No início deste ano, fui visitar uma das minhas antigas turmas do secundário em Lisboa. Durante a aula, uma colega minha chamada Beatriz pediu educadamente ao professor se podia ir à casa de banho. O professor recusou-a. Ela insistiu com respeito mais uma vez, mas ele voltou a dizer que não.
Passaram-se uns minutos e a Beatriz explicou que era algo urgente, mas o professor, claramente aborrecido, continuou a negar-lhe autorização. Quando ela tentou de novo, ao fim de cerca de cinco minutos, dizendo que realmente precisava mesmo de sair, o professor respondeu-lhe friamente: Não.
Nessa altura, a Beatriz levantou-se da cadeira. Toda a turma ficou a olhar para ela enquanto ela, visivelmente envergonhada, disse em voz firme ao professor, à frente de todos: que lhe veio o período e precisava urgentemente de ir à casa de banho.
Houve um silêncio estranho, toda a gente surpresa com a situação. Mesmo assim, após uns segundos, o professor apenas a mandou sentar de novo, insistindo que só podia sair no final da aula. O embaraço apoderou-se da sala inteira, mas foi então que o Diogo, um rapaz que era conhecido por ser um craque da equipa de futebol da escola, se levantou.
O Diogo olhou direto para o professor e perguntou: O senhor não tem mulher? Nunca teve mãe ou irmã? Ela está menstruada e precisa ir à casa de banho. Vai lá de qualquer forma, o senhor deixe ou não deixe.
Ele atravessou a sala, pegou na mão da Beatriz e acompanhou-a até ao corredor em direção à casa de banho. Quando regressaram, o professor acusou-os de desrespeito e foi bastante ríspido com o Diogo. Nunca me vou esquecer desse dia.
Naquele momento percebi que o Diogo demonstrou mais maturidade e humanidade do que o próprio professor alguma vez mostrou.







