Entre a Verdade e o Sonho
A Andreia enrolava-se num cobertor quente, saboreando o silêncio tranquilo da sua casa em Lisboa. Lá fora, a chuva fina caía preguiçosa, escorrendo pelos vidros do quarto de estar enquanto o Tejo refletia as luzes soturnas da cidade. Acabara de regressar de uma sessão de provas do vestido de noiva um momento que aguardava com ansiedade e alegria há meses. Nos braços, ainda pousava o saco com os acessórios: uns brincos delicados, uma tiara fina, outras pequenas peças que iriam compor o seu visual para o casamento. A cabeça estava cheia de imagens do futuro: ela a caminhar pela igreja de São Domingos, o brilho dos brincos, os sorrisos dos convidados ao vê-la atravessar o corredor central.
A calma foi interrompida por uma campainha seca à porta. Andreia estremeceu, apertando os cantos da manta. Olhou para o relógio: faltavam dez minutos para as sete. Quem seria àquelas horas? Uma entrega esquecida? Alguma vizinha com um pedido inesperado?
Aproximou-se da porta e espreitou pelo óculo. Quem estava do outro lado era uma incógnita total: um homem alto, mas o rosto escondido pela sombra. Não teve pressa em destrancar.
Quem é? perguntou com o máximo de serenidade que lhe foi possível.
Sou eu, Artur ouviu o timbre abafado pela porta. Preciso de falar contigo. É urgente.
Andreia hesitou. Não tinha vontade nenhuma de conversar com Artur E se fosse algo com a Joana? Ganhou coragem, rodou a chave e entreabriu a porta. Artur estava ali, parado no patamar. O cabelo molhado e os ombros encharcados começavam a deixar marcas escuras no casaco. O rosto estava pálido e, nos olhos, havia um brilho inquietante, como nunca lhe tinha visto antes. Sentiu um calafrio. Interrogou-se se teria feito bem em abrir.
Entra, disse, recuando, tentando disfarçar o incómodo. Fechar-lhe a porta na cara era impensável. Estás todo molhado.
Artur entrou sem sequer tirar os sapatos. Não reparou nas manchas húmidas que começavam a sujar o chão flutuante, perdido em pensamentos. Andreia observava-o em silêncio, sentindo o peito a apertar-se.
Andreia, virou-se para ela, apertando as luvas com força. Não aguento mais! Amo-te!
Ela ficou estática, sem acreditar no que ouvia.
Artur, tu tentou responder, mas a voz falhou-lhe e o resto perdeu-se no ar.
Ele não esperou que ela continuasse. Deu um passo em frente, com a pressa de quem tem medo de perder a última oportunidade.
Eu sei que vais casar, sei que isto é uma loucura! Mas não consigo continuar a calar-me. Tentei afastar-me, tentei erguer outra vida, mas não resulta. O tom era baixo, mas determinado, cada palavra saída à força. Devia ter-te dito isto antes. Com a Joana… só comecei a sair com ela por tua causa. Para estar perto de ti, ver-te. Nunca gostei dela. Nunca!
O frio invadiu o corpo de Andreia. Como? Aquele homem tinha-se aproximado da sua amiga apenas para lhe chegar mais perto? E a Joana, tão entregada…
Largou a manta nas costas da cadeira, como se aquele simples ato pudesse devolvê-la à realidade. O ar tornara-se espesso, difícil de respirar.
Artur tentou recomeçar, pensando nas palavras. Percebes o que estás a dizer? Tenho noivo, amo-o. Vamos casar, estamos a planear tudo juntos E a Joana?
Ele acenou, mirada carregada de dor e de um alívio estranho. Como se tivesse finalmente largado um peso antigo.
Eu sei, mas já não consigo calar. Daqui a umas semanas já não poderei fazer nada. Não é o tempo ou o lugar, mas se não dissesse, passaria o resto da vida a arrepender-me. A Joana para mim não conta, nunca contou!
