Maria criou sozinha as suas duas filhas. O pai delas faleceu quando ainda eram pequenas e ela nunca voltou a casar. Sempre teve receio de que um novo marido pudesse fazer mal às suas meninas. Se tivesse de escolher entre uma nova vida a dois ou cuidar das filhas, preferia ficar com as filhas.
A mais velha chamava-se Filomena e a mais nova era Beatriz. Filomena casou cedo e teve uma filha, Patrícia. Mudou-se para o apartamento do marido, mas o casamento não durou muito. Alguns anos depois, já com uma filha nos braços, Filomena regressou à casa de Maria.
Beatriz ficou bastante magoada com o regresso da irmã. Achava que ela tinha voltado de propósito para obrigá-la a sair do apartamento. Mas estava enganada, Filomena tinha a saúde debilitada e fora diagnosticada com cancro. Patrícia ficou aos cuidados da avó.
Beatriz também era casada e tinha dois filhos. Uma parente próxima, a tia idosa de Maria, cedeu-lhe um apartamento. Sem pensar muito, Beatriz aceitou e logo colocou tudo em seu nome, com a promessa de que, se acontecesse algum problema, não faria exigências sobre o apartamento da mãe.
Filomena acabou por falecer quando Patrícia tinha dezassete anos. Pouco tempo depois, Maria adoeceu. Num certo dia, Beatriz foi ter com a mãe e perguntou quem ficaria com o apartamento quando ela morresse.
Como assim quem? Vai passar para a Patrícia. Ela está sozinha, a mãe já partiu e o pai não tem ligação nenhuma com ela. Não pode ficar sem casa.
Mas o que queres dizer com isso, ela é apenas tua neta e eu sou tua filha! E tenho dois filhos. A Patrícia irá crescer e poderá arranjar outro apartamento, dá-me o meu de volta Beatriz falou exaltada.
Não. Já tínhamos combinado isso antes.
Então nunca mais venho cá.
Beatriz não quis saber se a adolescente conseguia estudar ou cuidar da avó doente. Desde que não conseguiu o apartamento, deixou de falar com a mãe completamente.







