O Filho de Criação

– Olá, quem está em casa? A Madalena tirou as sandálias e deixou escapar um gemido de alívio e prazer.

Lindas, não há como negar, mas que desconfortáveis! Deixou-se enganar pelo aspeto, quando o importante era pensar em como usar aquilo no calor que estava. As tiras eram tão finas que se cravavam nos pés ai!

Segurou as sandálias para as pôr no sítio do armário junto à entrada e ficou paralisada. De um canto ao lado da porta, dois olhos verdes e atentos fitavam-na.

– Mas tu quem és? sussurrou Madalena sem saber bem porquê.

O detentor daquele olhar de feitio preferiu não responder. Escondeu-se ainda mais no canto, sentando-se nas patas de trás, e bufou.

– Entendido

Madalena, sem movimentos bruscos para não assustar o visitante, pousou as sandálias no chão e recuou um pouco.

– Não te faço mal, está bem? Calma! Vou tentar perceber de onde apareceste. Se não te importares, claro. Que surpresa

Como resposta, o desconhecido fez uma série de sons ameaçadores, num rosnar tão engraçado que Madalena teve de sorrir.

– Tem calma, feroz felino! Esta casa ainda é minha. Ninguém aqui te vai fazer mal. Aqui ninguém faz mal a ninguém.

O resmungão pareceu perceber e, de repente, acalmou-se. Pousou as patas dianteiras no chão, ficou atento mas deixou de bufar e rosnar.

Madalena foi pelo corredor, espreitou a sala e a cozinha, e espantou-se com o silêncio e ordem. Normalmente, ao chegar, encontrava tal confusão que tinha de ter atenção onde punha os pés. Nunca se sabe! As peças do LEGO eram surpreendentemente afiadas, e as tintas que o marido comprava para os pequenos artistas eram teimosamente persistentes, difíceis de sair.

A porta do quarto das crianças estava encostada, mas tão calmo lá dentro que Madalena pensou que estivesse tudo vazio.

Mas enganava-se. Os seus três tesouros estavam sentados no chão, de volta de uma folha gigante de cartolina, entretidos a desenhar qualquer coisa.

– Que mistério! E porque é que ninguém me vem receber? Sorriu, olhando para dois topos de cabelo ruivo e um muito escuro.

Em resposta, ouviu-se um ai! e os marcadores voaram, enquanto a Bárbara se atirava para o chão, abrindo braços e pernas para tapar o desenho por acabar.

– Mãe! Não olhes!

Madalena riu-se, tapando os olhos com as mãos.

– Não olho! Mas alguém me explica o que faz um monstro a resmungar comigo no corredor?

O Henrique, dono daquela cabeça escura, fez um olhar sério para os mais novos e levantou-se.

– Mãe, desculpa! Queríamos avisar-te antes, mas não deu tempo. Fui eu que o trouxe para casa.

– Pois, já percebi. Mas porque anda ele tão assustado?

– Está com uma pata magoada. Salvei-o dos cães no pátio do prédio.

Madalena ficou inquieta.

– Eles não te morderam? E ele, dói-lhe muito?

– Mãe, segura-te! Estou ótimo. Os cães andavam a persegui-lo. Foram os da Dona Irene. Não são vadios.

Madalena conhecia aquela matilha. Quatro cães minúsculos de origem duvidosa, que a maior reclamadora do bairro, Dona Irene, cuidava como filhos. Tinham causado já vários problemas, e como a senhora tinha as pernas todas rebentadas e não podia sair, eles passeavam-se sozinhos. Mas recusar-se a ter os seus filhotes? Nem pensar! Toda a vizinhança da Rua do Cedro, número cinco, sabia até às dez da manhã era melhor não deixar os miúdos no pátio. Quantas vezes algum se assustou com o ladrar dos bichos da Dona Irene, levantava o pandemónio, mas tudo acalmava assim que a dona dos cães aparecia. Eles raramente mordiam, mas ladravam de forma tão convincente que até assustavam adultos. Já ela, ralhar era com mestria, e pagava as multas sem nunca perder a boa disposição.

Pronto, paciência! Se algum filho teu tem medo, devias educá-lo melhor, dizia, enquanto se ria na cara de quem protestava. Então deixas o teu sozinho no pátio? Está mal! Queres descanso de filhos? Não sejas egoísta! Os meus ninguém toca. Aprende a defendê-los!

Madalena conhecia a Dona Irene há muitos anos e, apesar das discussões, sentia-lhe pena, pelas dificuldades que aquela mulher havia passado.

O marido da Dona Irene, à vista de toda a gente, era um senhor impecável de camisa engomada, calças vincadas, sempre prestável com as vizinhas. Mas dentro de portas era um desastre: batia na mulher de forma calculada, sem deixar sinais, e ela não podia sequer gritar.

