A Inconfundível Julinha

Não é bem a Benedita

Benedita! Outra vez?! Santa paciência, não és uma criança, és uma calamidade com pernas! Mas como é possível?!

Oh mãe, nem sei… Foi sem querer…

A mãe arrancava à Benedita o casaco encardido, as botas ensopadas e o gorro já sem pompom.

Os filhos dos outros são todos normais. E tu… Benedita! Mas até quando isto vai continuar, hã?

Benedita olhava para a bainha rasgada do vestido e suspirava de leve.

Mas o que é certo, até foi divertido! O comboio ficou mesmo espetacular! Só que, pronto, o Simão resolveu puxar o vestido além da conta. Resultado: um belo rasgão. Depois a dona Catarina não quis pregar a bainha, avisou logo que não era paga para aquilo, que fosse a mãe da Benedita a tratar do assunto. Não está errada… Mas ficou Benedita a seca o resto da tarde, naquele canto, sentada na cadeira do balneário. Nem pensar em abanar as cuecas para os rapazes verem! Isso é coisa fora do tom! A avó diz sempre isso: ela ainda percebe qualquer coisa da vida!

Por exemplo, que a Benedita é assim, mesmo… diferente. Para a mãe, nem por isso, mas a avó com a maior das naturalidades.

Deixa-te disso, não andes a dar cabo da miúda! Que mania essa de implicar!

Oh mãe, tu fazias-me o mesmo! Agora vais dizer que é errado? Se não a educo assim, o que será dela?

Uma rapariga fantástica como tu, não chega?

Ai, já começa… Olha, agora não, que não estou para conversas. Benedita! Vai-te vestir! É já!

Benedita mal respirava de alívio quando fugia para o quarto, deixando a guerra continua entre as duas mulheres da sua vida. No fundo, ela só lhes servia de desculpa para discutirem.

Perguntou uma vez à avó o que era isso de desculpa:

Ninguém chateia porque sim, menina. Tem que haver um motivo! E tu és o nosso motivo, claro.

Sou mesmo o vosso caso de vida?

O mais importante, filha! Só tens que aguentar as duas. Cada uma a tentar fazer de ti uma mulher, à maneira delas. A tua mãe, à bruta porque acha que tem de ser, e eu… olha, a minha dose de seriedade ficou toda gasta nela. Para ti, ficou só mimo. Pronto, um docinho para adoçar.

Não gosto de doces!

Vá, então fica uma tablete de chocolate. Melhor?

Assim já falas! Avó, a mãe gosta mesmo de mim?

Mais que tudo! Até mais que eu, acredita. Nem duvides.

Mas ela passa a vida a ralhar…

Justamente, Benedita, justamente…

Que amor mais estranho, ó avó… Tu também me amas e nunca me gritas…

Avó é para estragar, mãe é para educar! São amores diferentes. Vais perceber um dia.

Ainda não percebo nada.

Então não é altura. Um dia chega lá.

Mas esse um dia parecia sempre adiado.

Benedita esperava, mas quanto mais crescia, mais ranzinza ficava a mãe.

O que é que faço contigo?! Só se for esperar que tragas um escândalo para casa…

E Benedita ouvia aquilo vezes sem conta sem perceber lá muito bem. Ria-se por dentro, lembrada do vestido esburacado do jardim de infância, e perguntava-se como é que se trazia alguma coisa na bainha rota. Bem queria perguntar, mas aquilo dava sarna. A mãe não ia achar graça nenhuma e, no fim, levava um raspanete do tamanho do monumento aos Descobrimentos.

A preocupação da mãe era completamente desnecessária.

Desengonçada, mas até jeitosa, Benedita tinha sérias dúvidas ser coisa do outro mundo. A avó gabava, o espelho desmentia.

E o espelho dizia-lhe: nada de espetacular aqui. Olhos pequeninos, rabo de cavalo ralo, e borbulhas pelo nariz. Beleza, nem vê-la!

