A Nora Difícil de Aturar

Ninguém falava baixo lá em casa quando se tratava das festas da Dona Amélia. Como eu me recordo faz tanto tempo já as vozes dela ecoavam pela cozinha, sempre com aquela rigidez de quem está a comandar um batalhão.

Leonor, chegaste a ler a lista? Dei-te tudo escrito, está lá bem claro, a voz da minha sogra, Dona Amélia Carvalho, vinha da sala, cortante, como o inverno no Porto. Pezinhos de coentrada com carne de vaca, porco e galinha. Três tipos de carne, Leonor. Não dois, nem um só. Três.

Li, Dona Amélia. Mas era mesmo sobre isso que queria falar tentei interpor-me no seu rito. O aniversário é já para a semana e pensei…

Pensaste, repetiu ela, fazendo o verbo pesar no ar, como se fosse falha minha sequer pensar. Eu digo-te o que é. Pezinhos de coentrada com três carnes, pastéis de bacalhau, rissóis de camarão e de carne, bacalhau à Gomes de Sá, salada russa, salada de polvo, ovos verdes, panquecas com doce de abóbora, pato assado com laranja, batatas à murro, arroz doce, bolo de bolacha e pão-de-ló. Isto é o mínimo, Leonor. Mínimo. Vão aparecer quarenta convidados.

Eu segurava o telefone e olhava pela janela. Lá fora, caía aquela chuva fria e teimosa de novembro, como se as próprias nuvens não soubessem para onde ir tal como eu naquele momento.

Percebi, Dona Amélia. Depois volto a ligar.

Não demores. Sábado está mesmo ao virar da esquina.

Deixei o telefone sobre a mesa. O papel quadriculado, com a letra exigente da minha sogra e o seu mapa de instruções culinárias, ficou ali, guardado sob o saleiro: quatorze pratos, todos caseiros, nada de pastelaria e melhor que da última vez.

Da última vez. O casamento da Margarida, a cunhada. Fiquei três dias sem dormir para preparar tudo. Mexi tachos até os pulsos doerem, cortei, descasquei, lavei loiça e tabuleiros até as mãos sangrarem. O Gustavo chegava, petiscava algo e ia para a sala ver o futebol, só me perguntando uma vez se precisava de ajuda. Não, consigo, respondi. Ele acenou e a vida passou sem discussão.

Na festa, Dona Amélia provou os pezinhos, chamou-me e murmurou: Puseste sal a mais. Só isso. Os convidados lambiam os beiços, elogiavam os pastéis de bacalhau, mas ela só dizia: São as nossas tradições. E nunca pronunciava o meu nome em público.

Sentada na cozinha do apartamento da Rua dos Aliados, onde já vivíamos há dezenove anos, percebi que tradição, para Dona Amélia, significava uma coisa concreta: a nora cozinha, a nora serve, a nora agradece ser convidada à mesa.

O telefone voltou a tocar. Era a Margarida.

Leonor, já falaste com a mãe? Ela diz que estavas com um ar estranho.

Estava só cansada.

Pois, o aniversário é já já aí. Eu posso ir contigo às compras na quarta-feira, carrego os sacos… fez pausa. Não, quarta não dá, tenho unhas. Quinta então?

Margarida, eu trato disso.

Está bem. Mas olha, a mãe só quer pato com laranja de Setúbal, não de outro sítio. São mais ácidas, tu sabes.

Sei.

E os pezinhos, Leonor, transparentes, não turvos como da outra vez.

Fechei os olhos. Três carnes. Laranjas de Setúbal. Dois bolos. Quarenta pessoas.

Está bem, Margarida. Ouvi tudo.

Guardei o telefone e levantei-me. Era quase hora do jantar, o Gustavo chegava sempre com fome. Se não houvesse comida, lançava-me um olhar de estranheza e dizia: Hoje não cozinhaste? Sem mágoa, apenas a incredulidade rotineira de quem estranha esperar demasiado por um autocarro.

