Carta Escrita por Mim Mesmo

Carta para mim mesma

O envelope era laranja. De um laranja desavergonhado e brilhante, quase um escândalo no meio de correio e contas da EDP e um panfleto da pizzaria do bairro. E lá estava ele, repousando no fundo da caixa do correio como uma tangerina perdida num dia cinzento de janeiro. Mafalda tirou-o por último, depois de já ter resmungado com o aumento da água em Lisboa.

Na frente, a sua própria letra, aquela caligrafia que nunca enganava. O seu nome e o seu endereço: Mafalda Teresa Silva.

Virou o envelope. O remetente também ela própria. Mesmo endereço, mesmo nome.

Por uns segundos, ficou parada no átrio do prédio, ainda com o saco do Pingo Doce pendurado da mão esquerda, sem entender. Qual seria a piada? Confirmou o t com travessão longo, o f feito em laçada. Só ela escrevia assim desde a preparatória, quando a professora de português, Dona Deolinda, lhe anunciou: Silva, a tua caligrafia é de adulta. E olha que é elogio!

E desde aí nunca mudou. Passaram-se vinte e cinco anos o mesmo t, o mesmo f.

Subiu até ao oitavo andar, abriu a porta, largou o saco na bancada da cozinha. E o envelope ali, mesmo ao lado.

O apartamento era pequeno, mas já lhe era afeto. Um T1 em Benfica, janelas para poente. O hall mal tinha espaço para um casaco e dois pares de sapatos, e um espelho velho onde todas as manhãs se espreitava e pensava: Ora, não está mal. Dá para funcionar. Nem bonita, nem descansada funcional. Chega.

À noite, o sol inundava a sala de luz laranja, mel quente a escorrer pelas prateleiras dos livros, a chávena Best Mom esquecida desde manhã, e a foto da mãe emoldurada à prova do tempo.

Mafalda sentou-se à mesa, deu dois nós nos ombros, que tinham esta mania de ficarem junto das orelhas. Aprendeu com as reuniões intermináveis e telefonemas de chefes ansiosos; corpo sempre pronto para o pior, antes mesmo dela.

O envelope queimava-lhe a vista.

Laranja. Papel grosso. Sem uma dobra. Quem quer que fosse, trouxe-o com tanto carinho como se fosse um bolo-rei em dezembro.

Passou o dedo sobre o nome e percebeu: não era piada. Ninguém lhe podia imitar a letra, nem ela própria se tentasse disfarçar.

Rasgou com cuidado. Lá dentro, uma folha branca dobrada, do mais simples que há, e qualquer coisa mais lisa, brilhante.

Desdobrou o papel e leu:

Olá. És tu. Tu, de março de 2025. Agora tens trinta e sete, sentada na cozinha às duas da manhã, a sentir-te uma desgraçada. Estás há quatro noites sem dormir. Achas que não aguentas nem o trabalho, nem a cidade, nem tu própria.

Escrevo-te porque alguém tem de o fazer. Amanhã a amiga liga, depois de amanhã a mãe. Mas agora são duas da manhã e não há ninguém. Só tu.

Disseste para te lembrar disto: já passaste por pior. Vais aguentar outra vez.

Ama-te. Mereço, mereces, mereceste sempre.

Se estás a ler isto, passou um ano. Sobreviveste. Por isso escrevi.

Mafalda baixou o papel.

Havia um nó na garganta, mas não era choro era reconhecimento. Aquela era ela: a frase com vírgula fora do sítio, a mania de começar as frases com então, tudo.

Mas não se lembrava.

Nem do envelope, nem da carta, nem da fotografia que de repente viu na mesa, caída do envelope, reluzente.

Uma mulher na foto. Cara cinzenta, olheiras que davam a volta, lábios secos, cabelo numa bola torta junto à orelha. Camisola de lã já sem cotovelos, aquela que despachou para o Banco Alimentar no último verão.

Conhecia o casaco, o penteado, o humor cinzento. Era ela. De março. Do ano passado.

Embaixo, a caneta fininha: “Ficaste mais forte. Olha bem para mim e vais lembrar-te de onde vieste”.

Mafalda pôs a foto ao lado da carta. O pôr do sol bateu-lhe na cara e, por um segundo, o cinzento aqueceu, mas não sorriu.

E então, como numa faísca, lembrou-se.

***

Março de 2025. Duas da manhã. Cozinha igual, mesa igual, diferente só o portátil aceso, a emitir luz azul tóxica.

Mafalda ali, de pijama de algodão, pés frios, a passar páginas. Não era Facebook, nem SIC Notícias, não era nada concreto. Procurava qualquer coisa indefinida. Talvez um sinal. Talvez só coragem de sair da cama de manhã.

Nesse março deixou-se três dias de molho, sem se erguer. Nem preguiça era. Era coisa pesada, tipo manta molhada que lhe tapava o peito.

