Um milionário propôs à sua empregada uma partida de xadrez, apenas para se divertir à sua custa, prometendo-lhe oferecer um tabuleiro de xadrez em ouro se ela o vencesse.
Na sala de estar ampla, com tectos altos e lustres brilhantes, todos viam-na apenas como a empregada. Silenciosa, eficiente, quase invisível. Ninguém conhecia o seu passado. Para os convidados do milionário, ela não passava de parte do cenário, tal como as pinturas antigas ou as estátuas de mármore.
Certa tarde, enquanto limpava junto à mesa, parou e ficou a observar um magnífico tabuleiro de xadrez feito de ouro e prata. As peças, delicadamente esculpidas, reflectiam a luz que entrava pelas grandes janelas. Ela seguia cada detalhe com o olhar, absorta.
O milionário, descendo as escadas monumentais, apanhou-lhe o olhar curioso.
Sorriu de modo altivo, julgando que ela se perdia no brilho do ouro.
Aprecias o meu tabuleiro de xadrez? perguntou, com ironia na voz.
Ela virou-se, surpreendida.
Sim, senhor.
Ele fez um gesto despreocupado.
Sabes sequer jogar xadrez?
Sei, sim, senhor.
O olhar dele iluminou-se, divertido com a situação. Óptimo. Então vamos jogar. Se me venceres, o tabuleiro é teu.
Riu-se, sentando-se com confiança, certo de que ia passar um bom bocado. Ela ocupou o lugar à sua frente, serena e sem qualquer superioridade.
O jogo começou. Nos primeiros lances, ele jogou seguro, seguro de poder controlar todos os movimentos. Mas em poucos minutos percebeu que qualquer tentativa de ataque era, com precisão, anulada. Cada ameaça dele era respondida de forma inteligente e premeditada.
O que descobriu a seguir deixou-o perplexo: a empregada, aparentemente comum, desenvolvia combinações incríveis e visionárias.
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O milionário propôs à empregada uma partida de xadrez, apenas para se divertir à sua custa, prometendo-lhe um tabuleiro de ouro se ela ganhasse
Quando ela sacrificou voluntariamente uma peça importante, abrindo uma inesperada diagonal, ele achou que era um engano. Poucos lances depois, a rainha dele estava presa numa armadilha preparada ao detalhe.
Ergueu a cabeça, visivelmente desconcertado. Continuaram a jogar, mas o equilíbrio mudou. Os ataques dele perdiam força, enquanto cada jogada dela consolidava a sua vantagem.
Por fim, ela declarou com calma:
Xeque-mate, senhor.
Ele ficou imóvel, olhando para o tabuleiro, incapaz de aceitar o que tinha acontecido.
Como é possível? Como é que me venceste? perguntou, entre o espanto e o desconforto.
Ela respondeu, sem vaidade:
Porque pensou que eu estava a admirar o ouro. Eu estava a observar as posições.
Ele permaneceu calado.
O milionário propôs à sua empregada uma partida de xadrez, para se divertir à sua custa, prometendo-lhe dar o tabuleiro em ouro se fosse derrotado
O meu pai ensinou-me a jogar quando eu era criança continuou ela. Ele sempre dizia que o xadrez não recompensa nem o dinheiro, nem o orgulho, mas sim a paciência e a inteligência.
O milionário sentiu a sua irritação dar lugar ao respeito.
O senhor queria ganhar depressa, explicou ela, humildemente. Eu apenas esperei pelo momento certo.
Ele olhou-a de forma diferente. Já não via uma simples empregada, mas uma mulher perspicaz e estratega. Empurrou lentamente o tabuleiro na sua direcção.
É teu. Prometi.
Ela abanou a cabeça.
Não quero o tabuleiro de xadrez.
Então, o que desejas?
Ela respondeu com firmeza: Oportunidade. Que me valorizem pela inteligência, não pela aparência.
Foi nesse momento que ele percebeu ter recebido ali um ensinamento mais valioso do que o ouro.







