– Olha só, toda empiriquitada! Gente normal, como deve ser, sai cedo para o trabalho, e ela? Onde já se viu andar por estas ruas de Lisboa, todas molhadas, de calças brancas?
– Ah, mas ela nem põe os pés no passeio! Só anda naquele carrão! Parece até autocarro!
– Olha, dá graças a Deus que pelo menos está vestida! Viste o que ela trouxe ao pescoço?
– Não reparei. O quê?
– Uma tatuagem! Só podia! Só quem já esteve na prisão, pelo amor de Deus! Tão nova e já toda marcada. Queria ver o que a mãe diria se visse isto Eh, falta-lhe juízo está perdida
O grupo de senhoras sentadas no banco do prédio murmurou, olhando de soslaio para Francisca.
E porque não conversariam elas? As sacolas de compras já estavam a seus pés, e ir para casa… para quê, se lá só as esperava a rotina? Ao menos ali respiravam, sempre a mesma coisa lá dentro. Crianças miúdas ou crescidas, comida para fazer, casa para limpar. Alegria mesmo, só na Páscoa ou no Natal onde se há de ir buscar alegria, afinal? Gente simples tem pouco acesso a essas coisas. Vivem de preocupação em preocupação: dar de comer aos filhos, ajudar quando faz falta, levar um miminho aos netos e dar-lhes um abraço apertado. Só aí mora a felicidade… E nem todos têm isso. Veja a Dona Albertina: a filha já avisou que não vai ter filhos, porque agora o que está na moda é viajar, ir a Búzios, não ter chatices. Como conseguem? Devem ser como a Francisca, filha da Isabel.
Era tão boa rapariga! Ia para a escola, estudava, sempre educada. Agora? Desde que ficou sem mãe, perdeu-se. Por aí anda, sem rumo. Não trabalha, nem estuda! A Manuela lá do terceiro disse que ela se meteu numa coisa que não lembra a ninguém: abriu um salão de tatuagens! Onde já se viu uma coisa dessas?
Quando há uns anos apareceu-lhe o pai, toda a gente achou que ia pôr a miúda no caminho certo. Mas quê! Comprou-lhe aquele carro enorme que ocupa metade do parque, depois foi-se embora, deixando a rapariga entregue ao destino. Tão nova! Só tem vinte anos. Como se deixa uma menina assim? E ainda traz gente estranha para casa? Daqui a pouco perde a casa da mãe e o tal carro que ninguém atura.
Olha! Lá vai ela outra vez! Para onde irá? Quem sabe? Nem olha para trás! Uma fidalga Fidalga de calças brancas!
Francisca não tinha tempo, nem paciência, para os comentários maldosos das vizinhas. Afinal, a vida dela já era complicada o suficiente. O dia era sempre curto para tanto que havia para fazer. Às vezes desejava que o tempo tivesse umas horas a mais. A mãe dizia sempre que ela não sabia gerir o tempo, mas precisava aprender.
Francisca, quase tudo depende disso! Tem gente que anda de um lado para o outro, não consegue nada feito e vive a queixar-se. Mas o segredo é simples: quem é amigo do tempo, faz quase tudo!
E como se faz, mãe?
Não desperdices. Foca no que te importa e dedica-te com vontade. Reserva algum tempo para descansar e divertir-te. Isso também é importante. Ninguém aguenta só obrigações. Cansa e tudo vira tristeza.
A Francisca lembrava-se dos conselhos, mas seguir era outra história. Até agenda comprou, mas a coisa nem sempre rolava. E quando tudo era urgente e não podia esperar? Como hoje: três aulas, mas só consegue ir a uma, porque tem dois clientes, tem de passar na casa da Beatriz e onde vai a Beatriz, vai a Cláudia. Isso nunca leva só cinco minutos Ainda por cima, precisa ajudar o Tiago a arrumar as malas, e ainda há as clientes novas, que vai conhecer antes de viajar. Vai ser um corre-corre
Na fila do trânsito ali na Avenida da Liberdade, Francisca avançou uns metros e acelerou ligeiro. O carro respondeu como seda, reconfortante, como a dizer: Não te preocupes, conseguimos!. Não foi em vão que o pai lho deixou. Certamente era para lhe poupar tempo e dar liberdade.