Andreia sentiu-se nauseada. Como podia dizer aquilo da amiga? O seu tom saiu distante, quase estranho:
Como tens coragem de falar assim?
É a verdade! Artur persistiu. A Joana foi só uma desculpa. Quis mostrar-te que sou atento, generoso, único. Quis que visses que devíamos ficar juntos. Agora tenho a certeza: sem ti não sou nada.
De repente ajoelhou-se, tirando de um bolso um pequeno anel. Brilhou à meia-luz da sala, discreto mas bonito.
Larga tudo! Deixa o teu noivo, vem comigo. Eu faço-te feliz, prometo.
Andreia fitou-o, mergulhada num turbilhão de recordações: Artur a rir com Joana numa festa, a segurá-la pela mão, a olhar com ternura um cenário que sempre a reconfortou, achando que Joana tinha, finalmente, encontrado paz. Teria sido tudo fingido? De repente, tudo se desfez.
Levanta-te, sussurrou. Por favor.
Artur obedeceu, mas com o olhar preso nela, uma réstia de esperança.
Não confias em mim?
Confio, respondeu, firme que dizes a verdade. Mas isso não muda nada.
Deu um passo atrás, precisava do espaço para reorganizar pensamentos. Falar claro era imprescindível.
Foste meu amigo, Artur. Mas eu amo outro. O meu destino está traçado ao lado do Rui. Não posso dar-te o que pedes.
Ele baixou os olhos, apertando o anel nas mãos.
E se eu tivesse dito antes? Antes de o conheceres?
Andreia pensou um instante, depois sorriu triste:
A resposta seria igual. Sempre te vi como amigo. És boa pessoa mas nunca considerei mais do que isso.
Artur avançou, tentando encurtar a distância. Notava-se um desespero nos gestos medo de perder de vez.
Porquê? Achei que sentias o mesmo! Vi os teus olhares sei que havia algo entre nós.
Andreia desviou-se discretamente na direção da porta. Aquele olhar inquieto deixava-a desconfortável, calculando o que faria se ele perdesse o controlo. Talvez se o empurrasse caísse no sofá, dando-lhe tempo para fugir…
Entre nós não há nada, Artur, esforçou-se por manter o tom neutro. O que tu sentes não é amor, é fixação. Fantasiaste comigo, viste-me como uma ideia, não como pessoa. Vamos acabar esta conversa.
Artur cerrou os punhos, não por fúria, mas por impotência.
Enganas-te, insistiu, enfrentando-a. Nunca senti isto por ninguém. Isto é amor!
Andreia mordeu o lábio, controlando-se para não reagir mal. Não podia simplesmente gritar, mas ficar a ouvir também era impossível, principalmente por causa da Joana.
E a Joana? perguntou, tentando encontrar remorso nos seus olhos. Imagina a dor que lhe provocaste? Usaste-a, agora vens cá exigir que eu largue tudo por ti?
Sei que errei, reconheceu, baixo. Se voltasse atrás, faria o mesmo. Não me arrependo do que fiz para te ter por perto.
Não se constrói felicidade à custa da desgraça dos outros, abanou a cabeça, lançando um olhar furtivo ao telemóvel. Queria chegar a ele E não se ama quem se idealiza sem sequer conhecer de verdade.
Esperou alguns segundos, depois concluiu:
Tens de ser sincero com a Joana. Fala com ela. E pede-lhe desculpa.
Artur ficou imóvel. Os dedos tremiam.
Porquê? Ela não significa nada para mim, só me irrita! Só tu és diferente.
Fixou-a com olhos tão tristes que Andreia sentiu pena, mas travou-se. Ceder seria erro. Não queria dar sinais errados.
Comigo não tens futuro. Como com a Joana. Pensa duas vezes antes de insistires.
Durante alguns segundos, ele limitou-se a olhá-la. Por fim, declarou:
Vou embora, mas não vou desistir! Hei de esperar até perceberes que somos um do outro.
