Olha que já chegámos! Vamos lá descarregar as coisas disse o motorista, estacionando a carrinha junto a um velho portão de madeira e desligando o motor.
Emília sacudiu com delicadeza a pequena Madalena, que dormia profundamente com a cabeça encostada ao seu ombro.
Filha, já chegámos. Tens de acordar.
Ainda meio zonza, Madalena esfregou os olhos e tentou espreitar a casa através do vidro.
Mãe, é aqui que vamos morar agora?
É, meu amor. Anda daí. Temos de descarregar tudo e ver o que nos espera.
Emília saltou do degrau, pegou a filha ao colo, e logo deu à volta ao camião. De trás surgiu o Martinho, que os tinha seguido no próprio carro dele.
Está tudo bem?
Sim. Onde estão as chaves?
Toma o ex-marido entregou-lhe um molho de chaves. Os papéis da casa estão em cima da mesa. Deixas o que faltar no sábado, quando vier buscar a Madalena. Como combinámos.
Está bem.
Dou uma ajuda a descarregar, mas depois tenho mesmo de ir. Ando cheio de trabalho.
Emília acenou. Ainda andava de coração apertado, mas sabia que não havia volta a dar: avança-se. De preferência sem dramas.
Viveram juntos cinco anos, ela e Martinho. Há cerca de um mês soube que ele tinha outra. E não era apenas uma distração: o caso era mesmo sério, aquela nova vida já estava planeada… E família vinha aí.
A princípio, Emília sentiu-se a viver numa espécie de realidade paralela, como se tudo tivesse ficado enevoado. O que fazer? Para onde virar? Não conseguia pensar em nada disso. No dia anterior tinha um companheiro, estabilidade, um lar. Agora, nada. Pior: a confiança nos outros dissolvera-se por completo. Se até o homem em quem mais confiava era capaz de a trair assim, o que poderia esperar dos restantes? Nunca tinham grandes discussões, davam-se bem. E nem sequer percebeu que algo estava errado!
O choque foi total. Desmoralizante.
Mesmo assim, Emília continuava a cuidar da filha, a ir trabalhar, a tratar da casa mas era tudo como se funcionasse no automático. Pensar no futuro estava fora de questão.
A casa onde viviam antes era dos pais do Martinho.
Por família, Emília só tinha uma tia, a dona Lúcia, numa cidade não muito longe. Era o seu único parente. Como nem sempre podia ir vê-la, contratou uma vizinha para cuidar dela, fazer as compras, tratar dos medicamentos, ver se estava tudo bem. Emília herdara um pequeno apartamento dos pais, que arrendara, e dividia o rendimento entre ela e a tia Lúcia. Muitas vezes sugeriu à tia para trocar a casinha dela por um apartamento mais perto, mas ela não aceitava.
Martinho, ao assumir a traição, sabia que a mulher não faria escândalos. Conhecia-a. Resolvia-se a coisa em silêncio. E quando finalmente não pôde esconder mais porque alguém foi contar tudo à Emília , chegou a casa, esperou que a filha adormecesse e chamou-a à cozinha.
Já sei que sabes de tudo. Não me vou justificar começou ele. Temos de pensar é na menina. Não pode ficar afetada com isto. Ainda não tens ideia do que queres fazer agora?
Não faço a mínima… respondeu Emília, abraçada à chávena, os olhos fixos na mesa.
Por dentro era uma tempestade de emoções. Perguntas como “porquê?” e “para quê?” não largavam a cabeça. Mas por fora, nada transparecia. Não queria mostrar ao Martinho como se sentia. A dor era tanta que quase nem respirava. Mas, em parte, ele tinha razão: a Madalena vinha primeiro.
Se calhar temos de cancelar o contrato com os teus inquilinos, vender a casa ou assim…
Não, deixa estar. Eu sinto-me culpado contigo e com a Madalena. Falei com os meus pais e… Que achas de te mudares para o outro lado da cidade?
Para onde?