Acariciou suavemente o volante.
Obrigada, pai
Se alguém lhe dissesse há dois anos que iria agradecer ao pai, Francisca teria dado risada. A verdade é que o desprezava desde que tinha memória.
Não era pela mãe ela, sim, nunca disse uma palavra menos boa sobre ele. Sempre o elogiava, dizia que Francisca tinha o sangue dele.
Francisca só não entendia como alguém tão inteligente podia largar a filha assim, bebêzinha, e desaparecer pelo mundo.
Eram muitos anos acumulando raiva contra quem deveria proteger e amar.
Na pré-primária, sentava-se sozinha num canto do salão nos dias das festas, morria de inveja das crianças a dançar com os pais. Não chorava, mas sentia-se a arder por dentro.
Na escola, se era magoada, calava e revidava, mas admirava quem gritava: Vou contar ao meu pai!
Às vésperas do secundário, discutiu feio com a melhor amiga, Mariana, porque esta largou sem pensar: O meu pai paga a faculdade que eu quiser, e ainda me compra um carro! Francisca percebeu ali que a amizade acabara.
Não era inveja. Era uma indignação aguda, quase insuportável. Mariana sabia tudo sobre Francisca, inclusive o seu sonho de ter um pai e, com maldade, não perdia chance de pisar na ferida.
A verdade é que Francisca nunca invejou ninguém. Não precisava. Com a mãe nunca lhe faltou nada: viagens no estrangeiro, roupa boa, um telemóvel novo no aniversário dos dezasseis.
E mesmo assim, esse não foi o principal presente daquele dia. Estava ainda a desembrulhar caixas quando apareceu quem ela não esperava.
Fez um escândalo, chorou, gritou, não ouviu a mãe pedindo calma, empurrou-lhe os braços, cuspindo lágrimas e raiva:
Traíste-me! O que ele está aqui a fazer? Não o quero ver!
Ela não sabia do resultado dos exames da mãe e que, em breve, a vida mudaria para sempre, caindo como fruta madura do alto de um penhasco, carregando tudo por arrasto.
A culpa é minha, Francisca. Na separação, e no afastamento entre vocês. Eu. A culpa é minha!
Porquê? Francisca sentia os dedos frios da mãe, sem coragem para se soltar. Ia finalmente descobrir por que razão passou a vida sem um pai.
Fiquei magoada
Magoada com quê, mãe? Tanto para afastar-me dele?
Eu explico, ouve só. Não me interrompas. Falar custa…
Francisca ouviu sobre o amor juvenil dos pais e das discussões das duas famílias. Ninguém queria que Francisca nascesse, era um erro para os dois lados. O pai largou os estudos para trabalhar, a mãe nunca acabou o curso. E mais: todos esperavam um rapaz, nasceu uma rapariga.
A mãe levou Francisca para a casa da tia, e ao pai disse que a filha não era mais dele.
Ele procurou-te, escreveu, telefonou Mas eu disse-lhe que não eras filha dele
Porquê, mãe?! Para quê?
Diziam-me isso tanto, que aceitei. Parecia melhor assim…
Francisca bateu no parapeito da janela. O cato, aquele que Mariana lhe ofereceu, tombou e a terra preta espalhou-se por todo o lado, como as palavras da mãe a sujarem tudo.
Limpar foi fácil, mas tirar aquele peso do peito… Nem tanto.
Sentou-se à beira da cama da mãe tal como em criança, olhos secos, e impôs:
Conta tudo. A verdade. Não me mintas mais!
Não vou mentir…
E assim Francisca soube o que realmente se passara. Ficou com mais perguntas do que respostas, mas compreendeu que a vida é estranha: um dia parece tudo certo, e no outro tudo racha por dentro. Ninguém pode decidir por ti.
