Meias
Ai, és mesmo o meu docinho! Tão querido! Meu Deus, porque é que os miúdos pequenos são tão fofos, hã? D. Maria Leonor fazia festinhas ao neto, quase a exibir-se para a câmara do telemóvel.
O meio ano do Martim foi comemorado em grande. Animadores, balões por todo o lado, um bolo enorme e bonito. Os avós esmeraram-se com tudo. A Sofia não estava totalmente convencida com a ideia. Claro que lhe sabia bem ver os pais tão entusiasmados em agradar ao neto e a ela, mas, como quando era miúda, ficou rapidamente saturada da confusão. Ao que parece, o Martim saiu a ela, porque passado meia hora do início da festa, desatou a chorar com toda a força e a Sofia levou-o para dentro de casa. Fechou bem as janelas, sentou-se num cadeirão com ele no colo e, passado pouco, já dormia.
Já chega de aventuras hoje, amor. Ainda és pequenino para estas festas todas.
A D. Maria Leonor subiu ao quarto do Martim, com o presente que tinha deixado na mesinha do hall.
Já dorme?
Está exausto, mãe. Eu tinha-te avisado que ainda era cedo para esta animação.
Deixa estar, filha, vai-se habituando. Ainda bem que podemos dar estas felicidades ao nosso neto. Tanto tempo que o esperado! Olha só, comprei-lhe isto! Não é uma beleza?
O papel a rasgar despertou o menino, que começou a remexer-se inquieto.
Mãe, deixa isso para depois, sim? Sofia levantou-se e percorreu o quarto devagarinho, embalando o filho.
Ora essa! Andei ali tanto tempo às voltas para escolher isto e parece que nem te interessa! a mãe olhou-a de lado, deixando a caixa em cima da cómoda.
Não digas isso, mãe! Eu tenho a certeza de que o presente é lindo. Só peço que me tragas um copo de água, por favor. Estou cheia de sede.
Então põe o Martim na cama e desce.
Ele vai acordar.
Que problema há? Voltamos para a festa!
Mãe, se ele acorda agora, vai chorar até não poder mais. Não achas melhor evitar?
Ó filha, os miúdos têm de ser educados desde pequeninos. Se começa agora a berrar, como é quando crescer? Crianças educadas não fazem isso.
Sofia hesitou por um segundo e depois continuou a dar voltas pelo quarto, com passos suaves e pausados. Era como se estivesse a dançar, todo o corpo a obedecer ao compasso de um embalo antigo, familiar. Crianças bem-comportadas nunca incomodam os adultos. E as meninas educadas têm sempre de ser perfeitas em tudo. Costas direitas, cabeça levantada, postura de bailarina! Nunca contestar nada.
Pronto, eu vou lá para baixo. Tu despacha-te e desce também. Não se faz uma festa sem anfitriã.
Troca-me só por uns minutos, por favor, mãe.
D. Maria Leonor saiu e a Sofia sentou-se de novo, apertando o Martim contra o peito. Quanta coisa não teve de passar para ter este menino nos braços…
A Sofia nasceu numa família de bem. O avô era professor catedrático, a avó, a famosa Dra. Graça, uma das melhores cirurgiãs do Hospital de Santa Maria. O pai seguiu Medicina, claro, tradição a manter. A Sofia nunca percebeu como é que aquele pai tão racional, seguro, se tornou quase de barro nas mãos da mãe. D. Maria Leonor não tinha feitio para as ciências. Com muito custo terminou o curso, arrumou o diploma na prateleira, e pôs-se à vida, a pensar sobretudo em casar bem. Ou melhor, a avó é que tomava conta desse assunto. A D. Graça era exímia a escolher partidos. Os pais conheceram-se na festa de aniversário da avó e foi um instante até ficarem juntos. A Leonor conquistou o António num ápice, casamento requintado, logo conseguiram um apartamento em Lisboa pago pelos pais. A Sofia nasceu dois anos depois e ficou imediatamente sob alçada da avó. A D. Graça controlava tudo, desde a ama às atividades: dois idiomas, aulas de ballet e professora de piano em casa.