Nem penses em abrir a boca! Senão, nem tu ficas nem o miúdo! O sorriso dele era igual ao que dirigia ao bebé do vizinho.

A Irene aguentou tudo em silêncio durante anos. O filho, do primeiro casamento, era o maior tesouro dela. Quando ficou viúva com vinte e três anos e um miúdo pequeno, aceitou casar-se de novo só para lhe dar um pai. E o novo marido fazia esse papel na perfeição. O rapaz chamava-lhe pai, adorava passar tempo com ele e nunca percebeu o martírio da mãe.

Como é comum, o rapaz descobriu tudo por acaso. Chegou da escola mais cedo, abriu a porta e ouviu um gemido abafado na cozinha. Depois, as coisas aconteceram depressa demais para o entendimento policial, mas uma coisa era certa: a Irene fez de tudo para proteger o filho.

O que levou o marido a deixar de sorrir ao mundo? Ninguém sabe. Os talheres sempre afiados; ele era perfeccionista em coisas de casa, e transmitiu isso ao enteado, que, aos doze anos, já sabia usar as facas melhor que muitos adultos. Irene nunca contou mais nada, e o inspetor nunca conseguiu contrariá-la. O rapaz foi viver com a avó, ela cumpriu pena, saiu, foi buscar o filho, trocou de casa para outro prédio igual e começou vida nova, só com o filho e uma cadelita sem pelos que encontrou na rua. O cãozito, atropelado, recuperou e, batizada pomposamente de Isolda, ficou Iza. Depois vieram outras Isas, pois a matilha foi crescendo.

O filho da Irene terminou escola e universidade, mudou-se para o Norte e constituiu família. Boa carreira, mulher, dois filhos e um apartamento grande. Irene recusou mudar-se para a casa do filho, apesar dos pedidos. Era uma avó dedicada, sogra carinhosa, mas, segundo dizia, cada um devia ter a própria casa, para não atazanar aqueles de quem gostava.

Este feitio nunca a tornou mais dócil. Ela sentia imensa falta dos seus, e isso transparecia para os vizinhos. Uma a uma, os cães vadios da Irene ocupavam-lhe a casa e o pátio, onde corriam e afugentavam os menos informados dos motivos do aumento da matilha. Para ela, ter casa era coisa de pessoa, mas também de animal.

Os filhos de Madalena nunca tiveram problemas com os cães da senhora Irene. Uma vez por semana, Madalena levava-lhe ossos depois de arranjar carne, e em troca de uma chávena de chá ouvia histórias e suspirava com as fotografias dos netos orgulhosamente mostradas.

De todos, só Irene sabia que o Henrique não era filho biológico da Madalena. E comentou isso apenas uma vez, no dia em que a viu no pátio e, ao espreitar para o carrinho, se virou para os outros vizinhos:

Mas que vos importa a quem ele sai, suas bisbilhoteiras? Olhem pelos vossos! A natureza faz cada coisa O avô da Madalena era igualzinho cabelo preto, olhos azuis, bem-parecido, fui até um pouco apaixonadita por ele uns dias. Que se riem? Também já fui miúda! O teu menino está lindo, Madalena! Ai, que não se perca!

E nunca mais se falou do assunto entre vizinhos. Mais tarde, Madalena contou a Irene a verdadeira história do Henrique.

Ela e o marido tentaram ter filhos durante cinco anos sem sucesso. Os médicos diziam:

Estão os dois bem. Acontece. Não se sabe explicar. Tentar, tentar O resto é com Deus.

E Deus agiu só que não como eles esperavam.

A prima da Madalena, a Sónia, engravidou de um namorido, que fugiu assim que soube. Sónia era bem mais velha, mas cabeça no ar. Afundou-se numa depressão e afastou toda a família, só lamentava que já era tarde para se livrar do bebé. Nem psicólogos nem familiares a ajudaram. O filho era produto de uma armadilha sentimental que não resultou. Quando a Sónia morreu no parto, o pequeno Henrique ficou órfão.

Madalena não pensou duas vezes.

Foi ela quem cuidou de mim em pequena. Amava-a. Não sei porque mudou, mas para mim era e será sempre a Sónia! E filho dela não vai crescer com estranhos. A tia não pode, não deixam. E agora?

Ela olhou para o marido, já sabendo a resposta. O Pedro, calado e discreto, tinha o dom de a fazer sentir única e segura.

Madalena nunca foi magra, e por isso bastou desaparecer uns meses para a casa da tia, tratar da papelada, trazer o Henrique, e, ao voltar, sorrir aos vizinhos perante o Como foi tão rápido? com uma piada ou evasiva.

A Irene foi a única a quem contou tudo, sem entender bem porquê, mas a vizinha percebeu.