Sabes que a minha mãe ficou com aquela casa dos avós, lá na terra ao lado. Está velha, precisa de obras, mas é sólida e confortável. E a tua tia Lúcia mora na rua de trás, não é? A mãe quer passar a casa para ti e para a tua filha. O que dizes?
Queres “pagar-me” com uma casa? Emília esboçou um sorriso irónico, pensando melhor.
No fundo, seria o melhor a fazer. Evitava cruzar-se com o ex e a nova amante na rua. E, além disso, tudo o que era habitual à volta dela agora só lhe trazia tristeza. Ganharia sossego, ficava perto da única família que lhe restava. A Madalena era pequena e precisava de vigilância. O Martinho dificilmente estaria tão presente como antes. Era tempo de arregaçar as mangas e procurar trabalho.
Emília assentiu, decidida:
Aceito.
Pronto, combinado Martinho levantou-se. Amanhã vais com a minha mãe ao notário. Ela liga-te. Vou andando então.
Ao sair, hesitou na porta. Sem olhar para trás, disse baixo:
Desculpa… Nunca foi minha intenção magoar-te assim.
Emília permaneceu em silêncio. Fechou a porta, escorregou para o chão encostada à parede, e chorou baixinho, mordendo o punho do casaco para não acordar a filha.
Aquilo não era um choro qualquer. Era um lamento. Lembrava-se de ver documentários sobre lobas feridas, e agora sentia-se exatamente assim.
Chorou muito. E pareceu-lhe que, com as lágrimas, lavou toda a raiva ao Martinho. Só ficou um vazio, um buraco no peito. E a certeza de que precisava, urgentemente, de algo bom para preencher esse espaço. Se não, nunca mais sairia daquele abismo.
Meses complicadíssimos se seguiram. Emília focou-se só na mudança e no que era preciso para recomeçar.
E agora, ali estava, diante do portão torto da nova casa, a encarar um jardim que mais parecia uma floresta nem se via o telhado da casa, quanto mais a entrada.
Madalena puxou-lhe a mão:
Ó mãe, anda lá! Bora ver a casa!
Foram pelo caminho, contornaram uma macieira e… pronto, lá estava ela.
Nada mal, pensou Emília. A casa parecia cansada, mas era visivelmente robusta, com um pequeno sótão e uma varanda espaçosa de vidros coloridos. Enquadrada no jardim outonal, até fazia boa figura para fotografia. Emília tirou a câmara da bolsa e fez uns disparos. Olhando para o novo lar, percebeu que até gostava daquilo. O trabalho que havia para fazer era exatamente o que precisava para se animar. Madalena olhava, boquiaberta, o polegar metido na boca. Emília puxou-a pelo pompom do gorro:
Tira lá o dedo da boca, menina! Gostaste do nosso cantinho?
Mãããe, é lindo!
Concordo. Vamos ver o interior e decidir onde vais dormir.
Quero ir já!
Subiram os degraus e passaram para dentro. Um corredor largo, portas para a cozinha e quartos. Emília explorou, avaliando onde encaixar tudo. Era uma casa pequena, com cozinha, duas divisões no piso térreo, uma no sótão, e uma sala grande de refeições, com uma mesa redonda debaixo de um abajur antigo coberto por uma chaleira de renda. Estava um pouco húmida parecia que há muito não era aquecida. Mas mesmo assim, Emília sentiu um acolhimento imediato.
Emília! Já descarreguei tudo e acertei contas com as pessoas da carrinha chamou Martinho à porta da sala. Vem cá que te mostro como funciona o aquecimento e a caldeira.
Depois de lhe explicar tudo, Martinho despediu-se e saiu.
Emília foi para a cozinha.
Pôs água a ferver e tirou os recipientes da mala para dar almoço à filha. Pôs o assado a aquecer e foi buscar os produtos de limpeza para lavar a mesa.
Era uma cozinha pequenina, mas simpática. Duas janelas enormes davam para o jardim. Só se ouvia a Madalena a balbuciar, sentada à mesa, a olhar para os móveis e o abajur colorido.