Benedita, já vacinada à verdade sobre si, nem queria perder tempo com isso. Mais fácil assim! Menos roupas da moda, ténis velhos para todo o serviço. Só para ir ao teatro com a avó lá vestia algo decente.

O teatro era paixão antiga. Pena era irem tão pouco. Faltava o vil metal, e bilhetes não davam em árvores. A avó amealhava cêntimos de pensão, mas não chegava. Daí que desde o 7.º ano Benedita se chegou à frente e foi para a casa da vizinha ajudar a cuidar dos gémeos, os primeiros eurinhos a entrar. Os miúdos eram uns diabretes adoráveis, e, não tendo irmãos, Benedita até achava graça. Era mais passatempo que obrigação.

No fundo, era só vantagens! Brinca, dá comer à canalhada, vai para casa. Ninguém lhe pinta nos cadernos, ninguém lhe salta na cama, e o quarto era só dela. Um sossego!

Não era egoísta, não! Mas perceber o luxo de não ter irmãos já percebia. Criar dois filhos custa dinheiro. Não dinheiro assim-assim, mas dinheiro a sério. E lá em casa? Salário de enfermeira, à la gardère, pensão de avó, e falta permanente de pai. Do homem, nem fotografia.

Sobre isto, Benedita nunca se abria com a mãe. Mais chatice para quê? Já era o suficiente. E ainda a avó a atrapalhar, que já pouco sabia de nada, esquecia o nome, e o passado era uma nuvem.

A sorte é que algumas histórias do pai ainda iam aparecendo nos raros dias bons da avó, contadas em segredo, enquanto Benedita fingia que não ouvia.

A tua mãe… não fazia falta ao teu pai.

Porquê?

Homem de ginga… Andava de braço dado com meio bairro. Paixão de filme, dizia ela! Eu avisei-a, mas apaixonou-se… Promessas, juras, e as outras são só deslizes. E foi teu pai casa com ela?

Chegou a casar?

Sim, porque a tua mãe quando quer, consegue. Mas ao saber que estavas a caminho, evaporou-se. Puf! O último a ver foi o carteiro da nova morada. Nem bilhete deixou só um papelito.

E dizia o quê?

Olha, filha, não interessa. Foi problema deles. Só te digo: para a tua mãe, foste um milagre tão desejado que andou em bicos de pés a gravidez toda. Cuidou de ti como se fosses um Santo Gral. E nunca parou de medir-te cada passo. Achas que ralha porquê?

É disso?

Claro! Medo. Medo de acontecer-te alguma coisa. Eu via-a levantar-se de noite só para te olhar. Rezava por ti, afagava-te o cabelo. E se pergunto zanga-se logo. Isso é amor de mãe, Benedita! Do mais torto mas sincero.

Pfff… Avó, tu também ralhaste assim com a mãe?

Oh se ralhei! Todas as mães são iguais, fazem disparates por medo e depois arrependem-se.

Mas porquê tanto medo?

Só vais saber quando fores mãe, Benedita.

Por fora, Benedita ficou calada, mas por dentro jurou criar filhos de maneira diferente. Ingénua! Quem nunca foi?

Filhos, aliás, era projeto para cinema daqui a uns bons anos, se tanto.

Afinal, quem ia querer uma pequena largada de pontos, dificilmente apelidada de doce, e que, se se colava, ninguém a tirava? Só mesmo à força!

Acabado o curso, Benedita foi trabalhar para o mesmo hospital da mãe e aí é que a coisa apertou!

Nada saía bem: demasiado afoita, demasiado dedicada aos doentes (às vezes, é melhor ser mais fria, vão-te montar em cima!), trabalhava por amor à causa absolutamente desnecessário, pois tanta alma entrava, tanta saía, e quem ficava esgotada era ela. Mais vale serenar, filha. Não salvamos o mundo todas as manhãs!

Benedita nem queria saber. Revelava-se aos choros com cada doente: sentia as dores como dela. Uma palavra amiga aqui, um gesto ali, até ao gato sabia bem!

