Às seis da manhã, o meu marido atirou-me da cama. No início pensei que tivesse sido um acidente desagradável, mas no dia seguinte o mesmo aconteceu de novo. Tudo isto começou após termos visitado a mãe dele no interior.
Estamos casados apenas há meio ano, mas depois deste episódio, tomei a decisão firme de pedir o divórcio. O motivo pelo qual o meu marido começou a agir assim deixou-me completamente perplexa. Passo a contar o que se passou.
Cresci em Lisboa e nunca precisei de acordar cedo. Atualmente colaboro com uma empresa internacional, por isso o meu horário de trabalho é, muitas vezes, durante a noite. Quando aqui é dia, lá é noite trabalho até tarde.
O meu marido, Duarte, é natural de uma aldeia alentejana, onde todos estão habituados a levantar-se cedo. Mesmo depois de se mudar para a cidade, nunca abandonou os hábitos: às seis da manhã já está de pé e exige ovos mexidos e café.
O meu pequeno-almoço é sempre às sete em ponto disse ele quando nos conhecemos.
Na altura, sorri apenas, achei que não seria grande problema. Até porque, depois de uma noite de trabalho, podia dormir umas horas durante o dia.
Durante os primeiros seis meses de vida juntos, tudo decorreu normalmente. Esforçava-me por acompanhar a sua rotina quando conseguia, e íamos encontrando equilíbrio. Parecia que o nosso casamento ia bem.
Mas tudo mudou depois da visita à mãe dele. A sogra vive numa aldeia pequena, numa casa antiga mas muito acolhedora. Quando lá cheguei imaginei que ia encontrar o paraíso lareira acesa, bolos caseiros, conversas à mesa ao serão. Mas depressa percebi que estava enganada.
Só algumas horas depois de chegarmos, percebi que aquela tranquilidade não ia durar. A sogra arranjava sempre razões para me repreender com comentários subtis.
Os problemas a sério começaram logo na manhã seguinte.
Tem de ser acordada, como manda a tradição aqui disse a sogra ao pequeno-almoço, enquanto eu ainda dormia. Só vim a saber depois que o Duarte decidiu seguir o conselho da mãe e ensinar-me a acordar cedo como nas aldeias.
Quando me arrancou da cama pela primeira vez, fiquei estupefacta.
O que é que estás a fazer?! perguntei zangada e assustada.
Tu não ouves o despertador. A minha mãe diz que este é o melhor método para acordar respondeu ele, tranquilo.
Mas eu trabalho de noite! Preciso de dormir para conseguir funcionar normalmente!
Na nossa família é assim disse o Duarte, como se isso justificasse tudo.
No dia seguinte, repetiu-se a mesma história. Senti que ele e a mãe faziam pouco de mim de propósito.
Não percebia como é que alguém com quem eu queria partilhar a vida mudou tão rapidamente sob influência da mãe.
Quando voltámos a Lisboa, o Duarte parecia outra pessoa. Não parava de repetir: A minha mãe sabe como deve ser. Foi teimando tanto que percebi que somos demasiado diferentes.
Agora estou a tratar dos papéis do divórcio. A minha paciência chegou ao fim.
E vocês o que fariam se estivessem no meu lugar? Ou será que tomei uma decisão precipitada?






