«O meu vizinho, de 51 anos, vive sozinho há 12 anos. Ontem perguntei-lhe — porque não procura uma companheira?». Ele explicou-me 6 razões. Percebi porque tem razão

Ontem fui até ao apartamento do meu vizinho, Sérgio, pedir-lhe uma berbequim emprestada. Abriu-me a porta de calças de fato de treino e t-shirt:

Entra, acabei de jantar.
Entrei. A casa estava impecável, e na cozinha cheirava a frango assado. Em cima da mesa estava o portátil e um copo de vinho tinto.

Sérgio tem cinquenta e um anos. Está divorciado há doze. Vive sozinho. Trabalha como engenheiro, ganha dois mil e cem euros por mês.

Conheço-o há cinco anos desde que vim morar para este prédio. Nunca vi nenhuma mulher na sua casa. Nem mesmo em festas.

Devolveu-me a berbequim, serviu-nos whisky:

Fica um pouco, já não víamos há algum tempo.
Sentámo-nos na cozinha. Bebemos um copo.

Perguntei-lhe:

Sérgio, porque é que estás sozinho? Não tentas encontrar alguém?
Ele deu um sorriso amargo:

Não procuro, Filipe. Sabes, vivi doze anos sozinho. E percebi que assim sou mais feliz.
Mas porquê?
Encheu novamente os copos. Recostou-se na cadeira:

Explico-te. Seis razões bem concretas e sofridas.
Primeira razão risco de ficar sem nada num divórcio
Sérgio começou:

Divorciei-me há doze anos. Estive casado dezoito com a Andreia. Temos uma filha, tem vinte e oito anos e mora sozinha.
Deu um gole:

Acabou tudo por causa de uma traição dela. Apanhei-a com um colega do trabalho. Pedi o divórcio.
E então?
O tribunal mandou dividir o apartamento a meio. Eu paguei quase toda a hipoteca. Resultado: vendemos a casa, dividimos o dinheiro, comprei este T1.
Olhou para mim:

Filipe, perdi metade do que tinha porque ela me traiu. E a lei concorda. Eu trabalhei, paguei o apartamento, e ela recebeu metade, apesar da traição.
Pois… assim é o divórcio.
Exactamente. E diz-me, para quê arriscar outra vez? Imagina que conheço alguém, mudamo-nos juntos, passamos três anos, casamos, compramos carro ou outra coisa. Se ela decide ir-se embora, para quê esse risco?
Fiquei calado. Ele continuou.

Segunda razão falta de apoio para os sonhos masculinos
Sabes, Filipe, eu tenho um sonho. Quero comprar uma motorizada antiga, restaurá-la e passear aos fins-de-semana.
Um sonho engraçado.
Sim. Já poupo há um ano. Daqui a meio ano, compro uma Casal dos anos 70. Vou restaurá-la sozinho.
Encheu o copo de água, acompanhou com um gole de whisky:

Quando era casado, sonhava com outras coisas. Quis aprender guitarra. Comprei uma guitarra, inscrevi-me num curso. A Andreia disse: Para quê isso? Já tens 40 anos, não és o Rui Veloso. Desisti. Quis ir à Serra da Estrela acampar. Ela: És maluco? Temos empréstimo da casa e queres fazer disparates. Não fui.
Olhou pela janela:

As mulheres não levam a sério os nossos sonhos. Acham que é perda de tempo. Agora, sozinho, faço o que quero. Ninguém me chama parvo por querer uma mota.
Terceira razão expectativas irreais das mulheres
Sérgio continuou:

Há uns três anos experimentei sites de encontros. Fiz o perfil: idade, trabalho, salário, hobbies.
E então?
Troquei mensagens com algumas. Uma delas, Vera, quarenta e seis anos, gerente num cabeleireiro. Ganha mil euros por mês. Disse-me: É interessante, mas procuro alguém que ganhe pelo menos três mil por mês.
Riu-se:

Respondi-lhe: E a Vera quanto ganha? Ficou ofendida, bloqueou-me.
Sério?
Sem dúvida. A maior parte das mulheres hoje acha-se princesa. Ganham 900, vivem em quartos alugados, mas querem um homem com três mil euros, carro, casa. Não oferecem nada, só energia feminina.
Acabou o whisky:

