Há tempos, numas férias memoráveis na costa portuguesa, levei comigo a minha cunhada Beatriz e o filhinho dela, o pequeno Lourenço. Não conto vezes as vezes que desejei não o ter feito.
Todos os anos, eu e o meu marido planeávamos uma escapadinha ao mar, sempre para sítios diferentes ali pelo litoral português. Juntávamo-nos com amigos, cada um no seu carro, e, como era tradição, montávamos as tendas junto à praia, numa zona recôndita só nossa. Durante o dia, nadávamos, apanhávamos sol, relaxávamos. Quando o sol se deitava, sentávamo-nos à volta da fogueira, guitarra na mão, e brindávamos com copos de vinho tinto enquanto entoávamos fados e canções populares. Mas naquele verão a Beatriz, a minha cunhada, pediu se podia ir connosco. Levava também Lourenço, com apenas dois anos e meio. Pensámos se seria boa ideia ou não.
Deixámo-nos convencer. Olhando agora para trás, digo sem hesitar: não foi Lourenço que nos deu dores de cabeça, foi mesmo a Beatriz. As dificuldades começaram logo na viagem. Insistia em paragens constantes, quase de hora a hora dizia-se exausta e tinha de se esticar. Por isso só chegámos muito depois dos outros. Os amigos já estavam instalados, até já tinham dado o primeiro mergulho.
Mal chegámos, veio logo o primeiro dilema. Beatriz estava aborrecida:
Eu não consigo dormir aqui!
Mas porquê? Avisámos que íamos acampar! rebati perplexa.
Pensei que isso queria dizer procurar um sítio para dormir ao chegar, talvez uma pensão, não dormir mesmo em tendas! justificou.
O meu marido, já cansado, atalhou:
Então para que achas que trouxemos os sacos-cama e as tendas?
Acabámos por ter de lhe alugar um quarto numa pensão da vila mais próxima. Não bastava isso: o meu marido ainda fez de motorista de serviço, a levá-la e trazê-la todos os dias, então para cafés e mercados, sempre que ela achava que precisava “respirar um pouco”. O pequeno Lourenço ficava connosco, e invariavelmente tanto eu como os amigos dávamos connosco a tomar conta dele. E verdade seja dita, o menino era sossegado, gostava de correr, chapinhava no mar, comia o que aparecia e descansava adormecido no saco de dormir durante o calor do dia. Só a mãe parecia jamais adaptar-se.
No ano seguinte prometemos a nós próprios nunca mais embarcar numa aventura destas com a Beatriz a bordo. Já com o Lourenço, se os pais permitirem, levá-lo-íamos de bom grado. Ele, sim, nasceu para acampar e para a vida junto ao mar português.







