Quando a Dor Fala

– Matilde, filha, eu compreendo, mas não temos alternativa. Vai ter de ser. Somos obrigadas a vender a casa. E depois de dividir o dinheiro, só vai chegar para um apartamento noutro bairro. Eu também queria ficar aqui, mas não conseguimos. Joana segurava as mãos da filha e de vez em quando limpava as lágrimas, tanto dela como as suas.

As mudanças estavam a ser bastante duras para elas.

Joana e o marido, Tiago, tinham vivido juntos quase dezassete anos. Não foi sempre fácil, claro, mas amavam-se, e qualquer discussão acabava logo, nunca chegando a sério. Joana cresceu com a avó, que sempre lhe dizia sobre a vida em família: “Em casa tem de estar quentinho! O homem não pode procurar outro lugar onde se sinta melhor compreendido, acarinhado, aceite. Tem de ser contigo que ele está bem. Faz com que a tua casa seja boa para todos: marido, filhos, amigos, animais. Todos!

No início, Joana só acenava com a cabeça, sem compreender bem, mas sentia que aquela era a maneira da avó transmitir o seu legado. O lar da avó era assim: aconchegante. Até ao dia em que o avô foi levado pelo rio enquanto tentava salvar o filho e a nora, que tinham sido apanhados pela corrente quase à beira da quinta, num ribeiro pequenino. Só os habitantes sabiam como era traiçoeiro, com redemoinhos escondidos. Maria do Carmo, a avó, nunca se perdoou por não ter perguntado aos vizinhos sobre o rio. Achava que, se tivesse tido mais cautela, estariam todos vivos. Durante anos, Joana repetiu que ela não era culpada. Mas a avó não lhe dava ouvidos.

Depois daquele dia, Maria do Carmo pôs o luto de lado para cuidar da neta. Percebeu que a menina precisava de vida, alegria, não de tristeza. Só se permitia chorar no cemitério, umas poucas vezes por ano, desabafando ali toda a dor e prometendo, de novo, que haveria de fazer a neta feliz.

E cumpriu. Deu-lhe casa, conforto, bons estudos, viu-a casar e chegou ainda a acarinhar a bisneta antes de adoecer. Joana ficou mesmo só. Não tinha mais família.

Mais tarde, Joana percebeu que a avó tinha muita razão: a casa devia ser um refúgio feliz. Só que, para além disso, há exceções…

Joana e Tiago não tinham muitos motivos de discórdia. Praticamente só havia um tema. Um cliché, até: a sogra.

Dona Inês era o exemplo daquela mãe à portuguesa, daquelas que só o que eu penso é que está certo, ponto final.

Tiago foi-lhe difícil. Era o sexto filho e o único que ela levou até ao fim da gravidez. Se havia amor e mimo, era para o Tiago que ela dava tudo, da forma que sabia.

Tiago gostava da mãe, por isso não sabia contrariá-la. Usava a estratégia de ouvi-la em silêncio e, depois, fazer como sempre tinha decidido.

Quando conheceu Joana, adiou o encontro dela com os pais o mais possível. Só a apresentou à avó, Maria do Carmo, quase logo de início. Contou-lhe porquê só quando ela se ofendeu:

– Estás a esconder-me? Não sou merecedora de conhecer os teus pais? Dizem-me que sou tudo para ti, falas em casamento… e eu nunca vi a tua família.

Tiago abraçou-a e disse:

– Tenho medo que te vás embora.

– Que disparate! Eu vou casar contigo, não com a tua família!

Como estava enganada…

No dia em que a conheceu, Dona Inês olhou-a de alto a baixo e perguntou:

– Filha, quem é a tua família?

– A minha mãe dava aulas na faculdade de medicina e o meu pai era médico. Mas morreram quando eu tinha cinco anos. Fui criada pela minha avó.

– Ah Percebi.

