Nem imaginas, nunca creio que a vida me putea dar tamanha surpresa. Juro, jamais pensei que eu, logo eu, a quem tudo parecia correr bem, m-ar fi găsit numa situație destas. E ainda hoje não entendo cum am putut trăi atât de ani lângă cineva que nici nu-l cunoșteam de-adevărat.
Conheci o Rui quando tinha quinze anos, ele já tinha dezessete. Casámo-nos cinco anos depois e pouco passou, fiquei grávida. O Rui ficou radiante com a chegada da nossa filha. Ela era tudo para ele, como se fosse uma princesinha. Ele levou-a à creche, acompanhei-a nas atividades todas, brincavam juntos, viam desenhos animados, era como se fôssemos mesmo aquela família perfeita de filme. Só que um dia, tudo deu uma volta tremenda.
Quando estava grávida do segundo filho, alguém bateu à porta. Era uma rapariga, parecia ter cerca de vinte anos, com um bebé no colo. Deixei-a entrar, sentia um nervoso estranho. Chamava-se Teresa e tinha dezanove anos. Pois, Teresa era a segunda mulher do meu marido.
Duas semanas atrás, ela tinha tido um filho do Rui e decidiu que era hora de resolver tudo. Disse-me que estavam juntos há dois anos, mas Teresa não queria largá-lo. Liguei ao Rui, pedi que viesse. E ele, de forma fria, respondeu:
– Vocês, antigamente, vivíamos todos tão bem… deixemos tudo como está, não mudo nada. Não quero separar-me de ti, nem quero abandonar a Teresa.
Eu não aguentei. De olhos molhados, fiz-lhe as malas e atirei-o porta fora. E ele, na maior, saiu-se com:
– Olha querida, vais arrepender-te. O apartamento está em meu nome, portanto tu e as crianças têm de voltar ao teu antigo apartamento à margem da cidade. Nem contes com pensão de alimentos, o meu salário declarado é o mínimo do mínimo. Pensa lá como vais dar volta a isto.
Era surreal, palavras do homem que sempre amei.
Ficou claro que não queria os meus filhos por perto de alguém assim. Rui foi embora com Teresa, eu juntei as nossas coisas e regressei ao meu apartamento antigo.
Não houve tempo para choros. Ele tratou logo de pedir o divórcio e eu, com os últimos euros que tinha, arranjei um bom advogado. Por acaso, ele foi excelente conseguimos que o apartamento ficasse para mim e para os meus filhos. Nem pedi pensão de alimentos.
Sete anos depois, casei de novo. O meu segundo marido não tem nada a ver com o Rui, é uma pessoa maravilhosa. Por curiosidade, a Teresa só queria dinheiro do Rui; quando ele perdeu o apartamento, ela pôs-no na rua. Ele tentou voltar para mim, mas já era tarde, não dava para estar em dois lados depois de tudo o que me disse.
Tu aceitarias o Rui de volta?