Uma criança tem de ser perfeita em tudo!
Fins de semana nos museus, teatros, sempre com a avó vigilante. Raramente via os pais. O pai andava sempre a suar no hospital e a mãe só passava para dar um beijo rápido antes de sair para jantares com amigas.
O esforço da avó deu frutos, e a Sofia entrou na escola de dança e mais tarde num grupo conceituado. A carreira prometia quando apareceu o Tiago. Ninguém da família gostou do rapaz, só o pai dela.
Que desnível, minha filha! suspirava a D. Graça deitada no sofá, dedos finos a apertar as têmporas. Vê lá o que fazes. Que vais fazer com este simples? Nem consegue articular dois pensamentos seguidos!
Ó avó, poucos conseguem articular seja o que for à tua frente retorquia Sofia, sentada com as pernas encolhidas na poltrona (algo que noutra ocasião dava castigo certo).
O que queres insinuar? a avó erguia-se, incrédula.
Que raramente aparece alguém à tua altura, é isso.
A avó franzia o sobrolho, desconfiada.
E mais, avó: não é só porque gosto dele. Eu amo o Tiago, e tu não vais negar que o amor é o que move a arte, pois não?
Ai, já nem sei o que dizer. Mas achas que consegues ser feliz ao lado dele?
Quero tentar. Se possível, uma vida inteira.
A Sofia teve de lutar, claro. Muita lágrima, muito desabafo, mas não cedeu. Para o Tiago, ela era quase como uma deusa que descia das nuvens. Frágil e forte ao mesmo tempo. Sentia logo que queria protegê-la do mundo inteiro.
Não te posso prometer muito, Sofia. Mas faço tudo para seres feliz. O que posso garantir é o meu amor.
Bastou-lhe isso. Encontrou pela primeira vez alguém que não lhe pedia nada, ninguém com exigências de estar à altura. Só ela, por ela.
A vida, claro, não foi fácil. O Tiago não tinha padrinhos influentes nem família rica. O pai tinha morrido cedo, a mãe, D. Helena, era professora primária e depois diretora na escola. Toda a vida dedicada aos alunos e ao Tiago. Ajudou-o sempre, acreditou sem hesitar: vendeu a casa grande, ficou num T1, e deu-lhe o pecúlio para montar o próprio negócio. O Tiago desenrascou-se à portuguesa, a empresa lá foi crescendo e, passado uns anos, já era das mais respeitadas. Até a D. Graça acabou a elogiar, sobretudo depois do bisneto nascer.
A Sofia desejava um filho com todas as fibras do ser. Não queria ser grande artista, só mãe, só mulher. Mas parecia que o corpo não a ajudava. Anos de exames, duas operações, e nada. Chorava à noite, sem o Tiago ver, pensava que ele merecia ser pai. Decidiu pôr tudo em pratos limpos, mas o Tiago só se riu:
Diz-me, mulher tola, achas que a minha vida contigo só faz sentido se fores mãe? Tu és tudo para mim!
Chorou de alívio, mas não era fácil aceitar. Continuava a sofrer, a querer, até porque a mãe não ajudava, sempre com as piadas de que as amigas já eram todas avós, só ela é que parecia jovem e sem netos. As colegas convidavam para festas dos filhos, e ela sempre a escolher presentes, a sentir-se de fora. Até que decidiu abrir a sua escola de ballet.
Preciso de fazer alguma coisa da vida, senão dou em doida!
O Tiago não percebia muito bem, mas foi a D. Helena quem o fez compreender.
Oh Tiago, ajuda-lhe! Ela ama-te, e não há felicidade maior para uma mulher apaixonada do que dar-te um filho, acredita. Dá-lhe apoio, seja no que for.