Mais não lhe disse nesse serão. Com o tempo, Joana percebeu que seguia a mesma tática do marido e do sogro: era ouvir a sogra, sorrir e seguir a sua vida. Mas nem assim melhorava. Via Tiago constantemente dividido, a tentar agradar a todos e a trazer paz à família. Até que Joana cansou-se de fazer esse esforço constante, pediu ao marido para reduzir o contacto com os pais ao mínimo. Tiago acenou, exausto.

Tudo piorou depois de o sogro morrer. O pai de Tiago sucumbiu rapidamente ao cancro, e Dona Inês deixou claro a quem competia agora cuidar dela. Tiago percebeu logo o recado. Começou a ir para casa só perto da meia-noite, pois todos os dias, à saída do trabalho, parava sempre primeiro na mãe. E seria sempre assim, não fosse a pequena Matilde, já com três anos, começar a queixar-se de nunca ver o pai. Começou a distanciar-se dele, por sentir-se magoada.

– Ela sente a tua falta, Tiago. Quase só te vê aos fins de semana. Joana via que era penoso para o marido, mas precisava de agir antes que Matilde perdesse mesmo o laço com o pai.

Joana perdeu a paciência. Afinal, Dona Inês era saudável, ainda trabalhava, ia a teatros e exposições à força de arrastar o filho com ela. Ok, precisava de companhia, mas não podia privar a filha do pai. Joana encarava como um sacrifício injusto. Aguentava ficar sozinha ao serão, mas recusar isso à filha, não.

– Tiago, precisamos resolver isto. És importante para a Matilde. E para mim também. Disse ela, encostando-se ao marido. Tenho saudades…

Deu-se uma grande discussão, mas Tiago conseguiu negociar só visitar a mãe duas vezes por semana. Com o tempo, Dona Inês acabou por aceitar ou deu esse ar, pelo menos.

Uma vez, na creche, pediram a Matilde que desenhasse a família como se fossem personagens de conto de fadas. Não demorou muito a terminar em casa, enquanto a mãe lavava a loiça e tratava da roupa. Quando Joana espreitou o desenho da filha, chamou Tiago a rir-se:

– Tiago, vem cá ver isto!

Quando Tiago viu o desenho, desatou-se a rir no sofá. A pequena Matilde olhava para os pais, ofendida por não perceber a graça. Acabou a chorar, magoada:

– Eu esforcei-me tanto! E vocês…

No desenho, o pai era um cavaleiro corajoso, a mãe uma princesa, o avô um duende da floresta, a bisavó uma macieira de frutos dourados, mas a avó Bom, apareceu como um dragão de três cabeças! Matilde ainda tentou desenhar o fogo, mas o lápis amarelo partiu-se.

Matilde não gostava da avó Inês. Quando aparecia em casa, o que, felizmente, era só em festas, Matilde só queria fechar-lhe a porta na cara. Não percebia a razão, mas sentia, com clareza de criança, que a avó não gostava da mãe e fazia por a magoar, mesmo com palavras cuidadosas. Matilde não sabia como proteger a mãe, tentou até empurrar a avó para fora de casa uma vez, mas o pai segurou-a.

– Tua filha é muito mal criada, Tiago! Indignou-se Inês.

Nesse serão todos ouviram, mas a avó Inês deixou quase de vir, até nos feriados. O pai preferiu assim. Passaram a visitá-la de vez em quando, mas Matilde fugia sempre dessas idas. Quanto mais crescia, mais percebia. O autoritarismo da avó era sufocante. Sentia que não podia respirar perto dela. Mas só percebeu mesmo a avó depois do pai partir.

O Tiago morreu de repente. No trabalho, nem tiveram tempo de chamar o INEM. Um enfarte massivo, aos quarenta e quatro anos.

Quando Joana soube, estava a trabalhar numa ourivesaria. Caiu e desmaiou, batendo na montra de joias. As colegas chamaram o 112 e tentaram acalmá-la como podiam.