Abri o frigorífico. Tirei frango, cebola, cenoura. Coisas que fiz quase sem pensar, por força de quase vinte anos de repetições.

Conheci o Gustavo com vinte e seis anos. Ele era expansivo, contava anedotas que faziam toda a gente rir. Dona Amélia, logo de primeira, sussurrou: Tu és tão ajuizada. Ajuizada queria dizer não contestar.

Casei-me aos vinte e oito. O primeiro ano ainda foi fácil. Depois nasceu o André. E depois ele cresceu e foi estudar para Lisboa. Sobraram o apartamento, a cozinha e o papel quadriculado.

O tacho fervia. Baixei o lume, fui ao quarto, peguei no telefone para ligar à minha mãe. O telefone tocou antes.

Era a minha mãe.

Leonor, podes vir cá hoje?

O que aconteceu?

É o teu pai, sente-se mal. Já chamaram o INEM. Estamos no hospital.

Enquanto vestia o casaco, lembrei-me do frango. Voltei, desliguei o fogão, mandei mensagem ao Gustavo: O pai está no hospital, há jantar no tacho. Peguei na mala e saí.

Na rua, a noite caía húmida sobre o Porto. Apanhei um táxi e fui a pensar nas luzes tremidas dos carros e no meu pai, João Manuel, setenta e dois anos, sempre saudável, nunca tinha dito ai. Eu sou feito de ferro, ainda vos enterro a todos, gostava de dizer. E eu queria, mesmo, que fosse verdade.

No hospital, aquela limpeza fria dos azulejos e corredores longos. A minha mãe estava lá: pequenina, de casaco ainda vestido, bolsa apertada contra o peito.

Mãe.

Virou-se: olhos secos, mas com aquele abismo que nos obriga a engolir em seco.

Dizem que a tensão subiu demais. E caiu no corredor. Saí da cozinha e estava ele no chão.

Como está agora?

Está em exames. Mandaram esperar.

Ficámos sentadas naquelas cadeiras frias, de mãos dadas. Mãos frias e pequenas, iguais às da avó. A rotina, sempre a mesma: supermercado, tachos, telefonemas sobre menus.

Ao fim de mais de uma hora, apareceu o médico, novo, óculos grandes.

Stabilizámos o estado, disse. Mas suspeitamos de AVC. Vai ficar internado para exames, pelo menos uma semana.

Ele vai ficar bem? perguntou a mãe.

Vamos observar. Ainda é cedo para dizer.

Levei a minha mãe a casa, fiz-lhe chá, sentei-me ao seu lado até ela adormecer. Fiquei na cozinha dos meus pais e o silêncio ali era como um cobertor de lã. Na janela, os gerânios de sempre, puxando flores sem pedir licença a ninguém. Outra vida, outra tranquilidade, e uma fotografia: eu, Leonor, com sete anos, de mão dada ao pai, a olhar de lado, ele a olhar para mim.

Regressei a casa depois da meia-noite.

O Gustavo não dormia, estava no telemóvel, mas deixou-o quando me ouviu.

Como está ele?

Mal. Suspeitam de AVC.

Isso é sério, disse. Jantaste ao menos?

Não.

Tens frango no tacho, aqueci para ti. Come.

Levantou-se e eu fiquei de pé, a comer silenciosamente encostada à pia não havia força para pôr mesa. Fui dormir, mas não dormi. Olhava o teto, pensava no rosto do pai, nas mãos da mãe e nos cheiros daquela cozinha.

A manhã seguinte trouxe o inevitável telefonema.

Leonor, soube que ontem saíste à pressa. O Gustavo disse que foi pelo teu pai. Mas sabes bem que o aniversário é daqui a seis dias, não é?

O meu pai está no hospital, Dona Amélia.

Ouvi dizer. Mas o hospital não fica longe e tu própria não estás de cama. Quando pensas começar a preparar as coisas?

Senti tudo dentro de mim a desacelerar, como água estagnada.

Não sei.

