A esposa do meu irmão disse: “Decidimos alugar o nosso apartamento para juntar dinheiro para umas férias, então agora vamos morar aqui.”

Olha, deixa-me contar-te uma cena cá entre nós. A minha mãe tem uma casa de campo nos arredores de Coimbra, sabes aquele sítio onde podes respirar mesmo o ar puro? Todos os verões, por iniciativa dela, lá vamos nós: pintura ali, arranjar o jardim, cavar as terras. O meu marido até montou uma piscina lá fora, imagina só! Temos também um alpendre muito simpático, ideal para um churrasco em família.

Desde que o meu irmão, o Lourenço, se casou, deixou de ir lá. A esposa dele, a Marisa, simplesmente não gosta dessas coisas. Ela deixou logo claro: agora o que conta são as prioridades deles, acima de tudo. Se a mãe precisar que se faça alguma coisa, que contrate jardineiros, diz ela.

A sério, a minha mãe nunca ficou magoada com ela, tenta sempre perceber o lado deles. Só que este ano, a mãe trabalhou tanto que nem foi para o campo no verão. Não conseguiu ir, mas ficou super preocupada porque ninguém cuidava do terreno.

Ela sugeriu ao Lourenço para plantar umas cenouras ou algo assim, mas a Marisa falou-lhe e ele desistiu logo. Eu e o meu marido achámos boa ideia ir lá buscar um bocadinho de ar fresco e ajudar afinal, ao fim de semana uma escapadinha sabe sempre bem, e a mãe ficava mais descansada.

Então comprámos umas mudas, uns arbustos e sementes, limpámos o quintal antes de plantar, renovámos os canteiros, tratámos da estufa. Ao domingo, descansávamos. E tudo fizemos como a mãe nos indicou.

No fim de semana passado fomos aos pais do meu marido, por isso ninguém ficou na casa do campo. Mas, pelos vistos, o Lourenço e a Marisa aproveitavam para lá estar.

Quando regressámos no seguinte sábado, apanhámos uma surpresa nada boa. Alguém lá estava a viver. Batemos à porta, mas ninguém abriu. A Marisa espreitou pela janela e mandou logo:

“Decidimos arrendar o nosso apartamento para juntar uns euros para umas férias, então vamos morar aqui. Portanto, vão andando, não vos convidámos.”

A mãe sabia? perguntei eu. “Claro que sim! Como pensas que arranjámos as chaves?” atirou a Marisa.

Liguei à minha mãe. Sim, dei as chaves ao teu irmão, ele disse que ia lá ajudar. Mãe, eles estão a viver lá, não estão a ajudar nada. A Marisa não mexe uma palha e nem nos deixa entrar.

“Como assim estão a viver aí?” perguntou a mãe, baralhada. É isso, mãe, mudaram-se para poupar dinheiro dos arrendamentos. Estão a viver sozinhos na casa de campo, contei-lhe a verdade.

“Bem, se cuidarem do jardim, regarem as plantas, limparem as ervas daninhas, podem ficar. Se não o fizerem, manda-os embora, não deixes que aproveitem. Eles sabem bem tirar partido de tudo! Você sabe que vêm no outono e levam a colheita sem fazerem nada. Diz-lhes que agora é a vez deles de tomar conta da casa.” decidiu ela.

Bati outra vez à porta. “O que querem?” gritou a Marisa, já com má disposição. Disse o que a mãe tinha decidido. Ela respondeu: “Eu não faço aqui nada! Tenho manicure marcada! Não sou vossa criada. E se plantar alguma coisa, não quer dizer que vá dividir! Se querem, comprem vocês. Aqui vai ser tudo nosso.”

Ora, claro que vou ter de os mandar embora. Não me ouviam, portanto a minha mãe teve de falar ela própria. Mandou-os sair dali.

“E agora, para onde é que vamos?” chorava o Lourenço. “O nosso apartamento está arrendado!” Dá-lhes o dinheiro do arrendamento, sugeri eu.

“Não dá, gastámos tudo em uns brincos para a Marisa,” disse o Lourenço. “Ir ao prego não vale a pena, nem metade do valor dão. E agora, o que é que fazemos? Não é problema meu, pelo menos avisa a mãe das tuas intenções, não é correto fazer tudo à revelia dela. Isso é muito malcriado!”

A Marisa e o Lourenço foram para casa da mãe dela, lançando uns olhares de reprovação e promessas de não voltarem nunca mais. Somos por nossa conta!

Mas, sabes como é… Aposto que lá para o outono, aparecem com sacos, prontos para levar as maçãs e as batatas todas!

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A esposa do meu irmão disse: “Decidimos alugar o nosso apartamento para juntar dinheiro para umas férias, então agora vamos morar aqui.”