Milagre na quinta: Por que um cavalo selvagem se ajoelhou diante de um menino em cadeira de rodas…

Um Milagre na Quinta: Porque é que o garanhão selvagem ajoelhou perante a menina na cadeira de rodas

Alguma vez acreditaste que os animais conseguem ver a nossa alma? Pois o que se passou na nossa quinta no passado fim-de-semana comoveu até o mais rijo dos alentejanos.

Instantes até ao desastre

O dia começou normalíssimo, até que levaram para o picadeiro o Relâmpago um garanhão preto como carvão, com um feitio selvagem de fazer inveja à burra da vizinha. Não era só teimoso; estava furioso. De repente, ouve-se um estalo a rédea grossa rebentou como se fosse fio dental.

O altifalante do locutor soou mais alarmante que sino de igreja: **«Toda a gente fora do picadeiro! O cavalo está à solta!»**

O público correu para as bancadas em pânico. Mas ali na passagem, encalhada no barro deixado pela chuva matinal, estava a pequena Madalena, de dez anos. Por causa da sua cadeira de rodas, mexer-se depressa não era opção.

A mãe da menina, petrificada a poucos metros, gritou de fazer gelar o sangue: **«Madalena! Cuidado, filha!»**

O momento decisivo

O Relâmpago relinchou e partiu em direção à Madalena, atirando lama por todo o lado com os cascos. O embate parecia certo. Mas, a centímetros da cadeira, o garanhão travou tão bruscamente que levantou uma nuvem de poeira. Quando a poeira assentou, ninguém respirava.

Madalena não gritou nem piscou os olhos. Fitava o cavalo com uma calma de pasmar.

**«Calma, amigo»,** murmurou Madalena suavemente.

E foi então que se deu o impossível. O garanhão selvagem, que nem meia dúzia de homens do campo tinham mão nele, baixou-se devagarinho sobre os joelhos. Encostou a enorme cabeça aos joelhos da menina, arfando como se tivesse acabado uma tourada.

A mão de Madalena tremeu, esticou-se até os dedos quase tocarem o focinho macio do animal. A mãe tapou a boca, os olhos feitos lagos. Até o ar parecia não querer incomodar.

Desfecho

Finalmente, Madalena roçou com os dedos a pele quente do Relâmpago. O cavalo ficou quieto feito pedra, suspirou, fechou os olhos e a fúria toda que trazia pareceu derreter-se no instante daquele toque.

Por uns segundos, a quinta ficou suspensa em silêncio, só o vento a brincar na erva. Madalena aproximou-se e encostou a testa à testa do cavalo.

«Ele só estava assustado», disse a Madalena depois. «Precisava saber que aqui ninguém lhe fazia mal».

Daí em diante, Relâmpago parecia outro bicho. O cavalo que ninguém conseguia sequer selar, agora ali estava, a deixar a Madalena sentar-se a seu lado no curral horas a fio. Dizem que cavalos selvagens só obedecem à força, mas nesse dia aprendemos: a maior força é a do coração tranquilo e bondoso diante dela até o mais indomável se curva.

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