Não esperes, disse Andreia, cansada. Vive a tua vida, encontra alguém real, não uma fantasia. Agora, sai.
Artur encaminhou-se devagar para a porta. Cada passo parecia custar-lhe imenso. Antes de sair, virou-se.
Obrigado pela franqueza. Mas, mesmo assim, não digo adeus.
Saiu, puxando a porta com calma. Andreia ficou sozinha a olhar o silêncio, a tensão, finalmente, cedendo devagar. Aproximou-se da janela. Lá fora o bairro de Alfama brilhava sob a chuva miudinha e as luzes amarelas da rua. Viu Artur a afastar-se, os ombros caídos, cada passada mais lenta.
Andreia acompanhou-o com o olhar até sumir-se. O que ele poderia dizer à Joana? E se inventasse, só para a manter por perto? Resolveu agir logo. Pegou no telemóvel, encontrou o contacto da Joana e ligou. O coração batia acelerado, mas quando falou saiu-lhe firme e natural:
Joana, olá. Temos de conversar. É sério.
No outro lado, ouviu-se o som de papéis. E a voz da amiga, preocupada:
Que se passa? Pareces nervosa.
Andreia inspirou, recolhendo coragem.
O Artur esteve aqui, começou, escolhendo as palavras para não ferir mais do que o inevitável. Disse que só saiu contigo por minha causa. Que nunca te amou, que quis simplesmente aproximar-se de mim.
Houve um silêncio longo do outro lado. Imaginava a amiga, sentada no sofá, a tentar digerir as notícias. Quando Joana finalmente respondeu, a voz perdeu a firmeza.
Como assim? Isso é verdade mesmo?…
Não queria que te magoasses, mas não podia mentir Andreia quase gaguejou. Disse que só me quer a mim e que eu largasse tudo por ele. Joana, ele não está bem…
Mais silêncio. Ouviu um suspiro fundo, o esforço para se recompor.
Entendi Joana acabou por dizer, contida. E agora?
Não sei, admitiu Andreia sinceramente. Provavelmente vai procurar-te, mas não sei o que te irá contar. Estás sozinha em casa? O comportamento dele preocupa-me.
Joana hesitou, respondeu baixo:
Fica descansada, eu trato de mim. Obrigada por me teres dito.
Desculpa teres de saber assim, murmurou Andreia.
Antes a verdade, afirmou Joana, mais nítida, do que viver iludida.
Despediu-se. Andreia pousou o telemóvel, encostando a testa ao vidro frio enquanto via a noite lisboeta a cerrar pela janela. Sabia que duas pessoas, nalgum ponto da cidade, teriam agora de lidar com sentimentos difíceis. Mas, mais verdade do que mentira, é sempre melhor por muito que custe.
***********
Joana, por sua vez, ficou sentada à mesa da cozinha. As palavras da amiga ecoavam no seu pensamento, misturadas com recordações demasiado recentes: o primeiro jantar, as atenções de Artur, as piadas. Recordou o tom doce com que ele dizia gosto de ti, com um brilho reservado no olhar, e agora tudo lhe parecia cenográfico.
“Ele nunca me amou”, repetia, e esse pensamento, embora não ferisse, destruía qualquer certeza construída até ali.
Pegou numa chávena de chá, já fria. O silêncio era só interrompido pelo tic-tac do relógio de parede.
Teve de se concentrar para decidir o passo seguinte. Ligar a Artur? Esperar? Pedir à amiga para aparecer? Nenhuma opção parecia certa. O mais urgente era tempo só tempo para absorver e reorganizar tudo.
O toque de campainha apanhou-a de surpresa, mesmo quando já despejava água quente para novo chá. Espreitou: era Artur. A hesitação foi longa. Abriu. Do outro lado, Artur, encharcado, olhos encarnados do frio ou das emoções. Não pediu licença, entrou e disse:
Joana Preciso de falar contigo. Nunca te amei…
A Andreia já me contou, Joana cortou, esforçando-se por manter o tom firme. Saber pela boca dele doía ainda mais.