O divórcio já tinha sido há três anos. O Miguel fora-se em 2023 para a colega do segundo, a Tatiana dos Recursos Humanos, mulher que ria de tudo e não complicava nada. Mafalda não chorou. Juntou a tralha dele em duas malas junto da porta. Disse-lhe: Faz favor. E ele fez.

Depois trabalhou como uma mula durante ano e meio: sem fins de semana, sem férias. Compradora numa empresa de materiais de construção civil, MaterMais horas ao telefone, folhas de Excel a rebentar, reuniões onde o chefe, Sr. Loureiro, resmungava: O mercado está mau. Temos de cortar. Quem não aguenta, que vá.

E a Mafalda a aguentar. Sem queixas.

No outono de 2024, o corpo disse basta. Primeiro foi o sono, depois o apetite, por fim, a vontade de ver Lisboa sequer pela janela. Chegou a janeiro, só adormecia com a TV a fazer barulho, comia uma vez por dia, falava quase só com a mãe e, mesmo assim, já só por obrigação.

A mãe, Dona Celeste, conhecia-a demasiado bem. Ligava todos os dias (dois toques, mínima). “Mafaldita, já almoçaste?” E ela: “Já, mãe. Sopa.” (Claro que não fazia sopa desde outubro).

Dessa noite, digitou no Google: Carta para mim própria no futuro. Porquê? Nem ela sabia. Apareceu-lhe logo um site Cápsula do Tempo, podia-se escrever, definir data de envio um mês, dez anos , pagava-se uns quinze euros. Era carta de verdade, envelope real, selo da República Portuguesa.

Mafalda escolheu envelope laranja. Chega deste cinza no mundo. Escreveu à mão, tirou foto, fez upload. Tirou também um selfie ali mesmo pijama, pc, luz de madrugada. Tudo anexado. Pagou. Escolheu: doze meses.

Fechou o portátil. Foi dormir. Nunca mais pensou nisso.

A vida, felizmente, mexeu-se. Devagar, aos arrastos. Mas mexeu.

Em abril, foi à psicóloga. Primeira vez. Escritório minúsculo em Alvalade, doutora Teresa com cabelo rapado e óculos de massa, cinquenta minutos semanais pagos a muito custo. Na terceira sessão chorou meia hora como se fosse campeonato. À sexta, riu de novo.

Em junho, promoção. Compradora sénior. O Loureiro lá do escritório até comentou: Silva, não se queixa nem resmunga, eu vejo. Ela fez ar de quem não quer saber, mas os ombros quase saíram-lhe pela testa. Medo e orgulho combinados.

Chegou o outono, voltou à sopa caseira. Voltou ao Jardim da Estrela aos domingos, livro num bolso, termómetro de chá noutro. Já telefonava à mãe de livre vontade, sem esperar o toque ansioso.

Esqueceu a carta. De todo. Como se esquece do número do contribuinte do detestável senhorio está por aí, mas não chateia.

Até hoje.

Ali estava Mafalda, com a carta numa mão, foto na outra, a olhar para a mulher que ela já não era. Cinzenta, cansada, suéter com cotovelos tão esticados que até o Alfredo, o gato do vizinho, se riria.

E, claro, aquela voz cá dentro começou: E então? Continuas mal. Nada mudou.

***

Aquela voz era antiga. Talvez desde o divórcio, talvez antes. Não gritava, não insultava. Era serena, cínica, paternalista. Por isso doía mais.

“Foi acaso, esse aumento. O Loureiro não tinha mais ninguém disponível.”

“Acham que desenrascas? Olha para ti. Ombros ao pescoço, quatro horas de sono, pequeno-almoço de ansiedade com café.”

“Vão-te despedir também. Abril, maio… é só esperar.”

E Mafalda escutava. Não porque acreditasse, mas porque não sabia calar aquela voz. Era como um sotaque antigo ou uma receita, misturava-se com o resto de si, e nem se dava conta.

Na manhã seguinte 19 de março acordou às seis. Duche, café, rímel. O habitual.

No escritório da MaterMais na Avenida de Ceuta, sexto piso, trinta secretárias a céu aberto, a tensão cortava-se às fatias. Em fevereiro tinham anunciado cortes. Da logística já tinham ido cinco. Quem restava? Esperava.

Às onze houve reunião. O Loureiro entrou baixo, careca, óculos a escorregar pelo nariz, a fazer clique com a tampa da BIC. Olhou à volta: dezoito pessoas.

Rápido, que eu não vim cá para discursos, disse ele. A Mariana do projeto vai embora. A bem, oficialmente. Todos sabem porquê.

A Mariana, ainda não tinha 30, trazia folhados da avó e deixava sempre um post-it na copa: Tratem-se, são de carne! Nos jantares, confessou à Mafalda: Morro de medo de ser despedida. Como é que faço com a renda? E a Matilde, a minha gata?