Eu ganho dois mil e cem euros. Vivo na minha casa. Tenho carro. E para muitas mulheres sou um falhado porque não sou milionário. Para quê estar com quem não me valoriza?
Quarta razão já não precisam da mulher para as tarefas domésticas
Perguntei-lhe:

E quanto ao conforto do lar, sentes falta de alguém para cozinhar, companhia?
Sérgio riu:

Filipe, olha à volta. Limpo a casa uma vez por semana, gasto uma hora. Cozinho. Hoje foi frango com legumes. Meia hora cozinhou-se tudo. A máquina lava a roupa, só tenho de carregar.
Levantou-se e mostrou a cozinha:

Não preciso de mulher para a casa. Faço tudo bem. Sabes quantas mulheres hoje não sabem cozinhar? Metade. Encomendam comida, comem coisas prontas.
Mas há boas donas de casa…
Há, mas poucas. E de que serve uma dona de casa que me obriga a pagar tudo por ela? Prefiro cuidar eu mesmo das minhas coisas.
Quinta razão medo de manipulação e mentiras
Sérgio serviu mais whisky para ambos.

Depois do divórcio namorei duas mulheres, por pouco tempo. Ambas mentiram.
Como assim?
A primeira, Sofia, dizia que era divorciada. Ao fim de um mês soube que afinal era casada, procurava só alguém de lado porque o marido não ganhava o suficiente.
Deu mais um gole:

A segunda, Mariana, disse que não tinha filhos. Estivemos juntos dois meses. Só depois descobri que tinha dois. Não contou para não me assustar.
Que chatice…
Pois é. Cansei-me de mentiras. As mulheres hoje mentem quase sem pensar. Acham normal esconder coisas para apanhar um homem. Depois admiram-se que não confiamos.
Sexta razão os homens são castigados por tomar iniciativa
Sérgio recostou-se na cadeira:

A última vez que tentei abordar alguém foi há um ano, na Bertrand do Chiado. Uma senhora, aí com quarenta e cinco anos, estava a escolher um livro de clássicos.
E?
Fui ter com ela e disse: Boa tarde, vejo que gosta de clássicos. Posso sugerir algo? Olhou para mim como se fosse um maluco. Secamente respondeu: Obrigada, desenrasco-me sozinha. E pôs-se a andar.
Sérgio sorriu:

Filipe, hoje qualquer iniciativa do homem é visto como assédio. Tentas falar és estranho. Se escreves nas redes sociais és perseguidor. Se convidas para um café pensam que és caloteiro.
Não será sempre assim…
Não sempre, mas é o que mais se sente. Cansei-me de negativas e olhares gelados. Agora, só se alguém mostrar interesse primeiro, e eu não me humilho.
O que ficou a pensar depois
Sérgio acabou o whisky. Olhou para mim:

Filipe, não digo que todas as mulheres são assim. Há algumas boas. Mas encontrá-las é como procurar uma agulha num palheiro. E errar custa caro: perdes dinheiro, nervos, tempo.
Levantou-se:

Tenho cinquenta e um anos. Bom emprego. Casa própria, carro, hobbies, amigos. Sou feliz assim. Não estou disposto a pôr isto tudo em risco por uma relação que provavelmente acaba em divórcio e falência.
Fui para casa. Deitei-me. Fiquei a pensar nas palavras dele.

Tenho quarenta e nove anos. Casado há vinte e três. Com a minha mulher está tudo bem. Mas se estivesse sozinho… teria feito o mesmo caminho dele?

Talvez sim.

Será que um homem tem razão em ficar sozinho doze anos, recusando-se a procurar alguém por medo das perdas, ou será apenas medo dos relacionamentos?

Será verdade que um divórcio arruína o homem mesmo que a mulher tenha traído, ou é exagero?

Tem lógica um homem aos cinquenta rejeitar relacionamentos porque o custo do erro é demasiado alto, ou é egoísmo e medo de viver?

Afinal, será que as mulheres não apoiam os sonhos dos homens e acham-nos tontices, ou somos nós que escolhemos mal?

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«O meu vizinho, de 51 anos, vive sozinho há 12 anos. Ontem perguntei-lhe — porque não procura uma companheira?». Ele explicou-me 6 razões. Percebi porque tem razão