Artur ficou calado. Suspirou, olhando para o chão.
Queria eu ser o primeiro a contar-te pensava que conseguiria explicar-te tudo.
Joana cruzou os braços, à defesa.
Para quê vires aqui? Para me humilhares outra vez? Para eu perceber que só servi para te chegares a outra?
Não, avançou ele, travado pela distância dela. Vim apenas pedir desculpa. Por mentir, por não ser franco, por te usar.
Fez uma pausa, procurando as palavras menos violentas.
Não espero que entendas ou perdoes, mas precisava pedir desculpa cara a cara. Sinto muito.
Ela limitou-se a olhar, tentando decifrar o que sentia: raiva, desprezo Sentia acima de tudo alívio. O capítulo estava encerrado.
Podias ter dito, respondeu, baixa. Podias ter sido honesto. Mas o que fizeste foi ir atrás da Andreia, esperando que ela largasse tudo. Agora desculpas-te?
É verdade ele encolheu os ombros. Senti que ia perder tudo. Nem pensei nas consequências.
Pegou numa caixinha, o anel, e estendeu-lha, mãos a tremer.
Fica com ele. Não faz sentido guardá-lo.
Joana olhou para o anel. Tão bonito, mas vazio de significado.
Guarda-o para ti, respondeu-lhe seca. Não me serve de nada.
Ele fechou a caixa, nítida a derrota no rosto.
Joana, só quero recomeçar, desta vez sem mentiras.
Ela abanou a cabeça, decidida.
Só se recomeça com alguém em quem se confia. E isso acabou. Preciso de distância, de tempo. Não volto atrás.
Ele acenou. Aproximou-se da porta. Antes de sair, murmurou:
Quando quiseres conversar
Não quero, ripostou, decidida. Não quero.
Não acabaram de falar quando a campainha caiu outra vez. Estranhou. Espiou: era o Rui, futuro marido de Andreia. Alto, ar grave, postura calma mas tensa. Entrou apenas dizendo:
Posso?
Joana fez sinal para entrar, reparando em Artur que se encolhia.
Sei o que se passou, falou o Rui, encarando Artur. Sei do que fizeste.
Artur ensaiou uma justificação, mas o Rui cortou:
Chega! Nada do que digas vai limpar o que fizeste a duas pessoas.
Deu um passo, encostando Artur à parede.
Joana, isto não é para ti, avisou, sem olhar para a rapariga. Ele agora presta contas.
Joana ficou paralisada, sem saber se intervinha. O Artur encostou-se mais à parede. A voz de Rui era gélida, determinada.
Achaste que pedindo desculpa resolvias tudo? acusou. Iludiste duas pessoas. Agora sais da vida delas de uma vez.
Num golpe seco, e antes que Joana ou Artur reagissem, Rui acertou-lhe um soco. Artur caiu, mãos no rosto, sentindo o sangue quente. Rui avisou:
É só o começo. Voltas a tentar falar com qualquer uma delas, corres pior. É claro?
Artur não respondeu. Retomou a compostura o melhor que pôde, limpou a boca, fitou Joana uma última vez na esperança de compaixão sem sucesso , e saiu, sem protestar nem uma palavra, porta fechada com suavidade.
Rui olhou para Joana, suavizando um pouco:
Desculpa, não sou apologista da violência, mas há quem só entenda assim.
Ela assentiu, compreendendo o instinto protetor.
Não precisavas… mas obrigada. Sei que defendeste o que era certo.
És forte, vais ultrapassar isto. garantiu Rui.
Joana sorriu com esforço. Era verdade, precisava apenas de tempo.
Obrigada, também por protegeres a Andreia.
