Hoje, enquanto arrumava a casa, fui interrompida pelo toque do telefone. Era a minha amiga Mafalda. Ela estava a chorar, insistindo para que eu fosse ter com ela. O Diogo tinha acabado de a deixar. Ele saiu de casa de repente, dizendo que iria viver com outra mulher ali na cidade do Porto. Confesso que fiquei surpreendida, mas juntei-me logo a ela, apanhando o comboio, para celebrar este novo capítulo.
Sentei-me com ela à mesa da cozinha, rodeadas de petiscos e um copo de vinho verde, e senti como ela respirava fundo, como se se libertasse de um peso. Ela contou-me como foi difícil viver com o Diogo – ele era ciumento, possessivo, exigia sempre toda a sua atenção. Se a comida não lhe agradava, era capaz de partir um prato no chão e ficar dias sem lhe dirigir a palavra. Nós, amigas, partilhámos as nossas histórias, relembrando episódios em que maridos e namorados não souberam valorizar as mulheres que tinham ao lado.
Agora, livre daquela relação tóxica, a Mafalda estava outra pessoa. Admitiu que Diogo sempre a desaconselhou de sair com as amigas, com medo de perder o controlo sobre ela. Mas agora mal podia esperar para voltar a sentir-se parte do grupo. Rimo-nos, chorámos, lembrando as vezes em que tivemos de engolir em seco por amor ou resignação.
Havia incerteza sobre como Diogo conheceu a tal mulher com quem fugiu. Aparentemente, passava muito tempo fora a treinar, mas todos sabíamos que já não estava ali de alma e coração. Mafalda comentou que pensava até em ir à polícia, preocupada se ele continuaria a ajudar os filhos. Ficámos horas a conversar, afundadas nas nossas próprias experiências e desilusões.
Um mês depois, Diogo reapareceu como se nada fosse. Entrou em casa da Mafalda com um sorriso de quem espera perdão. Mas ela recebeu-o com um olhar gelado. Ele, surpreendido, perguntou o que é que as mulheres querem, afinal. E a Mafalda respondeu, sem hesitar: Queremos amor e respeito. Ao vê-la tão determinada, percebi que finalmente encontrou força dentro dela própria. Diogo ficou calado, sem saber o que dizer, e eu senti uma admiração profunda por esta mulher portuguesa, que aprendeu a pôr-se em primeiro lugar.