Nunca soube ao certo se perdoou a mãe. Talvez sim, mas não tinha a certeza.
Tinha apenas gratidão por a mãe ter contado, mesmo que não tenha dito tudo. O mais importante ficou guardado nos braços magros, nos silêncios à noite, e nas lágrimas do pai, raras porém reais.
Nunca perguntou ao pai o que se dissera na última noite. Não queria magoar.
Tinham era de aprender a viver juntos afinal, ele recusou deixá-la com a tia.
Vou embora, sim, mas só depois de fazeres dezoito. Até lá, ficamos os dois discretos.
Já levaste tempo demais a desaparecer! Mostra-te, quero ver-te, pai
Natália, a mãe de Francisca, durou quase dois anos quando lhe deram meses. Dias duros, os mais tristes e felizes da vida. Custava-lhe que o tempo tivesse sido tão pouco.
Foi nessa época que Francisca começou a desenhar.
Porquê não antes? Nem ela sabia. Rabiscava nos cadernos, sem pensar nisso a sério.
Olha só, até tens jeito para isto!
O pai surpreendeu-se ao ver os desenhos.
Espera aí.
Tirou a camisola, e Francisca ficou de boca aberta. Nas costas dele, uma tatuagem colorida lindíssima. Os seus esboços pareciam desenhos feitos por uma criança.
Foi um amigo que fez. Queres que fale com ele? Vê como desenhas, pode até ensinar-te
Quero!
Ninguém notou quando ela foi. Viveu quase um ano com o pai em Coimbra, a aprender. Decidiu depois voltar à Amadora.
Pai, quero voltar a casa
O pai, surpreendentemente, não a impediu. Pediu só para esperar umas semanas, depois saiu uns dias. Quando voltou, ajudou-a com as malas e, deixando as caixas pela casa, pousou com solenidade as chaves do carro na mesa.
É teu. E isto também.
Francisca olhou intrigada para a pasta de documentos.
Isso é o teu salão. Vendi o meu apartamento e comprei um espaço no centro. Pequeno, mas não precisas de mais. O teu professor encomendou o equipamento. Vai chegar logo. Trabalha, filha, e estuda. A tua profissão já tens, mas é bom ter diploma.
Custou-lhe acreditar que a vida melhorara. Só percebeu quando o vizinho Paulo, barbudo e motociclista, lhe elogiou o primeiro trabalho no salão novo.
O pai tratou de tudo antes de ir embora para o Alentejo.
Vais para onde?
Para casa dos avós. Precisam de mim. Mas sabes que estou aqui
Mas eu queria que ficasses, pai
Eu sei, filha. Preciso de ir
Francisca enfiou-se no trabalho e nos estudos. Logo precisou de duas ajudantes.
No meio da correria, conheceu Beatriz.
A mulher elegante entrou perto das sete, quando Francisca olhava com impaciência para o relógio a esperar a cliente que nunca mais chegava.
Desculpe Posso falar com a artista?
Francisca ergueu-se, largando o portátil e o caderno de apontamentos de Direito.
Sou eu, pode dizer.
Menina, não brinque. Chame quem manda aí.
Só então Francisca olhou bem e percebeu: o ar de dinheiro escondia olheiras fundas, unhas curtas e mal tratadas, olhar fundo de quem carrega o mundo.
Sem palavra, Francisca levantou-se, pegou no álbum e colocou-o nas mãos de Beatriz.
São meus trabalhos. Se gostar, conte o que pretende.
O nome Aqui
Arregaçou a manga e virou a palma da mão.
Quero ver sempre. É para nunca me esquecer
Ali terminou-lhe a força. Francisca viu o esforço para engolir as lágrimas. Calmamente foi trancar a porta, a tempo do carro da cliente atrasada estacionar.
Sente-se disse, já a baixar as persianas. Vai ficar bonito.
Dói? Já sei.
Beatriz sentou-se e disse só mais uma coisa:
Cláudia.