O mundo parou para Joana. Não conseguia pensar nem agir. Os amigos do Tiago trataram de tudo, garantiram que a Matilde tinha quem cuidasse dela, comida na mesa, ordem em casa, e nunca lhe faltava mãos amigas com chá ou caldo.

Umas duas semanas depois do funeral, Joana sonhou com a avó.

– Avó! Que saudades! tentou abraçar Maria do Carmo, mas esta recuou, séria.

– O que andas tu a fazer?

– A quê, avó?

– Onde está a Matilde?

– De certeza que está a dormir…

– Anda, vou mostrar-te! A avó levou-a ao quarto da filha, apontou para a cama:

– Dorme, dizes tu? Matilde chorava baixinho, enfiada debaixo do edredão. – Joana, acorda!

Acordou sobressaltada, certa de que ainda sonhava, porque ouvia os lamentos da filha. Só depois de se recompor percebeu que era real. Correu para o quarto da Matilde:

– Filha, não chores. Estou aqui. Sempre vou estar!

Matilde virou-se para a mãe e apertou-a com força.

«Obrigada, avó… Como pude? Nunca me deixaste, estiveste sempre aí. Eu vou conseguir… Agora estou bem…»

De manhã, Joana levantou-se devagar, para não acordar a filha, e foi para a cozinha. Matilde acordou com o cheiro das panquecas que só a mãe sabia fazer. O aroma a baunilha invadia toda a casa. Matilde apareceu na cozinha, de robe.

– Mãe?

– Bom dia! virou-se Joana, sem a fita preta que não tirava, nem de noite. Vai lavar-te, vamos tomar o pequeno-almoço, depois levo-te à escola.

– Já é tarde?

Joana apagou o gás e abraçou a filha.

– Está na hora, querida! O pai queria que fôssemos felizes, que houvesse alegria na nossa vida. Ele amava-te tanto… Joana quase perdeu a voz, mas recuperou. E também me amava. E se era isso que ele queria, é isso que vamos fazer. Anda, despacha-te! Tenho de ir trabalhar, eu também!

Aos poucos, foram ganhando novos hábitos. Joana voltou ao trabalho, Matilde à escola. A filha começou a ajudar mais, fazia o jantar, punha tudo arrumado antes de chegar a mãe.

Dois meses depois, Matilde recebeu o cartão de cidadão. Celebraram discretamente, com um bolinho.

– Vê, pai, já sou crescida! Matilde mostrou o cartão à foto do pai na sala. Aposto que me puxavas a trança e dizias que era pequena…

Joana abraçou-a em silêncio.

Uma semana depois, receberam a visita de Dona Inês.

– Boa noite, Joana. Temos de conversar.

Não se viam desde o enterro. Nesse dia, ao aproximar-se de Joana, sussurrou-lhe:

– A culpa é tua! Se não fosses tu, ele ainda estava vivo! Tanto pedir, pedir… Só sabias pedir! Assim ele queimou-se de cedo… A culpa é tua!

Com a Joana já a perder cor, Denis, amigo de Tiago, puxou-a e levou-a para fora.

– Não ouças, Joana! Olha para mim abanou-a gentilmente , ouve-me! É o destino, nada mais. Todos temos o nosso tempo. Tiago amava-vos tanto…

Joana desabou ao ombro dele, pernas a tremer. Já não dormia, só conseguia beber uns goles de água que alguém lhe punha na mão.

Denis sentou-a no banco à porta da igreja, onde foi o funeral.

Assim ficou, até todos saírem e irem para os carros. Ao passar por elas, Inês ainda conseguiu dizer um palavrão bem português, sem pensar nos sentimentos da neta ali ao lado da mãe.

E lá estava agora, a sogra à frente dela, de lábios apertados, olhar cansado. Uma mulher gasta pela perda. Joana reparou nas olheiras, no rosto pálido, nas mãos a tremer, tentava controlar-se.

