Envelhecer não é algo contra o qual devemos lutar é algo que merece ser celebrado. A idade não me tira a beleza, o valor ou a minha luz. Se alguma coisa muda, é que tudo isso se torna ainda mais visível. Com cada ano que passa, as camadas das expectativas alheias começam a cair e vai ficando aquilo que sou realmente a pessoa debaixo do ruído do mundo.
O tempo não me diminui ele purifica-me. Suaviza as arestas que já não me servem e fortalece aquilo em mim que realmente importa. Ensina-me a largar o peso de coisas que nunca foram minhas para carregar a pressão para impressionar, o desejo de pertencer a todos os lugares e de ser tudo para toda a gente.
É precisamente neste momento de libertação que algo profundo acontece.
Torno-me mais eu do que alguma vez fui.
As linhas no meu rosto não são um sinal da juventude a desaparecer são mapas de risos, tristezas, coragem e amor. O cabelo prateado não é uma perda de cor é uma coroa de experiência, prova das batalhas que enfrentei e dos momentos que soube valorizar.
Com a idade vem a clareza.
Amo com mais consciência.
Falo com mais verdade.
Agarro com força o que é importante e deixo ir com paz o que já não serve.
Envelhecer não me faz menos.
Torna-me mais profundo. Mais sábio. Mais completo.
Por isso, abraço cada novo ano não com receio, mas com gratidão pela sabedoria que conquistei, pela força que encontrei e pela pessoa extraordinária em quem continuo a transformar-me.