Francisca nada perguntou. Soube sobre Cláudia dois dias depois, ao cruzar Beatriz no Hospital de Santa Maria, onde ia visitar a tia.
Oh, é você!
Eu. Obrigada
Não tem de quê. Ficou bonito.
Muito A Cláudia gostou.
Ela
Sim, a minha filha.
Houve um silêncio estranho. Beatriz agarrou Francisca pela mão, encarou-a e apresentou-se.
Beatriz.
Francisca.
Quer conhecer a Cláudia?
Francisca nem hesitou. Nem sabia que essa tarde lhe mudaria a vida.
Uma menina de óculos tortos, remendados com fita, conquistou Francisca de imediato. Pegou-lhe logo na mão e saiu a correr, mostrando o parque dos esquilos:
Tens nozes? Ou amendoins? Se não, como vais alimentar os esquilos?
Que esquilos?
Os da quinta! Comemos quase todos os dias com a minha mãe. Ela diz que já são tantos que em breve caem das árvores de tão gordos!
Não caem, estão sempre aos saltos.
Pois é! Tu és inteligente!
Nem por isso.
Porquê?
Porque ainda estou a aprender.
E apresentou-se:
Cláudia Beatriz da Silva.
Bonito Francisca sorriu, apertando com cuidado a mão pequenina.
Agora já somos amigas!
O riso da criança ecoava leve pelo jardim do hospital. Por um momento, Francisca viu um brilho diferente no olhar da mãe.
Na visita seguinte, já levou os bolsos cheios de nozes.
O diagnóstico de Cláudia demorou a ser explicado. Tornaram-se próximas devagar, pisando ovos sobre mar gelado, conquistando confiança com cautela.
Dá para fazer alguma coisa?
Dá. Já não é sentença. Beatriz aquecia as mãos cheias de chá, sentadas num café. Quando fui ao seu salão, disseram que pouco havia a fazer.
Pois
Depois chegou um novo médico. O Dr. Tiago e disse que ainda não estava tudo perdido.
Então, por que choras? Não percebo.
Ontem a Cláudia foi operada. Está nos cuidados intensivos. Mandaram-me para casa Estou aterrorizada, Francisca nunca me senti assim. E não tenho a quem contar.
O pai dela?
Saiu de casa. Nem conheceu a filha Quis ter Cláudia sozinha. E pronto, ele ficou de fora, sabia ao que ia. Não faz falta. Entendes?
Não muito, mas agora o importante é a Cláudia.
É
Não caías! Agora que já vi o nome da tua filha escrito, não tens o direito de desistir! Ouviste?
Não grites Eu percebo.
E, quase gritando, Francisca apertou-lhe o pulso, a mostrar-lhe a tatuagem.
Beatriz chorou ruidosamente, enquanto Francisca recusava todas as intromissões dos empregados do café, só pedindo um copo de água.
Passaram a noite no salão, entre lágrimas, silêncios e risos. De manhã, pegou Beatriz, deu-lhe um pente e mandou pentear-se para não assustar a filha.
A cirurgia de Cláudia foi um sucesso Tiago operara um milagre.
Quando é que posso ver os esquilos? perguntava Cláudia, farta do hospital.
Logo, logo, vamos contigo a Lisboa, ao parque com a Francisca. Há lá mais esquilos do que aqui!
Para quê?
Para a tua recuperação, querida. A operação já está, agora falta pôr os teus olhos a ver bem. Vamos para Lisboa, o amigo da Francisca já tratou de tudo.
Para a ré quê? Não digas! Pergunto à Francisca!
E estava tudo dito. Tudo melhor do que a monotonia do hospital e os dias cinzentos.
Mãe!
Sim?
O Tiago vai connosco?
Não, ele tem muito que fazer. E já te disse para não chamares adultos só pelo nome!
Eu posso!
Porquê?
Porque ele gosta da Francisca!
Cláudia desatou a rir ao ver o espanto da mãe.
Tagarela! Como sabes disso?