Fizeste bem em abrir o jogo, mas nunca mais digas nada a ninguém. Ele é teu porque tu decidiste sê-lo. Não duvides: és mãe pelo que sentes e fazes, não pelo sangue. E nunca faças rodeios de pena. Criança precisa de mãe que faça lei, não de mãe que dance à volta de medos. Senão, perdes o rapaz e fazes-lhe pior.

A Madalena nunca esqueceu esta conversa, e sempre que via Irene, agradecia-lhe em silêncio.

O Henrique cresceu e os filhos biológicos vieram: primeiro o João, depois a Bárbara. Dona Irene via, de sorriso discreto, os dois ruivos a correrem atrás do mais velho, ou a darem biscoitos à Iza Terceira e ao resto da matilha.

E chega sempre o dia em que se precisa de conselho.

O Henrique começou a portar-se de forma estranha com os colegas batia, insultava, só aos irmãos poupava. Madalena preocupou-se. Tentou perceber, conversou com ele, mas ele fechava-se, o psicólogo disse-lhe apenas:

Normal. Vai passar. Faz parte.

Madalena, desiludida, numa noite deixou as crianças com o Pedro e foi falar com Irene.

Já sabia que vinhas. Anda, entra. E levou-a para a cozinha, onde cheirava a bolo acabado de fazer. Os meus gostam, não posso abusar, mas hoje fiz-lhes a vontade. E à minha, que aqui e ali também mereço. Então, é do Henrique que vens falar, não é?

É

De repente Madalena sentiu-se aliviada. O Pedro era compreensivo, mas com Irene podia falar sem filtros.

No silêncio cúmplice entre chávenas, Irene servia bolinhos, ouvia e só interrompia para guiar o desabafo.

O que te posso dizer, Madalena? Crescem, batem, discutem. Faz parte. Mas tenta, por mais difícil que seja, perceber o que há por trás. Se ele sentir que estás do lado dele, conta-te tudo. Já tentaste compreender porquê?

Perguntei, mas cala-se.

Então pergunta de forma diferente. Diz-lhe que, claro, levas as regras a sério e lutas não são boas, mas queres perceber primeiro. Escuta, sem interromper, sem mostrar escândalo, só ouve. Aprende com as tuas perguntas. Eu só aprendi tarde de mais. Por vezes, perdi um filho só por não saber ouvir.

Ficaram à conversa até tarde. Quando Madalena chegou a casa, só Pedro estava acordado. Foi espreitar os mais novos, beijou-os de leve e sentou-se à beira da cama do Henrique.

Cabelo escuro como o da Sónia, pele morena Era diferente dos ruivos branquinhos, mas Madalena sentia o peito aquecer ao ver aquela bochecha suja, o pé redondo a fugir do lençol. Era tanto filho dela como os outros.

O rapaz mexeu-se, puxou a mãe para um abraço e murmurou:

Mãe? Por que choras? Não chores! Prometo que não faço mais.

Os olhos dele cheios de dor. Madalena abraçou-o, enterrou o nariz no pescoço do filho e suspirou:

Quero ouvir tudo agora. Sem segredos. Quem te fez mal?

E ele falou. A razão era simples:

Eles dizem todos que sou adotado! Que o João e a Bárbara são teus, mas eu não! Dizem que não sou teu porque não me pareço contigo

Tretas! ela limpou as lágrimas e, segurando no queixo do filho, fez-lhe olhar bem para ela. És meu, de cima a baixo! Só meu! Bem também do pai. Mas nunca acredites em maldizentes, e não vale a pena dares murros por isso. Ninguém que seja inteligente faz mal a outros para provar uma verdade. Vais crescer e perceber isso melhor.

Levantou-se, foi ao armário, procurou o álbum velho das fotografias.

Olha, esta é a tua avó: bonita, jovem. Aqui estou eu pequena, e esta é a Sónia, minha prima. Ela foi tanto minha amiga E este era o bisavô vê lá o cabelo preto! Igualzinho a ti! Tens dúvidas ainda da linhagem?

Nenhuma Mas porque tu e os outros são ruivos?

Porque puxámos à avó! E tu herdaste do lado dela. Vais aprender isto na escola, mas por agora ficas a saber: és dos nossos, e isso é que importa.

Vendo o filho relaxar, Madalena quase contou toda a história, mas conteve-se. Ainda era cedo. Ele agora estava em paz, era isso que interessava.

No dia seguinte, Irene, ao ver o Henrique no pátio, acenou:

Foste bem criado, Henrique! Os teus pais têm muito de que se orgulhar.

Foram palavras simples, mas bastaram para o sossegar. Quem conhece a Dona Irene sabe bem: não elogia por simpatia.

Claro que muitas vezes Madalena voltava a Irene, sempre recebida de braços abertos.

Um dia, porém, bateu à porta e ninguém respondeu. Ouvia-se o uivar dos cães, mas ninguém abria.