De repente, ouviu-se uma pancada na janela. Madalena gritou, Emília sobressaltou-se. No parapeito estava um gato enorme, ruivo.
Atenção, senhor felino, está a tentar matar-nos do coração? Emília riu, aliviada. Olha, Madalena, que bonito!
O gato olhava-os de olhos arregalados.
Então, ficas aí a olhar para mim? Se queres entrar, eu arranjo-te um petisco.
O gato saltou e desapareceu.
Tem de ser convidado riu-se Emília. Madalena, vai lavar as mãos! Hora de almoçar.
Foi quando se virou que se assustou: o gato já estava no limiar da cozinha.
Mas como entraste? Deixei a porta fechada!
O gato não se moveu. Era destemido e olhava de forma tão expressiva que até Emília teve de sorrir.
Ela tirou um pedaço de frango do tupperware, cortou aos bocadinhos e colocou num pires antigo:
Anda, serve-te.
O gato avançou majestoso, comeu com calma e dignidade.
Emília foi verificar as portas. Estavam fechadas, mas reparou numa pequena passagem feita de propósito para gatos, ali no fundo da porta principal.
Assim é fácil pensou. O convidado já conhecia os truques da casa.
Quando regressou, Madalena já estava sentada ao lado do gato, a contar-lhe coisas. Ele ouvia, atento. Pela primeira vez em muito tempo, Emília soltou uma gargalhada:
Conversadores de serviço!
Filha e gato olharam-na ao mesmo tempo, e por uma fração de segundo pareceu-lhe que o gato encolheu os ombros tal e qual a filha. Foi tão engraçado.
Alguém bateu à porta. Emília fez sinal à Madalena:
Fica aí! e foi abrir.
Boa tarde! Sou a sua vizinha, Paula Graciana. Ou só Tia Paula, como todos aqui chamam. Toma entregou-lhe um frasco de leite fresco. Da minha cabra, é só o melhor! Força aí, beba e seja bem-vinda.
Obrigada! Emília ficou meio atrapalhada, mas rapidamente entrou no espírito. Eu sou a Emília. Prazer! Isto ainda está quentinho! Muito obrigada! chamou-a a entrar. Venha tomar um chá comigo.
Tia Paula aceitou logo e entrou.
Emília pousou o frasco na cozinha, e Madalena apresentou-se:
Olá! Eu sou a Madalena.
Muito gosto, menina! Eu sou a Tia Paula.
Gosta de animais? Sabe de quem é este gato?
Ora, se sei! É cá um patife, meu! Chama-se Sebastião. Não lhe dê muito petisco, senão estraga-se e não faz o trabalho dele que é caçar ratos, que bem precisa.
A sério, temos ratos?! Madalena arregalou os olhos.
Sempre há ratos nas casas de campo, especialmente no outono. Por isso é que…
Mamã! Precisamos MESMO do Sebastião! Quer dizer, de um gato cá em casa!
Emília sorriu.
Devagar, filha! Vamos ver. Tia Paula, conhece alguém que queira fazer algum trabalhinho? Tenho jardim e a casa para arranjar. Sozinha não vou conseguir. Precisava de uns braços de homem.
Tenho quem te recomende, claro! Vai falar com o Senhor Joaquim Constâncio, vive três casas depois da tua, o portão verde. Homem de confiança, faz tudo o que precisares e não pede balúrdios.
Obrigada! Ai, mas repare posso oferecer-lhe um chá? Ainda só agora chegámos, mas tenho bolachas e um pacote de rebuçados.
Não digo que não riu a Tia Paula.
Enquanto bebiam chá, Tia Paula foi-lhe contando histórias do bairro, da família dela, e depois perguntou:
Emília, o que te trouxe até esta casa?
Calhou-me como herança tentou Emília ficar neutra, sem comentar mais nada. Não tinha vontade de contar detalhes da vida privada.
Sabes, já vai para vinte anos que esta casa estava fechada. Os mais novos já nem se lembram, mas os antigos dizem que é uma casa… estranha.