– Quer um chá?

– Não! Vim decidir contigo o que vamos fazer sobre a casa.

Joana achou que tinha ouvido mal.

– Como assim?

Aqueles anos todos, Joana e Tiago juntaram dinheiro para construir a casa. Estava grávida quando acompanhava as obras, e os pedreiros gozavam, mas protegiam a dona, em cada detalhe. Tiago ria-se:

– Contigo, ninguém brinca! Daqui a um mês mudamo-nos.

O dia em que entraram nessa casa ficou-lhe para sempre na memória. Era o seu ninho, construído e pensado a dedo, em cada cortinado, em cada divisão.

– Joana, mas essas cortinas são quase iguais às outras! O tecido também…

– Não percebes nada! O tom não é o mesmo!

Estas discussões faziam-na bufar e a Tiago só dava ternura.

E agora, diziam-lhe, só que ela já estava passada de raiva, que ali já não podia viver.

– Não aceito! Dona Inês arrumou as mãos no tampo da mesa. Vais ter de vender esta casa. Quero a minha parte da herança.

– Que herança?

– A que me cabe por lei. Vais dar-me tudo, cada cêntimo.

Não deram pela Matilde à porta.

– Vai-te embora! A menina estava à porta da cozinha, punhos fechados.

– O quê? Dona Inês, surpreendida. O que disseste?

– Vai-te embora! E nunca mais apareças!

– Como falas comigo? Eu sabia que eras mal-educada, mas nunca pensei tanto Em quem é que tu saíste…

– No meu pai! respondeu Matilde, ecoando pelo corredor.

– Não, és igual à tua mãe

– Não ouse! Nunca mais ouse insultar a minha mãe! Ainda acha que sou pequena, que não percebo? Acredite, percebo tudo. Levante-se e vá-se embora. Nós vamos pensar como fazer para não a termos de ver mais.

Matilde, sem se dar conta, tratava a avó por “você” com respeito, mas com distância.

Joana reagiu, abraçou a filha e levou-a para o quarto.

– Obrigada, querida, agora deixa-me tratar disto, vai lá ao teu quarto, beijou-a no cabelo e empurrou-a suavemente. Vai lá.

Quando regressou à cozinha, Dona Inês estava escandalizada.

– O que foi isto? Conseguiste pôr a miúda contra mim, nem acredito!

– Não pus ninguém contra si. Foi a senhora.

Dona Inês ainda ia protestar, mas Joana cortou-lhe o pio, num tom que nunca tinha usado com a sogra:

– Basta! A Matilde tem razão. Aqui não é bem-vinda. Vou falar com um advogado e aviso-a. Terá o que lhe pertence e depois cada uma para seu lado.

– Não tenhas ilusões! retorquiu Dona Inês.

– Não tenho. Só vou cumprir. Lamento por si! E, pela primeira vez, Joana olhou-a com pena. Vai ficar mesmo sozinha.

– Não é da tua conta! quase gritou, pegando na mala e saindo apressada.

Matilde ouviu a avó bater a porta e foi ter com a mãe, que estava na mesa, de cabeça nos braços.

– Mãe?

– Sim, querida… Joana limpou as lágrimas e olhou a filha.

– Isto é a sério? Vamos mesmo ter de sair?

– Não sei ainda. Vamos ver. Mas porquê estás aqui? Ainda tinhas aulas, e não me ligaste…

– Cancelaram Matemática, a mãe do Max trouxe-me. Não valia a pena ligar.

– Está bem, e trabalhos? Muitos?

A conversa desviou para coisas normais, e conseguiram afastar a tempestade.

– Mãe, porquê é que as pessoas não gostam umas das outras? Ficam zangadas, odeiam-se?

Estavam no sofá, encostadas uma à outra, com a televisão em fundo.

– Muitos motivos. É da avó que falas?

