Olha, tenho de te contar o que se passou com os meus amigos, Tiago e Leonor. Eles vivem ali junto à praia, mesmo uma maravilha no verão. O ano passado, o casal foi ao batizado do afilhado deles, sabes? O Tiago ia ser padrinho. Depois da cerimónia na igreja, como manda a tradição cá, fizeram uma festa de arromba. Lá encontraram os avós do afilhado. Nem imaginas, durante toda a noite, os velhotes não paravam de dizer como era fantástico o neto deles ter um padrinho como o Tiago. Só lhe faltava serem fãs no Facebook.
O que lhes agradou mesmo foi que Leonor e Tiago vivem à beira-mar. Que sorte, diziam eles a avó então estava radiante. É um padrinho mesmo de primeira! E ainda por cima vive perto da praia que mais se pode pedir? Agora já temos alguém para visitar no verão, não precisamos de arranjar casa, as famílias são mesmo desenrascadas. Que maravilha, Tiago, é bom sermos teus familiares!
E quem diria, a avó do miúdo levou aquela promessa a peito. Apareceu lá passadas umas semanas, bem disposta e cheia de energia. O pai do afilhado, o Manuel, ainda tinha ligado ao Tiago antes para saber se os pais poderiam ficar uns dias, três ou quatro. Eles lá pensaram e decidiram recebê-los, sabes como é, não dá para dizer não. O problema? Estavam em plena época alta, os dois a trabalhar o dia todo, não dava jeitinho nenhum. A Leonor ainda teve de tirar uns dias de férias para os acomodar como deve ser.
Pois vieram, ficaram uns dias deitados ao sol na praia, curtiram à grande e depois, de malas feitas, agradeceram muito e lá foram à vida deles.
No fim disto tudo, tendo só um T2 pequeno, a Leonor decidiu que da próxima vez que os familiares derem à costa de surpresa, já vai ter de dizer não, obrigada. Até porque quando vêm amigos e o próprio afilhado, ainda é na boa. Mas pais de amigos já é demais sobretudo em plena época balnear, quando precisam poupar uns euros para não passar frio no inverno.
Sabes o que mais me espantou nisto tudo? Os avós do miúdo já têm uma certa idade, já passaram bem dos sessenta, já criaram filhos e netos. Fiquei a pensar… será que aproveitaram um bocadinho a ligação familiar para terem estadia à borda-mar sem gastar um tostão?
Acho que sim, e ainda ficaram de voltar… Portanto, fica o aviso, ser padrinho à beira-mar pode dar para tudo!