Até a mãe a alertava:

Filha, olha o que fazes! Não gostam de gente assim. Só arranjas problemas e, se perdes o trabalho, quem sofre? Eu? Tu? A avó? Aquela ainda depende do teu ordenado! Não nos faças dar à casa de repouso… ou pagar cuidadora, que assim estamos feitas!

Mãe, custa-me vê-los assim! Gritam com eles, falta-lhes carinho…

Nem todos têm feitio para isto, filha. Eu sei, é duro. E acredita, há mais três como tu no serviço e já é muito bom. Mas devagar! Pelo exemplo, aprende-se. Força, só na dose certa.

Mas isso demora tanto!

Ó Benedita! De quem é que herdas essa cabeça rija?

Sei lá. De ti, claro.

Benedita!

Que foi?

Nada. Faz lá o que entenderes…

Dava-lhe jeito não discutir, mas também ouvir a mãe num ouvido e deitar pelo outro já era costume. No entanto, era notório: lá estava a Dona Antónia, resmungona, a reclamar de todas as enfermeiras menos da Benedita, que arrancava-lhe sempre um sorriso, ainda que à socapa.

E não era só ela. Havia tanta gente arrasada pelo sofrimento, a aturar guerras familiares, discussões mesquinhas sobre heranças… E, claro, no fim, quem chorava era o doente. E zangava-se. E quem não percebe isso?

Mas a mãe só queria o melhor para Benedita. Só que, para ela, não podia estar bem enquanto à sua volta todos caíam aos bocados.

Ao menos, que pudesse ajudar alguém…

Mesmo que as colegas gozasem, chamando-lhe a beata e dizendo que devia ir para o convento mas disso, Benedita pouco se importava. Como a avó dizia, caravana anda mesmo com cães a ladrar.

E assim lá andava a caravana da Benedita, pisando o deserto, muitas vezes com a sensação de não ser entendida.

Apesar de não depender da aprovação de meio mundo, desde que a avó se perdera para o esquecimento, faltava-lhe quem a ouvisse. A mãe suspirava, pedia-lhe para sair e fazer pela vida. As amigas, por outro lado, casavam-se em série e, como já era tradição, passavam-lhe os ramos de flores em mão:

Nem os atires, guarda o teu! Vê lá se desencantas um marido, Benedita!

Ela aceitava, claro. Não se fazia desfeita. Mas o tal nunca aparecia. Ter-se-ia perdido nas Docas? Ou nem sequer previsto para ela? Talvez não houvesse mesmo metades para metade do mundo…

Pronto, aceitou e já quase não esperava por nada. Romeu e Julieta nunca foi bem para ela. Jamais ia ser primeira a abrir a boca sobre apaixonites. Mesmo que fosse a quem.

Entre hospital, voluntariado na Casa dos Animais onde ajudava uma amiga que lá trabalhava e os serões a tratar da avó, que cada vez menos se lembrava dela, Benedita já era a solteirona oficial da família, sem paciência para romances ou lições de vida.

Queres netos, mãe? Diz logo! Faço uns quantos, agora é fácil!

Oh Benedita! Menos cinismo, por favor…

Sim, o quê? Príncipes não há para todas! Lei da selva. O que queres de mim?

Só quero que sejas feliz…

Então para de repetir que tenho de organizar a vida amorosa. Não se quer organizar! Já está bem assim! É aceitar, mãe.

E a mãe calava-se, já sem muito por onde tentar casar a filha. Os filhos das amigas já casaram, a rede social está esgotada agora, só São João ou um milagre.

E eis senão quando… o milagre apareceu. Mas verso da avó, nunca da maneira pensada.

Ela, que sonhava com o amor digno de novela, acabou por ser atacada por outra personagem: a Dona Antónia, aquela mestra das reclamações. Ia parar ao hospital duas vezes por ano, e toda a equipa já tremia quando a viam.

