A namorada do meu filho não sabe coisas básicas… O que devo fazer? A minha sogra faleceu há alguns …

A minha sogra faleceu há alguns anos e, depois de a termos sepultado, prometi a mim mesma que haveria de respeitar sempre a máxima: para os que partiram, ou se fala bem ou não se fala.

Tomei ainda outra resolução quem quer que fosse a nora que viesse a fazer parte da família, nunca me tornaria igual à minha sogra.

Mas uma coisa são as intenções, outra bem distinta é a própria vida.

O meu único filho, Tiago, fez 25 anos e trouxe para casa, no início do verão, uma namorada.

Fiel ao meu compromisso de não me meter nas escolhas dele, acolhi a rapariga de braços abertos e olhos semicerrados, para não julgar demais.

Disse a mim mesma que não a olharia de lado, que não lhe apontaria defeitos, que não iria dar lições coisas que a minha falecida sogra fazia frequentemente e que só alimentaram ressentimentos entre nós.

Não quero afastar nem o Tiago nem a namorada. Confesso que até me dá gosto preparar-lhes o café, sei quem gosta do quê ao pequeno-almoço e aos fins de semana faço-lhes as vontades com algum mimo, porque durante os dias de trabalho não há tempo para luxos destes.

Por isso aproveito para desaparecer de casa ora vou com o meu marido passear à beira do rio Douro, ora passo por casa de uma amiga, ora vou ter com a minha mãe ajudar a fazer compotas e conservas; assim, eles ficam os dois com a casa só para eles.

No entanto, aconteceu algo cómico, mas que me ficou a remoer e decidi partilhar. Numa destas noites, a namorada do meu filho mostrou uma camisola nova que comprou numa loja do bairro, a caminho de casa depois do trabalho.

Não fora cara, o preço era ainda mais baixo porque lhe faltava um botão.

Vestiu-a, virou-se de um lado para o outro ficava-lhe mesmo bem. No dia seguinte, sexta-feira, íamos sair juntas e perguntei-lhe se não queria levar a camisola nova mas vi que hesitou e acabou por dizer que não podia porque não conseguia coser o botão.

A sério?, escapou-me, com um misto de surpresa e incredulidade: uma rapariga de 22 anos não ter agulha, linha e botão em casa?

E amanhã, filha, como será? Como irá cuidar da casa, da família, como tomará decisões importantes?

Agora nem sei o que fazer se coso eu o botão, sem pensar muito nisso, se lhe ensino como se faz, ou se deixo estar se quiser vestir a camisola há de resolver, se não, fica esquecido no armário.

Só de uma coisa tenho certeza: não quero ser uma sogra desagradável, já vi no que isso dá e não me revejo nisso.
Aprendi que, por vezes, o melhor que podemos dar aos outros é um pouco de paciência e compreensão todos aprendemos à nossa maneira e no nosso tempo.

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