez veio propositadamente para o casamento do sobrinho. Passou a festa a olhar para D. Manuela, e depois confessou-nos que queria ficar mais uns dias em Portugal. Não foi difícil perceber porquê No domingo seguinte, voltámos à aldeia, desta feita para pedir a mão da D. Manuela.

Tudo correu bem entre o Paulo e a Manuela. Casaram-se uns meses depois, e o Paulo levou a nova esposa consigo para França. Assim, a minha consogra acabou por se tornar também minha cunhada. É uma pessoa excecional e merece toda a felicidade do mundo.

Na vida, aprendemos que o verdadeiro valor das pessoas vê-se nos gestos generosos e nas escolhas que fazemos uns pelos outros. Às vezes, os maiores tesouros que encontramos são as pessoas que escolhemos ter por família.

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