Então! Tu não vês? Elas são tão iguais Eu digo à Francisca, mas ela não acredita!
Era impossível não ver as faíscas entre Tiago e Francisca quando se encontravam. Por teimosia, fingiam ignorar.
Depois da recuperação de Cláudia, Francisca percebeu que podia ajudar mais crianças. Tiago, orgulhoso, despedia-se dos pequenos pacientes à porta do carro de Francisca, convertido em mini-casa rolante.
Está confortável? E a mãe? Pronto. Vamos lá!
Quase ninguém queria viajar de comboio, e o carro de Francisca era o preferido. Um lar sobre rodas, com tudo: toalhetes, tablets, desenrascanço.
Tiago nunca teve coragem de perguntar porquê, mas admirava Francisca em silêncio. Ela também sentia o mesmo, mas nenhum dos dois dava o primeiro passo.
Se não fosse Cláudia, nunca saberiam.
No dia em que voltaram ao hospital, Cláudia pediu para falar sozinha com Tiago.
Por que não lhe dizes?
A quem? Que digo?
À Francisca. Que gostas dela.
Não é fácil.
Ai, vocês adultos! Ela também gosta de ti!
Já percebi.
Então porquê calas?
Sabes sou só médico num quarto alugado e ela tem tudo. Um namorado deve ter algo para oferecer.
O amor não basta?
Ás vezes, não
Cláudia fez beicinho, puxou Tiago pela bata, murmurou-lhe um segredo ao ouvido. Tiago desatou a rir.
Não gozes, doutor Tiago!
Como te chamas? Pronto, vá. Vai lá.
Cláudia agarrou a mãe logo pela mão.
Anda, mãe, temos de ir ver a Francisca.
Está a trabalhar!
Não faz mal, vai gostar de me ver!
Beatriz acabou a rir e a marcar um táxi.
Com Francisca, Cláudia também teve conversa. O resultado chegou rápido.
Ao fechar o salão ao fim do dia, Francisca decidiu que, se até uma criança percebeu o que ela escondia, já era hora de deixar de fugir.
Quando viu Tiago à entrada do prédio, sentiu o coração disparar.
Olá!
Meses depois, as vizinhas murmuraram de novo no banco do prédio.
Arranjou namorado! Quem é ele? Só se vê que chegou cheio de malas! E se for alguém mau? Ela tá sozinha!
Parece-me boa pessoa!
Ai, Albertina, tu és tão ingênua! Até parecem boas famílias, depois vê-se…
Devíamos telefonar ao pai dela! Que venha ver isto!
Mas ele está cá!
Ai sim? Quando chegou?
Ainda há pouco o vi!
E vieram a saber tudo.
Viram Francisca num vestido de noiva de encantar, onde afinal só então se tornou visível a tatuagem que tanto tempo esconderam as costas.
Viram Tiago, o tal rapaz, a guiar a noiva a sorrir discretamente para Cláudia, que se gabava de ter sido ela a vender Francisca ao Tiago.
Viram Beatriz emocionada, a corrigir o véu da amiga e dizendo:
Deixa-me chorar, são lágrimas boas!
E viram estranhos abraçarem a Francisca como se fosse família.
Ninguém percebeu ao certo quem eram.
Ninguém percebeu bem quando Francisca, prestes a entrar no carro, arregaçou o vestido, descalçou os sapatos de salto e pediu os ténis.
Tiago, rindo, ajudou a calçar os ténis, que Beatriz entretanto trouxera.
Tudo ao contrário do que era de esperar! murmuravam as senhoras do bairro, vendo os carros partirem.
Ah, como uma fidalga!
É mesmo. Fidalga!
E foi aí que compreendi. A vida fugiu-me ao controlo tantas vezes, que aprendi: o que parece mal aos olhos dos outros, às vezes é só o caminho certo. Importa é seguir o coração e, na dúvida, caminhar mesmo que seja, de ténis, pelo meio das pedras de Lisboa.