Lá vem chatice, Benedita, vai tu! É a tua preferida!

Antónia Maria, assim de seu nome, ria-se ao ver a Benedita:

Minha filha! Que bom ver-te! Ao menos aqui há um rosto humano no meio desta gente.

Ai que exagero, Dona Antónia… São todos bons!

És ingénua, rapariga! Não te enganes! Eu já vivi muito Não me puxes para aí.

Nem penso nisso! Venha para o quarto, antes que assuste o pessoal todo!

Que se assustem! Faz-lhes bem!

Ai, Dona Antónia, como é possível?

Pois, mas pior é a minha gata! Isso sim, é raio com pelos.

Benedita ria, esquecia a gata, mas devia ter ouvido!

Da próxima vez que Antónia Maria deu entrada, vinha estranhamente calada, sem discutir com ninguém, apenas seguiu a Benedita até ao quarto, virou-se para a parede, e murmurou:

Vai lá, Benedita… depois falamos…

Horas depois, já Belndita sabia do diagnóstico e que Antónia Maria viera sozinha ao hospital.

Virou-se contra os filhos, coitada! A vida… assim é: arrefece-se em casa, ninguém vai ao quarto buscar água à velhice!

Nunca se deve julgar, mas Benedita guardou a frase no bolso.

No fim do turno, espreitou o quarto.

Precisa de alguma coisa, Dona Antónia?

Ela ficou a olhar, deixando-se ficar. Prestes a sair, Benedita ouviu:

Benedita, vais achar estranho, mas queria pedir-te uma coisa… Não sei bem como… Nunca fui de pedir, sempre de exigir. A minha mãe ensinou: queres alguma coisa, corre atrás. Agora, não posso…

Diga lá! Peça à vontade.

Tenho uma família tão grande, e a verdade é que não confio em ninguém. A vida passou, eu a correr, tudo a tratar dos outros, pouca alegria. Só problemas. Achei que mudava isso nos meus filhos, mas afinal estraguei tudo… Já estão com do olho na minha casa antes de partirem as jarras do móvel dos anos 80. Eu dei tudo: casa, ajudei nos estudos, fiquei com os netos… Agora, não sirvo para nada! Só um pedido. Fica com a Marquinhas, sim?

Quem?!

A minha gata! É traída, mas boa. Inteligentíssima, nem sabes! Sabia logo que vinha para aqui, tentou impedir-me de sair… percebe tudo…

Benedita gelou. Adorava animais, mas em casa nem gatos nem cães a avó, as despesas, aquela vida curta de quem anda sempre justo. Mas a olhar para aquela mulher, Benedita não teve coragem de negar. A gata devia ser a última gota de felicidade da Dona Antónia. Estranho? Talvez. Mas quem era ela para julgar? Cada coração é um segredo. Se pode dar um bocadinho de sol a alguém, não vai virar as costas só porque é complicado.

No fim do turno, confirmou com a mãe, apanhou autocarro e foi buscar a gata.

Só fico com ela até voltar, Dona Antónia! Depois recupera a Marquinhas.

Claro, menina, claro…

Pela primeira vez, parecia uma velha como qualquer outra não um autêntico furacão.

Chegada ao prédio, Benedita hesitou. Tinha as chaves mas ir sozinha parecia estranho. Deu umas voltas e tocou à porta da vizinha.

Sim? uma moça, bébé ao colo.

Desculpe, vim buscar a gata da Dona Antónia. Pode esperar um minuto à porta enquanto a apanho?

Ir lá sozinha? Bem pensado! Aquela mulher é um caso. Mas vá, nós esperamos. Não é, Francisquinho?

O bebé grunhiu o acordo. Pronto: Missão Marquinhas.

Benedita abre a porta: zás! Mete-se logo uma coisa preta em fuga, escadas abaixo. Só teve tempo de ouvir:

Fecha, que foge! Cuidado, arranha, e se a apanhares… boa sorte!

Já na rua, vê dois carregadores a levar mobília.