Em abril, mais cortes, disse Loureiro, nervosíssimo a massacrar a caneta. Quem fica logo se vê.

Mafalda ficou tipo robô: costas direitas, ombros duros, dedos entrelaçados. E a voz: Estás a ver? Daqui a quatro semanas é a tua vez.

Depois da reunião, encostou-se à parede junto ao bebedouro. Fechou os olhos.

Dois pensamentos em duelo. Um, mansinho: Já passaste por pior. Vais passar outra vez., da carta laranja. O outro, irónico: Coincidência. Papelucho comprado por quinze euros e selfie de pijama. Não te iludas.

Abriu os olhos. Água. Respira.

E voltou ao Excel, à vida de sempre. Trabalhar, ela sabia.

Às sete, sozinha na cozinha, a comer arroz de tomate e hambúrguer de peru, recebeu chamada da mãe.

Mafaldita, estás boa? voz rouca da Celeste, meio gripada desde janeiro.
Estou, mãe. Trabalhei muito hoje.
Já comeste?
Estou a comer.
Boa menina.

Pausa silenciosa. Mafalda sabia ler o silêncio dela. Celeste, bibliotecária quarenta anos, entende mais do que as palavras dizem.

Ficas com voz presa arriscou a mãe.
Só cansada, mãe.
Disseste o mesmo há um ano. Três dias enfiada em casa sem me avisar recordou ela.

Mafalda fecha os olhos e sorri, sem vontade.

A sério, mãe. Só trabalho.
Olha, se precisares, vou aí ao fim de semana. Levo sopa, sem caldos Knorr!

Pela primeira vez no dia, Mafalda sorriu.
Obrigada, mãe, mas não é preciso.

Mais dez minutos de trivialidades tensão da mãe, a vizinha, dona Palmira, que resgatou um cão e agora já nem salta portões, e a primavera a despontar no Seixal, com violetas a rebentar na varanda (mandou foto pelo WhatsApp: Vê, enquanto te enfias nesse cubículo de Lisboa!). Por uns instantes, tudo pareceu menos cinza.

Dona Celeste nunca fez pressões. Nem netos, nem casamentos, nada. Aprendida nos livros: silêncio vale ouro. Disponível, sem perguntar.

Mafalda desligou. Arrumou a loiça. Reviu o envelope ao pé do pão duro.

“Ficaste mais forte. Olha bem para mim e vais lembrar-te de onde vieste.”

A foto na mão. A mulher mirava a lente como quem pede socorro e hesita.

Nove em ponto, telefonema da Susana.

Susana, amiga do liceu, voz grave, sempre parecia a tropeçar em gargalhadas mesmo zangada.

Mafalda, conta-me tudo.
O quê, Suz?
Tudo! A Rita do teu departamento já andou a lançar o pânico no nosso grupo da turma.
Pois, mais uma foi hoje. E o chefe disse que abril é baile de despedimentos.
E tu?
Até agora nada. Mas até agora é sempre pouco.

Mafaldita, lembras-te de me ligares às três da manhã há um ano? A jurares que era o fim, que não passavas de março sequer?
Lembro, admitiu, lembrança turva como água com detergente.
Pois é. Mas aqui estás. Foste promovida, sopas no congelador, aturas-me ao telefone. Isso não é o fim. Isso é a vida, pá!

Silêncio.
Mafalda, ouves-me?
Ouço.
Então para de te enterrar.

Susana continuou o monólogo, entre clientes que mudam tudo e o gato Camões que destruiu a cortina, e a marcar vinho para sábado.

Mafalda escutava e pensava: Susana repete o conselho da carta, quase palavra por palavra. Como se uma coligação de futuro, passado, amigas e mães conspirasse para lhe dizer Aguenta, mas pára de te julgar tanto.

Desligou. Dez da noite.

O silêncio não era agora atroz, era só silêncio. O frigorífico ronronava, ouviu um autocarro, lá em baixo alguém ria normal.

Na casa de banho, frente ao espelho.

O seu rosto. Trinta e oito anos, cabelo castanho-escuro até aos ombros, pele normal, corada do chá. Olheiras leves, não abismais como na foto. Só de quem acordou cedo.

Voltou à cozinha. Trouxe a foto. Pousou junto ao espelho.

Dois rostos.

Um, refletido, vivo. Outro, impressa, apagada.

Um ano de diferença.

A voz quis começar o repertório: São tretas. Daqui a um mês voltas ao mesmo. O ritmo vai rebentar contigo.

Desta vez Mafalda interrompeu, em voz alta, surpreendendo-se.

Não.

Disse ao espelho. A mulher refletida parecia espantada pela firmeza.

Não. Eu não sou igual. Olha: era assim. Agora sou assim.

