O gatinho foi traído, abandonado e rejeitado por causa de um simples resultado de exame. No frio do inverno português
O gato, chamado Tadeu, foi encontrado junto à entrada do prédio onde sempre viveu. O pobre felino andava de um lado para o outro, miava lastimosamente, arranhava a porta de ferro gelada e até tentava roê-la com os dentes. Estava completamente apavorado com a rua nunca antes tinha estado fora do seu apartamento. Sempre foi um gato caseiro, habituado ao conforto do lar e ao carinho dos donos. De natureza dócil e confiada, Tadeu corria ao encontro de qualquer pessoa que passasse: vizinhos ou desconhecidos. Esfregava-se nas pernas, tremia por inteiro, olhava as pessoas nos olhos como quem implora por ajuda, suplicando para ser salvo daquele mundo assustador do qual foi expulso, longe da sua caminha quente junto ao aquecedor. Atiraram-no para o meio do frio, sob neve e vento cortante.
O motivo foi vergonhosamente simples. A dona decidiu adotar outro animal de estimação viu um anúncio de oferta de um gato de raça e ficou entusiasmada com a ideia. A responsável pela adopção pediu que fossem feitos exames ao gato já residente. Quando os resultados chegaram, descobriram que Tadeu era portador do vírus da imunodeficiência felina. Ainda assim, a doença estava latente, sem qualquer manifestação, e não representava risco algum para pessoas ou cães, já que o DNA do vírus é estritamente específico aos gatos.
E mais: no caso de Tadeu, o vírus só era detetado nos exames o sistema imunitário mantinha tudo sob controlo, impedindo a progressão da doença. Contudo, a dona não quis saber: «um gato doente não me interessa, e se contagia alguém?» Sem sequer procurar esclarecimento, sem perceber que era inofensivo para humanos, simplesmente levou o gato doméstico e deixou-o no meio da rua em pleno inverno.
Foi a porteira do prédio, Dona Margarida, quem soou o alarme. Notou que o gato já não se agitava diante da porta, mas estava encolhido no chão, em cima da neve, enregelhado e exausto, a adormecer. E dormir ao relento, no frio, pode ser ponto de não retorno. Dona Margarida não ficou indiferente: levou Tadeu para a portaria, colocou-o em cima do seu próprio casaco, ao pé do aquecedor, e partilhou o almoço que tinha levado de casa. Naquele momento, o simples arroz com bacalhau foi um verdadeiro presente para Tadeu o calor e a comida devolveram-lhe as forças.
Mais tarde, Tadeu foi encaminhado para um abrigo. A hipotermia era grave, a constipação também se manifestou, mas com tratamento e carinho conseguiu recuperar. Hoje está saudável, ganhou novamente confiança nas pessoas. É castrado, vacinado e tem boletim veterinário.
Tem apenas três anos: um jovem ainda, de uma ternura inexplicável. Procura sempre contacto humano: abraça as pessoas com as patinhas, ronrona ao ouvido como se cantasse canções só dele, adora dar turrinhas e “beijinhos”. Custa-lhe despedir-se dos voluntários e regressar à sua gaiola. É, sem dúvida, um gato de apartamento: nasceu para viver rodeado de amor, num lar acolhedor.
Esta história ensina-nos que o medo e a ignorância podem ser cruéis, mas a compaixão e as pequenas boas ações podem fazer toda a diferença. Ofereça sempre uma segunda oportunidade a quem dela precisa porque todos merecemos um lar seguro e amoroso.