Ela estava preocupada contigo, concluiu Rui, queria vir, mas achei melhor tratar disto eu.
Tenho sorte pela vossa amizade, suspirou Joana, algo reconfortada.
Ficaram ambos em silêncio, ouvindo a persistência da chuva lá fora. Embora a dor persistisse, sentiu um estranho alívio: dali em diante, a sua vida pertencer-lhe-ia de novo.
Mal Rui saiu, Joana sentou-se no sofá, olhando o vazio.
Acabou, pensou. E essa certeza soava menos dura do que esperava. Sabia que dali só podia sair mais forte, pronta para começar de novo, e, um dia, voltar a confiar.
*************
Artur desceu a rua junto ao Miradouro de Santa Catarina, absorvido pelo som do cascalho debaixo dos seus pés. Chovia mais, mas mal dava por isso. A ferida da cara ardia, mas nada comparado à ferida de dentro. Perdera ambas. Joana para sempre, e Andreia antes ainda, quando preferiu a ilusão à transparência. Só havia de pagar pela solidão, pelo erro.
No dia seguinte apresentou-se no escritório, em Santa Apolónia, com o olho negro e o lábio inchado sob o casaco castanho. Ninguém perguntou nada. Uma semana depois formalizou o pedido de transferência para Porto. O chefe assinou, surpreso, mas sem questões.
Uns dias antes da partida, foi devolver o anel à loja no Chiado. Recebeu, em troca, 370 euros. Depositou-os na conta de Joana, incluindo uma mensagem curta: Desculpa. Isto é teu. Sem desculpas extensas.
À saída de casa com as malas, estacou debaixo de uma ameixeira no pátio. O ruído da chuva sobre as telhas disfarçava o peso do momento. Olhou o céu, inspirou fundo o ar frio.
Fiz asneira, admitiu baixo, aceitando finalmente o passado.
O táxi chegou. Último olhar ao prédio onde tinha sido (ou pensou ser) feliz na Mouraria. Entrou no carro.
O carro arrancou. Lisboa desaparecia atrás das gotas, pronta a apagar as cicatrizes de quem por cá passou. O futuro era incerto, mas sabia que teria de aprender a ser inteiro sem mentiras.
Naquela mesma tarde, Joana encontrava-se com Andreia e Rui num café da Baixa. À mesa, três canecas de chocolate quente. Conversa tranquila, sem urgências: discutiam sonhos, planos, organizavam detalhes das bodas na Sé e dos novos projetos de trabalho. Andreia sorria corada ao falar do Rui. Joana escutava, sentindo a esperança de que, afinal, talvez a felicidade estivesse reservada para si bastaria não desistir.
Rui, ainda sério, era delicado. Limitava-se a comentários breves, deixando a conversa fluir.
Sabes, disse Joana, virada para a janela onde a chuva escorria devagar, já não estou zangada com o Artur. Só lamento que tudo tenha terminado assim.
A voz era neutra, apenas factual. Não havia disfarce.
Andreia tocou-lhe no braço, sorrindo.
Não tens de lamentar. Mereces tudo o que é genuíno. Não mentiras, nem jogos.
Joana acenou, agora com um sorriso sentido.
Sim. E eu vou encontrar isso.
O tom era simples e certo. E, pela primeira vez, acreditou verdadeiramente naquilo.
Lá fora, Lisboa continuava protegida pela chuva serena de dezembro. Como se a cidade apagasse suavemente as dores, abrindo espaço a novas histórias e a começos mais honestos.
***
Termino este relato sabendo por experiência amarga que a verdade chega sempre, quer gostemos ou não. Por vezes, há que perder para compreender que não somos donos dos sonhos dos outros. Ninguém pode construir felicidade à custa de ilusão alheia. Hoje sei: vale mais a mágoa momentânea da verdade do que o conforto traiçoeiro da mentira. No final, a vida só faz sentido com honestidade e coragem para seguir em frente.







