Antes de casar com a minha esposa, Leonor, trabalhei no estrangeiro durante três anos seguidos. Nesse período, consegui juntar dinheiro suficiente para comprarmos um apartamento. Assim que casámos, começámos logo a procurar uma casa só nossa. Procurámos muito tempo um lugar ideal até que finalmente encontramos. Era um apartamento de três quartos no centro de Lisboa, perto de um supermercado e de uma escola. O único problema era que precisava de obras e o preço era relativamente alto. Tínhamos dinheiro para comprar o apartamento, mas não para a renovação. Mesmo assim, não nos deixámos desmotivar. Achámos que era a escolha certa para nós.
Os quartos eram espaçosos e recebiam muita luz. Assim que tratámos de toda a papelada, mudámo-nos sem hesitar para a nossa nova casa. A renovação podia demorar bastante. Por isso, pedi à minha sogra que nos emprestasse algum dinheiro. Ia continuar a trabalhar fora e devolver-lhe o empréstimo logo que pudesse. Mas ela recusou, dizendo que precisava dos euros para a filha mais nova, que ainda estudava.
Assim passaram quatro anos. Com esforço, conseguimos criar um lar acolhedor só com as nossas mãos. Fomos comprando móveis e renovando aos poucos. Trabalhámos muito nesse tempo todo. Depois decidimos que precisávamos de um carro. Começámos a poupar para isso também. Poucos meses mais tarde, soubemos que Leonor estava grávida. Ficámos radiantes de felicidade.
Ultimamente, a minha sogra tem vindo cá todos os dias. Sempre que chega, sussurra algo à Leonor. Eu nunca percebo o que dizem. Descobri que a filha mais nova da minha sogra a está a expulsar de casa. Trouxe o namorado para casa e quer casar com ele. O rapaz não suporta a mãe dela, por isso impôs uma condição: ou ele ou a mãe. E claro que a filha escolheu o namorado.
Agora, a minha sogra não tem para onde ir. Deu todo o dinheiro que tinha à filha mais nova. Esta só aceita mudar de casa se a mãe lhe comprar um apartamento, porque o casal jovem não quer viver com ela. Então a minha sogra decidiu que vai morar connosco. Afinal, o nosso apartamento é espaçoso e há lugar para todos.
Quando fiquei a saber disto, disse imediatamente que não o permitiria.
Quando precisei de dinheiro, a minha sogra recusou ajudar. Agora quer vir viver connosco. Eu sou contra isso. Não vou permitir de maneira nenhuma. Não sei como convencer a Leonor a não aceitar. A minha sogra tem o próprio apartamento, que defenda aquilo que é dela. E que a filha e o namorado tratem de decidir onde querem viver.