Como assim não sabes? vinha nela aquele espanto de quem nunca tinha ouvido um não. É o meu septuagésimo aniversário! Só se faz uma vez na vida. Entendes?

Entendo. Mas o meu pai também só se tem um.

Silêncio.

Bem, disse ela, ainda vais a tempo. Não precisas de estar no hospital sempre. Visitas e ficas livre.

Desliguei, sem vontade de discutir mais nada.

O Gustavo tomava café na cozinha.

A mãe?

Liga, pergunta sempre do mesmo.

Ele ergueu os olhos, descontraído, só preocupado com o telemóvel.

Leonor, e se fosse a tua mãe no hospital?

Como?

Nada. Só uma pergunta.

Não tem nada a ver.

Porque é a minha mãe, respondeu como se fosse razão suficiente.

Vesti-me e fui ao hospital.

O meu pai dividia a enfermaria com três outros senhores. Quando entrei, estava a dormir. A auxiliar disse que era apenas sono. Sentei-me um bom bocado, a olhar para ele: mãos grandes, gastas, que em pequena esculpiam andorinhas em madeira; estas mesmas mãos me agarraram uma vez na véspera de uma queda de bicicleta.

O pai abriu os olhos, olhou-me e sorriu, hesitante talvez não fosse um sonho.

Vieste?

Claro. Como te sentes?

A cabeça anda à roda, mas nada de especial.

Não digas isso, pai.

Vá, logo se vê.

Fiquei ali duas horas. Depois liguei à mãe a contar que já falava. Ela suspirou: Graças a Deus, mas a voz quebrou e o meu coração com ela.

Voltei a casa de autocarro, olhando o vidro embaciado e pensando: isto sim é importante. O pai está no hospital. A mãe sozinha. Não a lista de Dona Amélia. E este pensamento era tão claro, que me perguntei porque nunca havia permitido pensar assim antes.

O Gustavo veio animado, pão fresco na mão, falava do trabalho. Eu disse:

Gustavo, não vou cozinhar para o aniversário.

Ele parou a meio da cozinha.

Como?

Não vou. O pai está no hospital, preciso estar com a minha mãe. Não aguento três dias numa cozinha.

Leonor, há quarenta convidados! É o aniversário dela, toda a família vai.

Não estou a dizer para anularem. Contratem o que for preciso.

Comprar comida? A mãe só quer caseiro. Sabes disso.

Sei, respondi. Mas não vou ceder.

Ele olhou-me, confuso, como quem perde algo habitual.

Leonor, pensa bem. É uma só vez. O teu pai pode ser visitado. Cozinhar pode-se sempre.

Eu não posso.

Foi para o quarto. Pouco depois tocava o meu telemóvel.

Leonor, é verdade o que o Gustavo disse? Margarida quase soluçava. Há quarenta pessoas, sabias?

Sim, sabia.

A mãe ficou devastada!

Lamento, mas não posso.

O aniversário não se adia!

Encomendem comida, cozinhem vocês. Dou as receitas.

Não sabemos fazer igual.

Aprendem.

Desliguei. Não tremia por dentro. Estranhei. Pensei que seria assustador, mas só havia uma serenidade densa.

No dia seguinte fui ao hospital. O pai já se sentava, fazia queixas da comida. Levei-lhe canja em termos, fez-se soltar um sorriso.

Na cozinha da casa dos pais era sempre cheiro a pão e hortelã, que a mãe cultivava na varanda desde sempre. Eu deparei-me com a paz desse aroma, o meu aroma não o de uma tradição imposta.

Como te sentes? perguntou a mãe.

Aguento-me.

E o Gustavo?

O aniversário da sogra é sábado.

Vais?

Talvez. Mas cozinhar não.

Ela calou-se, depois disse: Estás bem lá, Leonor?

Porque perguntas?

Vejo que estás sempre cansada. Nem te sentas um pouco. Agora olhaste para o telefone já nem sei quantas vezes.

Foi hábito.