– Sim. Porque é que ela não gosta de ti, nem de mim…

– Não gostam de mim, isso percebo. Nunca fui do agrado dela.

– Porquê?

– Porque achou que eu ia roubar-lhe o filho.

– Ias?

– Claro que não. Queria construir uma família com ele, ter filhos tu , só isso. Achei que os pais gostariam de ter netos.

– Mas nem assim me quis?

– Não é bem assim. Ficou contente ao saber que ias nascer. Espera! Joana foi buscar um gorro bordado e uma manta de crochet. A tua avó fez isto para ti.

Matilde estudava os pontos, atenta.

– Demora tanto a fazer E tão bonito. Foi com crochet?

– Foi. Olha bem, são pontos muito delicados Ninguém faz isto sem sentir algo por dentro. Faz-se para quem se espera, para quem se deseja.

Matilde calou-se a pensar.

– Porque é que agora ela se porta tão mal?

– Não sei, querida. Acho que é da dor, da solidão. Às vezes não se consegue aguentar. Entra-se em desespero, e parece que tudo à volta é escuro e mau. Não fiques zangada com a tua avó. Ela está a sofrer. Faz as coisas erradas, mas é quando a dor fala por ela Tem pena dela, poucochinho. Nós temos-nos uma à outra, ela não tem ninguém.

Matilde mexia na manta sem dizer nada.

No dia seguinte, Joana ligou ao Denis a pedir um advogado. Ficou a saber que era mesmo preciso vender a casa. Já não tinha poupanças, tudo foi para a obra.

Nessa noite, falou com Matilde sobre procurar casa nova.

Mas Matilde tinha outros planos. De manhã, fingiu que ia para a escola e apanhou o autocarro até casa da avó.

– O que fazes aqui? Inês abriu a porta.

Matilde passou-lhe o gorro e a manta.

– O que é isto? A voz da avó fraquejou.

– É muito bonito. E eu sei que foste tu que fizeste, para mim.

– Entra lá…

Ao fim do dia, Matilde aproximou-se da mãe, que estava no computador a ver apartamentos, e abraçou-a.

– Mãe!

– Mmm? Joana nem tirou os olhos do ecrã.

– Não vamos precisar mudar-nos.

– O quê? Joana parou.

– Disse: não vamos precisar mudar-nos. Falei com a avó.

Joana olhou a filha, espantada:

– O quê???

– Fui lá, falei com ela. Ela vai abdicar da herança.

– Não estou a perceber…

– Disse-lhe que não queria que ela ficasse sozinha E que tinha duas opções: ou insistia na casa e eu esquecia que tinha avó, ou abdicava e eu continuava a ir vê-la.

– E que respondeu ela?

– Disse que sim Matilde pôs um embrulho à frente da mãe.

Joana abriu e ficou sem palavras:

– Que coisa linda!

– Vou levar este vestido ao baile de finalistas! Vai-me servir nessa altura.

Um vestido rendado, parecia feito de flocos de neve. Joana percebeu: era renda de agulha finíssima.

– Sabes o tempo e o trabalho que isto lhe deu, filha?

– Sei, mãe… Sei. Ela está mesmo mal e tem muita saudade do pai. Chorou, mãe

– Chorou? Dona Inês?

– Chorou

Joana ficou sem palavras. Ficaram em silêncio e ouviram o telefone a tocar, Joana tinha deixado-o a carregar na sala.

– Boa noite, Dona Inês.

– Boa noite. A Matilde contou-te o que falámos?

– Acabou de contar.

– Então já sabes que não vou reclamar a casa?

– Sei. Obrigada. E pelo vestido também, é lindíssimo. As suas mãos são de ouro!

– Não exageres! Amanhã, à uma, no notário. Ponho tudo por escrito. E, Joana

– Sim?

– A Matilde é uma menina muito bem criada!

Joana ficou a ouvir o toque de chamada durante uns segundos. Depois, voltou para a cozinha e abraçou com força a filha.

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