Maria crescia sozinha dois filhos e, quando sofreu um enfarte, o filho tomou imediatamente a iniciativa de cuidar dela. No entanto, a filha, mesmo morando num apartamento mais espaçoso em Lisboa, arranjava sempre desculpas para não acolher a mãe idosa.
João e a esposa assumiram a responsabilidade de cuidar de Maria, mas não foi tarefa simples. Tiveram de encontrar equilíbrio entre os cuidados à senhora de idade, a educação do próprio filho e as exigências do trabalho. De tempos a tempos, João recorria à irmã para pedir ajuda financeira, pois as despesas médicas da mãe eram elevadas, mas ela colocava sempre as suas prioridades acima das necessidades da família.
Apesar dos desafios diários, o carinho e a dedicação do jovem casal ajudaram Maria a recuperar, chegando até a colaborar nas tarefas de casa. Porém, tudo mudou quando João ouviu a mãe falar sobre os planos de passar o apartamento à irmã para que esta pudesse vendê-lo e comprar uma casa nova.
Esta descoberta deixou João profundamente magoado. Sentiu-se traído, pois ele e a mulher estiveram sempre ao lado da mãe nos momentos difíceis, enquanto a irmã era quem iria beneficiar da herança. Ao confrontar Maria, ouviu-a dizer que a irmã precisava mais do dinheiro e que ele, sendo trabalhador, se desenrascaria facilmente.
Indignado com a injustiça, João decidiu que não podia continuar a ignorar o que se passava. Fez as malas e mandou a mãe ir viver para a casa da filha, que, claramente, era a preferida. Este gesto de afastamento foi a forma que encontrou de expressar toda a sua dor e desilusão face à escolha da mãe pela irmã, apesar de todo o apoio e cuidado que lhe tinha dado.