Soube que Irene tinha ido de ambulância para o hospital. A mulher, teimosa, nem ao filho avisou.

Madalena deu-se ao trabalho de ligar para todos os hospitais, foi lá, trouxe-lhe as chaves.

Obrigada, Madalena! Os meus têm de sair à rua, senão destroem a casa

E têm fome! Já vão dois dias sem comer, pobrezinhos. Por que não nos chamou?

Não queria incomodar Achei que melhorava

Se fosse com o teu filho, ele não gostava de não saber, pois não? Então liga para ele. Ou eu ligo, se achares melhor.

É, tens razão Fico sem jeito que percas tempo comigo.

Sem jeito é dormir colado ao tecto, dizem cá em casa! Isso não é perder tempo, é cuidar! Também perdeste tu por mim. E foi por ti que o Henrique está como está. Deixa-me cuidar, que é justo!

A matilha foi passear, comer e o Henrique assumiu a rotina dos passeios até Irene recuperar. Felizmente a saúde melhorou e ela voltou, para alegria dos cães.

O Henrique ficou tão amigo deles que se ofereceu para passeá-los sempre. Mas a Irene, à sua maneira, ainda deixava os cães sair sozinhos, o que fazia o rapaz resmungar e ouvirem-se discussões animadas, mas cúmplices.

Por isso, foi fácil tirar ao grupo o gato estranho que apareceu do nada. Era magro, esfarrapado, olhos bem abertos, triste. O Henrique pegou nele e levou logo uma arranhadela, mas nem se chateou.

És de raça, não és? Um britânico Como vieste aqui parar?

O gato não falou, só rosnou e abriu muito os olhos, mas já não fugiu.

Os mais novos adoraram o novo hóspede e decidiram preparar a mãe para a notícia. Ficaram em bicos dos pés a convencer o gato a não ter medo e pensavam no discurso para a Madalena.

Madalena ria, a ver o resultado das tentativas deles, desenhada num grande retrato seu com o gato nos braços quase maior que ela, o que só melhorava o desenho.

E acham que isso chega para convencer-me a ficar com esta criatura mal-humorada? Nunca pensei ter gatos. Não sei cuidar de nenhum!

Mãe, olha, nós também não. E se falarmos com a Dona Irene? Gatos, cães, ela sabe tudo de cuidar bicho.

Foi então que a campainha tocou. Madalena riu.

Afinal não precisam de ir. Vai abrir! E segura o teu amigo rabugento. A dona Irene chegou na hora ideal para ajudar.

Os miúdos cruzaram olhares cúmplices e, tal como a mãe pouco antes, sussurraram:

Mãe Podemos ficar com ele?

E eu já não disse nada? Fica, claro, se o dono não aparecer. Alguém tem de o amar, não é?

E o gato ficou. Madalena suspirava discretamente na veterinária, a ver as notas de euros a sair, mas achava um preço pequeno a pagar pelo brilho nos olhos dos filhos e o conforto de saber que o gato, já calmo, passava noites aconchegado junto dela. O Henrique, de vez em quando, ficava ciumento, e Madalena respondia a rir: Ele sabe bem quem domina a casa!

E sabia: quando tudo se calava, os miúdos deitados, o gato cinzento roçava-se nas pernas dela, deslizava para o corredor e batia de manso na porta do quarto dos miúdos. O Henrique, meio a dormir, puxava-o para junto de si, o gato quedava-se, verdejantes olhos brilhando na penumbra para a Madalena à porta.

Boa noite! murmurava ela entre carinho às cabeças dos filhos e ao lombo felpudo dele.

E a resposta era o silêncio feliz. Madalena sorria e fechava a porta. Assim é que está certo. A felicidade gosta de silêncio. Que seja assim, até amanhecer, para depois virem novos desafios e alegrias.

E um dia, quando Irene foi para o Norte morar com o filho, Madalena, os filhos e toda a vizinhança despediram-se, prometendo cuidar da matilha.

Madalena abraçou a amiga, acariciando as mãos dela, emocionada:

Eles esperam por si! E nós também. Vá com Deus.

E a Dona Irene sorriu, com lágrimas nos olhos, para os miúdos que a acenavam. E ninguém poderia dizer, olhando aquela senhora ainda tão bonita apesar da idade, que era resmungona. Porque no brilho do seu olhar havia tudo para se perceber: mulher de bem, ainda com muito para viver. Rodeada de bons vizinhos, de netos e uma nova matilha em casa grande, com direito a quintal só para eles.

Todas as semanas sentava-se ao computador pelo neto, para receber videochamadas. E mesmo longe, ouvia voz calorosa:

Olá, tia Irene!

E um grande gato, indolente, fechava os olhos, enfiava a cabeça debaixo da mão do agora crescido Henrique.

E assim, a vida continuava, com o coração cheio, de silêncio e alegria.

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