Tens razão, mãe.
Ajudou a arranjar um espaço, a Sofia até bateu palmas ao ver o estúdio cheio de luz. O trabalho, os miúdos, as aulas, acabaram por lhe preencher a cabeça. Nem percebeu quando começou a sentir-se diferente. A sogra desconfiou primeiro.
Sofia, espero que não te importes com a pergunta… Estás à espera de bebé?
A Sofia ficou dura e nem respondeu, magoada. Tanta dor, porquê perguntar logo aquilo? Mas depois quase caiu para o lado, tonturas e enjoo, e a D. Helena logo percebeu.
Pediram logo um teste na farmácia e nem os empregados do café onde estavam estranharam quando viram as duas a chorar e a dar pulos de alegria. Sim, estava grávida.
O Martim nasceu saudável e já estava a desafiar os médicos nas primeiras horas.
Bailarina, não? perguntou a neonatologista.
Sim.
Fez um rapazão mesmo bonito! Não é típico, costumam vir com problemas, mas está aí um belo menino. Parabéns!
Agora, todos os dias, ao acordar, a Sofia sentia uma felicidade tão forte que até metia medo. Isto deve ter limite!, pensava.
Não te preocupes, somos dois! dizia o Tiago a admirá-lo no berço, aconchegado no envelope de renda que a avó Leonor comprou para a saída da maternidade.
A saída do hospital foi um pesadelo para Sofia. Mesmo com o Tiago a tentar controlar, a D. Maria Leonor fez tudo à sua maneira: fotógrafo, família toda à porta, mesa farta já posta. A Sofia só queria um duche quente e deitar-se.
Mãe, para quê tanto?
Ai filha, isto faz-se assim! Estás a brincar? É uma felicidade, é uma festa!
Percebeu que não valia a pena discutir. Subiu as escadas com esforço só de olhar para o número de pessoas à espera em casa.
São só os mais próximos, filha!
Cruzou-se com a sogra no corredor e percebeu pelo olhar que ela também estava farta das festas. Os parabéns e os presentes duravam e duravam.
Desculpem, vou raptar o Martim e a sua mãe por um bocadinho a D. Helena pegou-lhe ao braço. Temos de conversar um pouco.
Subiram para o quarto e não tardou muito e já a D. Helena tinha uma canja pronta e que bem lhe soube! O Tiago mudou o Martim, pô-lo na alcofa e a Sofia inquietou-se logo.
Tenho de voltar para baixo.
Voltas nada, deixa-os. Tu já cumpriste, agora descansa.
Sofia aliviada adormeceu como uma criança. A última coisa que viu foi a sogra a andar, de um lado para o outro, muito atarefada.
Tens sono? D. Helena foi buscar uma manta e cobriu-lhe as pernas. Dorme, eu fico de olho no Martim.
O Martim… sussurrou Sofia, caindo no sono. O Tiago, o pai, tinha escolhido o nome em homenagem ao avô.
Quando a D. Maria Leonor subiu minutos depois, ficou indignada por ver a filha a dormir em vez de estar a receber convidados.
Mas isto é o quê?
É o que é: mãe a amamentar precisa de paz, senão o bebé fica sem leite, ora.
Olha que não! Eu nunca amamentei a Sofia mais de dois dias e não morreu. Cresceu saudável.
Ia entrar no quarto e foi impedida pela D. Helena.
Sabe que mais? Porque não celebramos só nós as duas este novo estatuto? E agora, acha melhor tratarmos-nos por avó ou pelo nome?
O Tiago saiu do quarto a agradecer mentalmente à mãe. Com a sogra, era outra história recebia todos os favores com gosto, mas nunca queria saber das opiniões dele. O sogro foi mais fácil de conquistar, mas também esse preferia ficar sossegado ao ouvir a mulher impor regras a tudo.
Mudar a Leonor é como chatear um vulcão dizia o sogro, encolhendo os ombros.
