Envelhecer não é motivo para resistência é algo para ser celebrado, quase como dia de festa em Lisboa, com direito a sardinha e tudo. A idade não rouba a tua beleza, nem o teu valor ou a tua luz. Se for para mudar alguma coisa, vai ser tornar tudo ainda mais evidente. A cada aniversário, as camadas de expectativas alheias começam a escorregar e fica só quem tu és de verdade, a pessoa que está ali para além do burburinho do mundo.
O tempo não te diminui ele apura-te. Lima as arestas que já não fazem sentido e fortalece tudo aquilo em ti que realmente conta. Ensina-te a largar peso inútil: aquela mania de agradar a todos, a vontade de caber em todos os lugares, de ser tudo para todos. Não é preciso! E, curiosamente, é nesse desapego que acontece a verdadeira magia.
Ficas mais tu do que alguma vez foste.
Os traços no teu rosto não anunciam o fim da juventude: são o roteiro dos risos, tristezas, coragem e amores vividos. E aquele prateado nos cabelos não é sintoma de cor perdida é coroa de rainha (ou rei), testemunho de viagens, lutas de trânsito na Avenida da Liberdade e das memórias que guardas com carinho.
A maturidade traz clareza. Amas com mais consciência. Falas com mais verdade. Prendes-te ao que importa e deixas passar, de forma leve, aquilo que não tem peso na tua vida.
Envelhecer não te faz menor.
Faz-te mais fundo. Mais sabiamente alfacinha. Mais completo.
Por isso, celebra cada novo ano, não com medo, mas com aquele agradecimento típico português por toda a sabedoria apanhada pelo caminho, pela força (às vezes teimosa, admitamos) conquistada, e por seres esta pessoa excecional que continuas a descobrir entre um pastel de nata e outro.