Ela acenou, serviu chá sem perguntas.

Na quarta-feira, ligou Dona Amélia, voz de quem guarda mágoa.

Leonor, preciso falar contigo como mulheres adultas.

Diga, Dona Amélia.

Sei do teu pai, sinto muito. Mas esperava por este aniversário há vinte anos. Não terei outro assim.

Fiquei calada.

Peço só que faças aquilo que sabes. Ninguém cozinha como tu, sabes disso. É o teu contributo para a família.

Dona Amélia disse-lhe, aprendi que o meu contributo não está nas carnes gelatinosas nem nos bolos. O meu pai está doente e preciso estar com ele.

Então vai. Vai de manhã ao hospital e ao fim do dia cozinhas. Não é impossível.

Para si, talvez. Para mim, é.

Longo silêncio.

Sempre foste complicada, desabafou, sem azedume.

Talvez.

O Gustavo está magoado.

Sei.

Diz que mudaste.

Talvez.

No dia seguinte, fiz a mala. Levei só o essencial. Deixei recado ao André: O avô está melhor, fico na casa dos avós uns dias. Está tudo bem. Recebo resposta: Mãe, ligo à noite, estás mesmo bem? Retruquei: Estou. Beijinho.

Quando o Gustavo saiu de casa para o trabalho, deixei uma nota na cozinha: Estou com os meus pais. Ligo depois. Esperei uns segundos na minha velha cozinha. Ninete anos daquela bancada, daquele cheiro a café frio.

Fechei a porta e desci. O céu do Porto estava cinza-azulado, frio, de fim de outono. Enquanto caminhava, pensei nos anos todos em que aceitei só aquilo que me davam, sem pedir mais.

A mãe abriu a porta, viu a mala e nem perguntou porquê. Só se desviou e me abraçou. Ficámos assim, senti um nó antigo a desfazer-se.

Ficas?

Uns dias, posso?

O que queres dizer com posso? Esta casa é tua.

Fiquei quatro dias. Todos os dias íamos ao hospital. O pai melhorava, resmungava das dietas, falava mais cada vez. Dormi como não dormia há anos, comia o que a mãe fazia com pouco salmastrado: arroz de tomate, borrego estufado, bolo de maçã bravo, colhida no quintal. Quando as lágrimas vieram ao provar o bolo, a mãe apenas disse:

Que foi?

Está tão bom…

Nem quis saber mais.

O Gustavo ligou uma vez na véspera da festa.

Quando voltas?

Ainda não sei.

Amanhã é o aniversário. A mãe está aflita. Margarida já anda na cozinha, tudo lhe queima.

Comprem comida feita. Já disse.

Sabes que a mãe ficou magoada.

Lamento. Mas agora estou aqui.

Longa pausa.

Mudaste, murmurou. Parecia mais constatação do que crítica.

Talvez.

No sábado, não fui.

De manhã, levei canja ao hospital. O pai agradeceu e brincou, a mãe ripostou e estavam novamente os dois naquelas picardias ternas de quem nunca deixou a cumplicidade esvair-se. Vi o que é o amor: não é o que se faz por tradição ou por aparência.

À noite, li a Margarida no telemóvel: Isto foi de uma vergonha, vieram todos e não havia comida, que escândalo. Do Gustavo só recebi: Então?

Deixei o telefone, peguei no livro.

Passaram-se dias até eu voltar ao apartamento da Rua dos Aliados. O pai já estava melhor, a mãe mais serena.

O Gustavo estava sentado, postura mudada, expressão cansada.

Falamos?

Falamos.

Foi uma conversa longa e inédita. Pela primeira vez em anos, falámos a sério sobre tudo. Expliquei-lhe que estava exausta, que me sentia apenas numa função, encaixada e previsível. E ele escutou. Tentou justificar, que nunca foi por mal, que a mãe era assim. Não contrariei, só descrevi como me sentia.

Queres separar-te? perguntou, e foi direto como nunca.

Demorei a responder.