Ai, não me assuste! Porquê?
Nada de especial, não te preocupes. O problema é que nunca ninguém cá ficou muito tempo. Uns adoeciam, outros tinham azares, outros não viam felicidade nenhuma… Assim ficou a fama. Um comerciante rico construiu-a para a noiva, mas ela morreu de febre antes de completar um ano de casada. Ele vendeu a casa e nunca mais nenhum inquilino cá parou muito tempo. Tem quase cem anos a casa, foi restaurada às vezes, mas pronto, não pega vida fácil a ninguém.
Emília ficou a rodar a colher de chá entre os dedos.
Que interessante… Mas é o que temos! Vamos ver no que dá sacudiu a cabeça, decidida. Nós, mulheres, não nos assustamos assim! Né, Madalena? Há de correr tudo bem, cá estaremos para enfrentar o que vier.
Passaram-se assim uns meses.
Emília ambientou-se facilmente ao novo sítio. Madalena foi para o infantário, Emília arranjou trabalho no estúdio fotográfico local e começou a ganhar algum dinheiro a fotografar festas. A fotografia sempre foi o seu hobby, e até tirara um curso durante a gravidez. Essas competências deram agora muito jeito.
Com a ajuda do Senhor Joaquim aconselhado pela Tia Paula, que um dia o trouxe lá tratou do jardim, descobriu árvores de fruto e arbustos que, bem cuidados, dariam para encher a casa de fruta e compotas. Depois foram arranjando telhado, varanda, escadas. Demorou, mas valeu a pena.
A casa ganhou vida, ficou aconchegada. Emília, muitas manhãs, saía à varanda com uma caneca de chá quente e passava a mão na madeira renovada do corrimão, feliz por perceber que agora aquele era o seu lugar de paz.
Assumiu o cuidado da tia Lúcia, e todos os dias, a seguir ao infantário, ela e Madalena passavam na casa da tia antes de regressar. Sentia, no fundo, que a decisão de se mudar fora completamente acertada. A vida acalmou, já nem sentia mágoa do Martinho, de resto.
Ele ia ver a filha frequentemente, e Emília aceitava. Nunca deixou de ajudar; as coisas simplesmente mudaram de maneira. Emília achava inútil remoer o passado. Decidiu, em vez disso, garantir que a Madalena sentisse sempre que tinha mãe e pai, mesmo separados, mas que ambos a amavam.
Tia Lúcia deu-lhe força:
Fazes bem, minha querida! Não guardes rancores. Mesmo uma tristeza pequena, trazida sempre ao colo, parece um horror. Esquece o que é mau! Fica-te só com as coisas boas: olha a filha linda que tens. Isso é o que importa guardar. Não estejas a sentir raiva do Martinho. Não lhe faz diferença, mas corrói-te a ti. E tu fazes falta feliz à tua menina! Ela repara em ti. Absorve tudo. Muitas vezes não ligamos às crianças, mas elas sabem tudo, notam tudo… Que recordações queres deixar à Madalena desta fase? Quem queres que ela se lembre de ter como mãe?
Emília concordou em silêncio.
Aos poucos, foi conhecendo todos os vizinhos. Puxou-lhes a amizade, os miúdos começaram a ir lá a casa. Madalena arranjou amigos, as mais velhas também apareciam para dois dedos de conversa e chá.
Foi assim que Emília conheceu a Dona Amélia, uma senhora mais idosa da rua, que a ensinou a fazer pão caseiro. Madalena adorou deixou de torcer o nariz ao leite desde que o pão quente apareceu à mesa com as suas bigodes de leite a cada manhã.
Depois fez amizade com outro vizinho, o senhor António, que apareceu em apresentação com uma tigela de morangos “gigantes”, como nunca tinha visto:
É uma variedade inglesa. Quando quiseres, ensino-te a plantar.
