No escritório, a secretária sentiu-se mal e saiu para a rua: sentou-se num banco, fechou os olhos, e ao acordar viu um idoso a tentar tirar-lhe a pulseira do pulso.

No escritório, a secretária sentiu-se estranha e resolveu sair um pouco: sentou-se num banco de jardim, fechou os olhos, e, ao despertar, viu um senhor idoso a tentar tirar-lhe o bracelete dourado do pulso

Ó senhor, o que está a fazer? Esse bracelete foi presente do meu marido! O velho olhou para ela como se tivesse visto um fantasma e respondeu, em voz baixa: Foi esse bracelete que lhe causou o desmaio. Veja lá com atenção. A secretária olhou melhor e ficou petrificada de medo. 🫣

Filipa sentiu-se mal precisamente durante uma reunião.

No trabalho, a secretária sentiu-se esgotada e saiu à rua: sentou-se num banco do pequeno jardim, fechou os olhos, e ao acordar, viu um velho a tentar tirar-lhe o bracelete dourado do braço.

Ela estava sentada ao lado do diretor, anotando tudo como sempre, tentando parecer firme. O ar pesado da sala de reuniões era absurdamente abafado. As têmporas latejavam e o coração parecia um tambor desgovernado. Filipa tentou inspirar fundo, mas parecia que o ar apenas piorava a sensação. Pressão incômoda no peito, como se um caminhão tivesse estacionado em cima dela.

De repente, tudo ficou turvo. Filipa agarrou-se ao canto da mesa para não cair e pediu desculpa, quase em silêncio. Levantou-se, com o objetivo de caminhar direito, mas as pernas eram gelatina. O diretor perguntou algo, mas Filipa já mal percebia os sons.

Lá fora, o clima ameno da manhã lisboeta não ajudou em nada. A fraqueza cresceu. Filipa deu três passos e desabou no banco do jardim. Fechou os olhos, esperando que tudo passasse.

O coração batia à toa, como se estivesse a correr a Maratona de Lisboa.

Quando reabriu os olhos, viu o velho encostado a si. Setenta e tal anos, casaco gasto, boina enfadada, olhar atento e gentil. Segurava-lhe o pulso, como se o examinasse cuidadosamente.

O que está a fazer?! Filipa perguntou num tom rouco, enquanto puxava o braço. Não toque nisso. Foi o meu marido que me deu este bracelete.

O velho não discutiu. Só disse, muito calmo:

No trabalho, a secretária sentiu-se esgotada e saiu à rua: sentou-se num banco do pequeno jardim, fechou os olhos, e ao acordar, viu um velho a tentar tirar-lhe o bracelete dourado do braço.

É isso que a está a deixar doente. Olhe bem para ele.

Filipa olhou para o bracelete, grande, dourado, que usava sem nunca tirar. E aí o arrepio foi de morte. Continua nos comentários

O ouro tinha manchas escuras, exatamente onde tocava a sua pele. Não estava todo assim, apenas por partes, como se alguém tivesse passado sombra negra pelo metal.

Quem é você afinal? murmurou Filipa, sentindo o estômago revirar.

Fui ourives durante quarenta anos respondeu o senhor, com tranquilidade. Quando vi que estava mal, olhei sem querer para o seu pulso. Um comum mortal nem repararia.

O que significa isso? A voz de Filipa tremia.

São marcas de tálio explicou, baixinho. Um veneno traiçoeiro. Não se vê a olho nu. É aplicado numa camada fininha. Penetra pela pele e vai intoxicando devagarinho. Mas o ouro reage, escurece.

Está a insinuar?

O velho assentiu.

No escritório, a secretária sentiu-se esgotada e saiu à rua: sentou-se num banco do pequeno jardim, fechou os olhos, e ao despertar, viu um senhor idoso a tentar tirar-lhe o bracelete dourado do pulso

Quem lhe ofereceu esse bracelete sabia muito bem o que fazia. Queria que ficasse doente, fraca e um dia não se levantasse mais.

Filipa olhou para o acessório, depois para as mãos. Na cabeça, lembrou-se do marido: aquele olhar frio, gestos estranhamente afáveis ultimamente, e o discurso repetido: Usa sempre, não tires. É meu presente.

Naquele instante, tudo ficou claro.

O velho tirou o bracelete com delicadeza, enrolou em um lenço.

Tem que ir já ao hospital e à polícia disse ele. E nunca mais use isto.

Filipa acenou, ainda trémula. Sentou-se no banco, de dedos tremidos, sabendo que acabava de escapar à morte, por um milagre e com a ajuda inesperada de um ourives aposentado.

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No escritório, a secretária sentiu-se mal e saiu para a rua: sentou-se num banco, fechou os olhos, e ao acordar viu um idoso a tentar tirar-lhe a pulseira do pulso.