Viram uma gata?

Um deles aponta, a rir-se: Subiu à árvore!

Enquanto os outros se riam da caçada.

Benedita nem via bem a gata no escuro das folhas, só ouvia bufar e gemer.

Vem cá, Marquinhas, mi mi mi…

O que veio foi um berro.

Bicho danado! suspirou. Tinha de trepar. E trepou…

Quando a gata finalmente apareceu, Benedita agarrou-a pela pele do pescoço:

Larga a árvore!

Sim, ameaçou, mas achou melhor não meter ideias. Vai que a gata entende!

Só que, agora, é que viu: subir foi fácil descer com a gata e tudo é que eram outros quinhentos. O ramo era mais alto do que parecia e Benedita lembrava-se bem o quanto odiava alturas. O telefone tocava sem parar, mas nem se mexia.

Gritar por ajuda? Nem pensar que vergonha!

Então, estás confortável aí em cima?

Uma voz sorridente, desconhecida. Sobressaltada, quase voou da árvore.

Espera, não saltes! Eu já te tiro daí!

Não se preocupe, estou ótima, posso ficar, sim!

Sarcasmo logo validado com um hummm… antes do rapaz ir buscar uma escada, não se sabe onde.

Voltando, encosta-a ao tronco:

Anda, ou queres dormir aí?

Benedita só respondeu com a cabeça, olhos fechados.

Tenho medo…

Mas não acabou a frase alguém a puxa, sente-se na escada, e só depois pisca os olhos de perceber como ali chegou.

Vá com calma, estou aqui!

Desceu devagar, os braços dele sempre a apoiar.

Mal sentiu o chão, Marquinhas quis saltar, mas Benedita já estava esperta e, num golpe, a gata voltou para debaixo do casaco, bem aconchegada.

Quietinha! Prometi à dona.

Tens mão firme…

O rapaz, magrito, riso de quem desafia o mundo, olha-a sem cerimónias.

Queres que te acompanhe?

Obrigada, mas não é preciso! respondeu, mas logo se corrigiu, afinal…

Oh santa parvoíce! Ele tomou frio, arranjou escada, salvou-a da árvore e ainda lhe oferecia companhia. Lá agradeceu:

Desculpe, obrigada! Se não fosse por si, ainda lá estava deitada ao relento…

Porquê?

Medo das alturas!

Então para que sobeste?

Por causa da gata… desculpe, tenho de ir, a mãe já deve estar preocupada.

Podemos tratar por tu? Depois deste episódio, acho bem. Chamo-me Tiago. E tu?

Benedita.

E lá foram, ele insistiu em acompanhá-la até casa, conversa fácil, sorrisos a cada paragem, e Benedita nem sentia frio. Um calor diferente, leve, acompanhava cada palavra do Tiago, coisa de filme.

A gata sossegada, como quem não queria estragar aquele momento, nem um miado deixou escapar. Sentia bem o que era coisa rara, este calor às escondidas.

No dia seguinte, Tiago espera-a à saída do hospital. Foram escolher ração para a Marquinhas, claro: a gata era uma madame, só comia o que lhe apetecia.

Benedita ficou com a gata uma semana, até que a filha de Antónia Maria veio buscá-la:

A minha mãe sente tanto a falta dela. Vão ficar juntas.

Vai ficar com a sua mãe, então?

Claro, é a minha mãe! E obrigada…

Benedita acenou, pensativa. Família é sempre um quebra-cabeças por montar não se sabe nunca o lado certo das peças. Cada um carrega os seus escuros, os seus gatos e os seus amores. E pensar que entende tudo de fora é só ilusão.

O melhor? Ir construindo a própria vida. Sobretudo se, de repente, se aparece alguém para segurar escadas e gatos ao final do dia. Ninguém é assim ou assado para quem gosta de verdade. E nunca mais ouvirá que Benedita não é como as outras. Porque, para alguns, o melhor do mundo é a Benedita tal como ela é.

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