Uma hora e meia depois, Sofia acordou sem saber onde estava. Ouviu o Martim, ruído cá em baixo, e voltou a si. Deu de mamar ao filho, pediu ao Tiago que ficasse com ele e foi finalmente tomar banho. Depois, já na cozinha, saboreava a sopa da D. Helena e ia-lhe perguntando conselhos.
No hospital mostram o básico, mas é só o essencial… eu tenho medo de não saber fazer nada! desabafou a Sofia.
Anda cá, minha filha. Os bebés são mais resistentes do que se pensa. Vais ver que te sai tudo. Quando o Tiago nasceu não tinha ninguém. Aprendi por tentativa-e-erro. Confia em ti. És mãe, sabes o que é melhor para o Martim, sem ninguém lhe ensinar. Vai tudo correr bem.
De facto, a sogra tinha razão. Lentamente, a Sofia ficou mais segura, já não tinha tanto medo mas nunca deixou de se preocupar.
O primeiro semestre passou num instante. A D. Helena ia lá a casa duas vezes por semana, mas acabava sempre por tratar da casa e fazer comida. Ao início a Sofia sentiu-se incomodada, mas a sogra acalmou-a logo:
Aproveita, filha! Isto passa num instante. Cada sorriso, cada olhar, cada novidade… Quando deres por isso, já cresceu. Eu ainda tenho forças para limpar o chão, não te preocupes.
A mãe dela, a D. Maria Leonor, aparecia menos, mas cada visita era um espetáculo.
Olha lá a maravilha de carrinho que encontrei, Sofia! Um luxo!
Mãe, mas o nosso está ótimo!
Nada a ver! Vai buscar o Martim, vamos testar o carro novo!
Durante meses recusou-se a aceitar o nome do neto.
Onde é que foste buscar esse nome?! Não dava para escolherem outro? Martim! Tanta coisa mais bonita!
Mãe, é um nome real! E, aliás, quem tem de decidir somos nós, não achas?
A avó é que me deu o nome refilava a Leonor. E olha que eu tinha escolhido outro.
Pois, ainda bem que o nome do teu neto fui eu que escolhi!
A mãe encolhia os ombros, pegava no neto e lá ia com ele dar o passeio do bairro sempre orgulhosa, a ouvir os comentários das vizinhas: Que criança mais linda! E a mãe está tão bem! Adorava que pensassem que era filho dela. Até que a vila toda percebeu e ela parou com os passeios. Limitava-se a aparecer para o café, dar um beijinho ao Martim e afastar-se rapidamente.
Eu sou a avó-festa! dizia, ao deixar sempre mais uma prenda colorida na prateleira do quarto.
Cada um assentou no seu papel, finalmente.
O meio ano do Martim foi quase o cenário para um barraco.
A Sofia sorriu ao filho acordado e foi buscar a caixa que a mãe trouxera. Era um chocalho de prata, lindíssimo.
Olha, Martim! Que lindo!
O Martim abanava o brinquedo, os dentinhos pequeninos ao sol. E da D. Helena, o presente estava num saco deixado à porta: um conjunto branco de lã feito por ela, tão macio que a Sofia não resistiu e encostou-o à cara.
E meias, filho! Olha que belezura. Tens uma avó cheia de arte!
A mãe entrou nesse momento, maravilhada:
Ai! Que luxo! É de algum designer?
Não, foi a D. Helena que fez.
A mãe apalpou a camisola.
Mas não podias arranjar um presente melhor? Primeira data importante do Martim, ao menos comprar-lhe qualquer coisa! Mesquinhezes nestas alturas não compreendo!
Ó mãe!
Ó mãe o quê? Não tenho razão?
A Sofia ficou desconfortável, vendo a sogra quieta na porta, a ouvir tudo. A D. Helena só pousou o sumo na cómoda e saiu em silêncio. Sofia ficou a acalmar o filho. Quando desceu, a sogra já tinha ido embora.
