A minha ex-sogra persegue a nossa família: Quando a avó portuguesa ultrapassa todos os limites após …

A minha ex-sogra anda a vigiar a nossa família.

A minha ex-sogra, Dona Emília, tem 52 anos e é mãe da minha falecida esposa, Leonor.

Casei-me aos 23 anos. Leonor engravidou pouco antes de nos casarmos e tivemos uma filha, Matilde.

Dois anos depois, a nossa vida mudou para sempre: a minha mulher adoeceu gravemente e, num curto espaço de tempo, acabou por falecer.

Fiquei apenas eu e a Matilde. Decidi então mudar-me para o Porto, para a casa dos meus pais. Assim, enquanto passava dez horas a trabalhar todos os dias, eles podiam ajudar a cuidar da Matilde. Este era o acordo familiar.

Pouco tempo depois, fui promovido e consegui comprar uma casa a meia hora dos meus pais. A partir daí, a Matilde ficava ao cuidado deles ou de uma ama (quis sempre que os meus pais tivessem tempo livre e que não se sentissem sobrecarregados). Agora, a Matilde já tem oito anos.

A Dona Emília decidiu mudar-se para o Porto para ficar perto da neta. Foi uma decisão algo inesperada, confesso, não tanto pelo motivo que até percebo! mas sim pela distância envolvida: ela vivia em Faro!

Está bem, pensei eu. A filha era a única, e a Matilde, pelo visto, é a única neta. Imagino que não queira ficar sozinha.

Mas desde que a minha ex-sogra se mudou para cá, começaram os problemas…

Ela passa o dia inteiro em minha casa. Literalmente, está lá à hora que chego do trabalho. E como se não bastasse, aos fins-de-semana também aparece… aparece é pouco instala-se lá de manhã à noite.

Mesmo quando a Matilde está na escola, ela inventa razões para estar lá:

Se não houver uma mulher a limpar, a casa vai-se abaixo. O pó levanta-se todos os dias, diz-me ela.
As flores estão a murchar outra vez se deixas mais uns dias, vais é ter de as deitar ao lixo.
Ontem vi tipos estranhos na rua, mas não vieram para aqui porque eu cá estava.
Não te preocupes, não mexo nos teus euros.

Às vezes parece que acha que o espírito da filha dela vive comigo dentro desta casa. Já a apanhei várias vezes a falar sozinha com alguém sem ninguém presente.

Já tive inúmeras conversas sérias com a Dona Emília, mas o comportamento dela deixou-me sempre desconfortável. Senti que o meu espaço estava a ser invadido. Parecia que ela até me entendia por uns dias. Mas…

Na semana passada, chegou ao limite. A verdade é que namoro há um ano e meio com uma rapariga portuguesa, Gisela. Este fim-de-semana era perfeito para estarmos juntos em casa, já que a Matilde ficou a dormir com os avós.

Tudo estava pronto jantar, filme, um serão calmo. Relaxados no sofá, ouvimos de repente um ruído no corredor. Olhei assustado para a porta e vejo a silhueta da Dona Emília, que tinha entrado sem avisar, bater ou pedir licença.

Mais umas flores murchas, imaginei… Mas, antes que eu dissesse alguma coisa, foi ela quem gritou furiosa, acusando-me de trair a memória da Leonor e de lhe faltar ao respeito.

Fiquei sem palavras. Fui até ela, expliquei-lhe tudo, pedi a chave de casa e disse-lhe para sair. Não és mais bem-vinda aqui!

A verdade é que a Dona Emília não tem ninguém. E há muita gente, inclusive os meus pais, que me aconselha a repensar. Dignidade? Talvez precise de encontrar equilíbrio, combinando visitas da Matilde à avó, pois é sua neta. Mas a nossa casa será sempre o nosso espaço sagrado, e isso não está em discussão.

Como se costuma dizer em Portugal, cada um no seu lugar e Deus no de todos: às vezes, é preciso estabelecer limites firmes para proteger a serenidade da nossa família. No fim, aprender a dizer não com respeito é um dos maiores gestos de amor-próprio.

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