Com o jardim e a varanda arranjados, Emília pôs lá fora uma mesa grande, limpou os vitrais coloridos e encerou o chão de madeira. Num canto, ficou uma cadeira de baloiço, a favorita da Madalena, que todas as noites se aninhava ali, abraçada ao traquina Sebastião o gato ruivo que desde o primeiro dia decidiu que teria dois lares. Era, agora, ritual Emília levantar-se cedo e verificar o alpendre, pois um dia tinha lá tropeçado numa fileira de ratos mortos. O Sebastião era cumpridor e, ao que parecia, sentia-se de casa.
Das vizinhas, a única que Emília não suportava era a Zélia. Um pouco mais velha, era muito chata e muito dada à bisbilhotice. Não dizia só mal era campeão das más-línguas. Emília não percebeu logo, mas depois começou a evitar o contacto, fugindo assim que ela abria conversa.
Tia Paula, como é que me livro da Zélia? queixou-se. Não calo aquela mulher.
Nem tentes. Se a deixas de entrar em casa, ela põe-te a vila em alvoroço toda a gente já a conhece aqui. Eu afastei-a com os meus gatos ela é muito alérgica.
Hum, se calhar arranjo um cão ou outro gato…
Zélia depreendeu rapidamente que Emília era ouvinte paciente e que, pelo seu feitio, nunca a mandaria embora. Por isso, não deixava de lhe aparecer em casa.
Emília servia-lhe chá e suspirava, desligando mentalmente, tratando de não prestar atenção às lengalengas.
Passado algum tempo, Emília reparou numa coisa estranha: sempre que Zélia aparecia, algo lhe acontecia.
Da primeira vez, rasgou a saia num prego que apareceu, não se sabe de onde, no corrimão. Emília jurava que o Joaquim tinha acabado de passar lixa e nada podia estar ali!
Outra vez, Zélia sentou-se ao lado do banco e caiu redonda no chão impossível, dado o espaço.
Não se sabia se era por isso, ou porque arranjou quem a escutasse melhor, mas passou a aparecer menos vezes.
Um dia, a cortar as sebes, Emília ouviu, sem querer, uma conversa entre Zélia e Tia Paula.
Aquela não engana ninguém. Mora ali com a filha e nem um homem? Não acredito nada! A casa está sempre em ordem, o jardim limpo há de ter visita, não é possível não se ver ninguém!
Zélia, menos. Toda a gente sabe que foi o Joaquim que ajudou, a Emília pagou-lhe. Para quê inventar?
Aquela casa? A vila toda sabe que é amaldiçoada! Ela ainda lá está feliz, eu cá não percebo… E o povo todo vai ter a casa dela, ninguém me aparece na minha. Não entendo!
Só porque as pessoas boas atraem boas companhias, Zélia. A Emília é boa pessoa, por isso tem quem goste dela. Agora vai à tua vida, que tenho de tratar do leite.
Emília afastou-se, a sorrir. Há pessoas e pessoas nesta vida…
Maaaãe, onde estás? Madalena chamava do alpendre.
Aqui, meu bem! Já acordaste? Foste lavar a cara?
Espera! Olha!
Emília seguiu o olhar da filha. Sebastião vinha pelo jardim, a arrastar pela pele da nuca um gatinho igualzinho a ele, mas pequenino. Parou junto à Emília e, com um olhar sério, deixou ali o filhote. Emília pegou nele com todo o carinho, recebendo o presente miador do amigo felino.
Obrigada, Sebastião. Achas mesmo que é preciso?
O gato miou como quem diz que sim, e foi-se embora, indo visitar a Tia Paula. Trabalho feito.
Então, Madalena, parece-me que vais ter mesmo um novo amigo. Como lhe vamos chamar?
Sebastiãozinho!
Emília levantou o pequeno ao nível dos olhos.
Bem-vindo, Sebastiãozinho! Vá, meninas, vamos lá dentro, que o pequeno almoço espera.
A Madalena riu-se, empurrou a porta da varanda, e lá de dentro vinha aquele cheirinho quente que agora já era o deles.