Tiago, que vergonha… Sinto-me tão mal!
Não foste tu que disseste aquilo…
Pois, mas devia ter travado logo. Assim é que não pode ser.
Pára, Sofia, a minha mãe não leva a mal. Esquece.
A Sofia tentou várias vezes falar sobre isso com a sogra, mas a D. Helena desvalorizava.
Ó filha, já passou, não ligues.
Mas a Sofia sentia sempre que tinha de remendar qualquer coisa. Queria que tudo ficasse bem outra vez.
O pior foi uma tarde, sozinha em casa com o Martim, já com dores. Ligou ao Tiago, mas estava sem rede. O pai estava a operar, a mãe, como sempre, demasiado ocupada para atender.
Olá, filha, está tudo bem? O que é feito do nosso rapaz? Desde a festa que não o vejo, mas foi um sucesso, não achas? Todos adoraram!
Mãe…
Não agradeças! Eu sou a avó! E desligou para atender outro telefonema. Sofia tentou de novo, só linhas ocupadas. As dores aumentaram. Ligou para o 112, e depois apanhou a D. Helena.
Sofia? O que se passa?
Por favor… o Martim… eu… o mundo girava, estava quase a desmaiar.
A D. Helena, meia despenteada e ainda de pantufas, atirou-se para a rua, de mala na mão, apanhou um táxi quase ao salto.
Está tola?! gritou o taxista ao travar.
Por amor de Deus, a minha nora precisa de mim!
Entre, mulher!
O taxista arrancou pelas ruas da cidade a D. Helena agarrada ao banco.
Não se preocupe, sou taxista há 30 anos, não me acontece nada!
Antes de a ambulância chegar, lá estava já à porta. Guiou os paramédicos até à Sofia.
É para levar consigo, senhora informaram.
Mas para onde? Porquê? a Sofia, dorida, nem percebia bem.
Tem de ir ao hospital, Sofia. O Tiago já vai a caminho. Eu fico com o Martim.
A operação correu bem e, duas semanas depois, a Sofia teve alta. O pai insistiu em que ficasse mais uns dias.
Isto não é brincadeira! O Martim precisa de ti bem forte!
Quando finalmente voltou para casa, abraçou o Martim e ligou à mãe.
Mãe!
Sofia! Então, como estás?
Preciso da tua ajuda. Preciso que venhas cá para casa uns tempos, não posso pegar em pesos nem ficar muito tempo sozinha com o Martim.
Claro, Sofia, mas não estava mesmo à espera disso… Eu tenho uma viagem marcada daqui a dois dias, não é reembolsável. Estava cheia de vontade de ir…
A Sofia desligou, suspirando fundo. Tinha de desenrascar-se sozinha. Deu de mamar ao Martim e deitou-se, cansada, a pensar quando é que aquelas dores passariam.
Acordou com passos no quarto.
Ai, não te queria acordar! a D. Helena tinha o Martim no colo. Queres comer? Tenho sopa, sumo e bolinhas de queijo fresquinhas. Vou levar o Martim ao Tiago e já te trago tudo. Aliás, se não te importas, fico cá estas duas semanas até estares boa.
Sofia olhou para a sogra e desatou a chorar.
Vá, não faças isso, minha querida! Só te faz bem ter alegria à volta. Olha o que temos para ti.
A D. Helena pôs o Martim no chão, certificando-se de que ele já se aguentava bem nas pernocas, e largou-lhe as mãos. As lágrimas secaram logo assim que a Sofia viu o filho a dar os primeiros passinhos na sua direção. Abraçou-o, olhou para a sogra, toda emocionada.
Vês? Aqui tens as tuas emoções positivas! a D. Helena sorriu. Agora toca a comer, que vais precisar de energia. Quando o Martim começar a correr, aí vais ver o que é bom!