Quero viver diferente. Ainda não sei que nome tem isso.

Ele levantou-se, foi buscar água.

Vou avisar o André.

Está bem.

O André apareceu duas semanas depois, sem aviso, mala às costas e aquela seriedade dos momentos difíceis.

Como estás, mãe?

Bem, André.

O pai disse que estava tudo na corda bamba.

Está tudo honesto, corrigi. É palavra diferente.

Ficou três dias, irritou-se primeiro comigo, depois com o pai, e depois acalmou. Quando partiu, abraçou-me forte:

Há anos que não pareces tão descansada.

Nota-se?

Sim.

O divórcio foi sereno, sem dramas. O Gustavo ficou com o apartamento, eu fui para casa dos meus pais enquanto arranjava alternativa. A mãe não fez perguntas. Só libertou o quarto, pôs roupa lavada nas gavetas e deixou-me lá a andorinha de madeira do pai. Quando entrei, peguei nela pequena, polida, marcada de entalhes.

O pai voltou para casa no início de dezembro, mais lento, com bengala, mas de cabeça erguida.

Pronto, disse quando entrou, já estamos todos em casa.

O Ano Novo foi a quatro: eu, a mãe, o pai e o André. Decorámos uma pequena árvore, vimos filmes antigos, comemos salada russa e empadão de carne nada requintado, mas cheio de verdade. Ajudei a mãe a amassar, lado a lado, pensando: isto é cozinhar para quem amamos, não por uma tradição fria.

Em fevereiro arrendei um pequeno T1 fora do centro, último andar, janela para um pátio com três bétulas. Pouca mobília. Chegando com as primeiras caixas, fui até à janela e olhei as árvores.

A Margarida ligou uma vez em março: ficou entre ressentida e rendida.

Leonor, a mãe não diz nada, mas sente muito a tua falta. Podias vir de vez em quando. Ao menos nos dias especiais.

Sorri, mesmo ao telefone.

Talvez, depende.

Pelo menos tu fazias um bom pezinhos, aqui ninguém acerta. Sai sempre turvo.

Envio-te a receita. O segredo é coar o caldo no pano, duas vezes. Tenta.

A sério?

A sério, é fácil. Tem é que ser por ti.

Mandei a receita e pronto.

O pai, devagarinho, foi melhorando. Na primavera, já dispensava a bengala e teimava em ir para o quintal.

Fomos juntos quando chegou maio. Ele encostou-se ao alpendre, chávena de chá na mão, olhando o campo florido.

Pai, lembras-te das andorinhas de madeira?

Claro. Só perdias algumas.

Uma guardei-a. Está comigo.

Bem fizeste. Sorriu e olhou as flores. És forte, filha.

Porquê dizes isso?

Porque sim. Não percas força por quem não vale a pena.

Assenti. O cheiro doce vinha do campo, o silêncio era inteiro, apenas cortado pelo cuco ao longe.

Naquela primavera, voltei a trabalhar. Antes era contabilista, mas com a imposição da sogra, as contas ficaram para trás. Agora estava numa pequena empresa, equipa tranquila. No início estranhei, mas logo me acomodei. Pela primeira vez voltei a sentir que os dias eram meus.

Aos fins de semana, visitava os pais. Às vezes dormia lá. Cozinhávamos juntas, sem listas, sem quarenta bocas, apenas por estar. O pai dava palpites, a mãe respondia, e a andorinha descansava tranquila.

Num domingo à noite, já de verão, o André ligou só para conversar.

Estás bem, mãe?

Muito bem, André.

Gosto de te ver assim. Estás diferente.

Diferente?

No bom sentido.

Sorri.

Como vai a tua vida?

Bem. Este verão passo aí, prometo.

Olhei pela janela: bétulas verdes, robustas, quase a preencher o pátio todo com sombra e frescura.

Vem. Faço-te sopa da mãe.

Daquela, a verdadeira?

A mesma.

Não há melhor, disse ele. Fica combinado.

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