A voz calou-se.

Ali ficou, de pijama barato, foto na mão e pela primeira vez em um ano viu-se com calma. Sem exigir, sem medir a performance, sem prever sempre o pior.

Só olhou.

E viu. Não heroína, não mulher maravilha, não modelo de revista, mas real, viva. Com olheiras, cabelos rebeldes, mãos que assinaram trezentos contratos num ano. Ombros ainda tensos mas de pé.

***

E naquela noite, insónias. Não por ansiedade. Por pensamentos.

Lembrou-se do cheiro do primeiro café depois da crise, daquele domingo no Jardim da Estrela com um livro que nem leu. Da gargalhada desmanchada com a psicóloga ao perceber quantas desculpas arranjava para não dizer simplesmente preciso de ajuda.

Miudezas, mas o ano inteiro foi feito delas.

A voz ainda quis argumentar: Toda a gente passa por isto, não és especial, deixa-te de dramatismos.

E Mafalda pensou: e se for mentira? Não por maldade, mas por hábito. Como quem nunca viu o sol e jura que não existe.

Levantou-se, foi buscar o envelope. Pegou numa caneta azul, daquelas que não falham um recibo.

E começou.

Olá. És tu. Março de 2026. Tens trinta e oito. O trabalho anda um bicho, a vida, uma confusão, mas cá estás tu.

Há um ano escrevi-te. Escrevi do fundo do poço. Não via as paredes, parecia tudo interminável, impossível.

Hoje chegou a tua carta. Sabes que não me reconheci na foto? Demorei três segundos a perceber que aquela mulher pálida era eu.

Três segundos, um ano inteiro.

Agora escrevo-te não da dor, mas do calor. Porque lês isto, é sinal que aguentaste mais um ano.

Ama-te. Sempre mereceste.

Mafalda, março de 2026.

P.S. Se os ombros subiram, baixa-os. Agora. Força.

Dobrou o papel em quatro. Enfiou no envelope laranja, o mesmo que tirara da caixa do correio. Escreveu o seu endereço.

Ligou o portátil, acedeu ao site da Cápsula do Tempo, agendou para março de 2027, fez upload da carta e tirou um novo selfie. Lá estava um rosto normal, cansado, mas desperto. Boca, sem sorriso, mas serena.

Upload. Pagamento. Fechou o portátil.

À janela, Lisboa brilhava lá em baixo; os candeeiros, vidrinhos de carros, quadradinhos de luz nos outros apartamentos, tudo sossegado. Março, sete graus, cheirinho a terra molhada.

Descalça, sentiu os ombros e sem dar conta, estavam relaxados.

A voz quis sussurrar qualquer coisa, argumento para lhe dar cabo da cabeça.

Mafalda nem ouviu.

Olhava a cidade, pensava na mulher que receberá o envelope dentro de um ano. Mais velha, talvez com outro emprego, talvez o mesmo, talvez outro bairro, ou talvez não. É irrelevante.

Importa que, dentro do envelope, estará uma foto. E uma frase: Olha para mim. E lembra-te de onde vieste.

E aquela mulher do futuro, mais forte de doze meses, vai olhar. E ver.

Mafalda sorriu. Apagou a luz. Foi dormir.

E lá fora, noite de março, cheirando a promessas de chuva e dias mais longos.

Em casa, paz.

Na mesa, o envelope laranja com nova carta.

***

De manhã, acordou antes do despertador. Luz clara do nascente, prata, diferente do costume laranja dos fins de tarde. Era nova.

Levantou-se, pôs água para o chá.

O envelope ali na mesa. A foto do ano passado, a carta. Nem reviu nada. Pôs um ao lado do outro, direitinho, como quem quer guardar algo importante.

Do armário tirou uma moldura esquecida, dez por quinze, comprada para uma qualquer viagem inesperada. Voltou a encaixar a foto do passado, pousou-a junto aos livros.

Cara cinzenta, olheiras, cabelo torto, camisola já aposentada.

Não para lembrar a dor. Para não esquecer o caminho.

O fervedor estalou. Enquanto segurava a chávena de ambos os lados, viu o seu reflexo na janela: roupão de algodão, cabelo despenteado, chá nas mãos quentes.

A voz, finalmente calada.

Acabou o chá. Vestiu-se. Pegou na mala. Saiu para o mundo.

Antes de fechar, inspeccionou os ombros calmos, ali tão bem.

Fechou a porta.

E na mesa, envelope pronto a enviar. Dentro de um ano, volta a chegar. Outra Mafalda que o leia, talvez se espante por tanto ter mudado.

Ou quase nada.

A letra. O t de travessão, o f em laçada. Desde sempre.

E lá dentro, a mesma frase: Já passaste por pior vais passar de novo.

Desta vez, escrita à luz.

Não à sombra.

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