A Liberdade de Ser Quem Somos

A Liberdade de Ser Quem Somos

Sabes, às vezes pergunto-me o que teria sido se naquela altura não tivesse tido coragem murmurou Mafalda, mais para a chávena de café que segurava do que para o próprio marido. O fundo do café parecia conter todas as respostas que ela nunca tivera coragem de perguntar em voz alta.

João, sentado à sua frente com o portátil aberto, sentiu logo a mudança de ambiente. Tirou os olhos do ecrã, fechou o computador e fitou a mulher com a atenção de quem vai assistir a um daqueles momentos decisivos da vida.

Mas estás a falar do quê, Mafalda? perguntou, em voz baixa, inclinando-se ligeiramente, como quem não quer assustar um passarinho.

Mafalda ergueu os olhos, recuperou meio sorriso daqueles que vêm com um pedido silencioso de desculpa pelo desvio inesperado da conversa.

Imagina só: eu ficava em Aveiro, enfiada naquela contabilidade insípida que a mãe arranjou, confidenciou, despertando recordações já quase desbotadas. Todos os dias, a mãe e a avó com o mesmo sermão: Ó Mafaldinha, trata-te, senão ficas para tia! E eu nem punha um pé fora dali. Nem sequer te conhecia.

No seu timbre, dançava um misto de nostalgia e espanto, como se até hoje não acreditasse muito bem na reviravolta da própria vida. Parou de falar durante um instante, perdida nas curvas do destino.

João pôs o computador de lado, chegou-se mais e agarrou com delicadeza a mão de Mafalda gesto quente, tão seguro, como se dissesse sem dizer: vai tudo correr bem.

Ainda bem que não ficaste, sorriu. Porque tu és extraordinária. E não sei como era a minha vida sem ti.

Mafalda retribuiu o sorriso, mas nos olhos ainda reluzia uma sombra antiga ferida daquelas que só as palavras de quem amamos conseguem reabrir, por mais fundo que as enterremos.

Em miúda, Mafalda era cheiinha, de bochechas ruborizadas, que até davam vontade de apertar, e cotovelos com covinhas fofas um convite a festinhas e beliscões. A comida era o pequeno grande amor dela; não comia apenas por necessidade, mas por prazer um prazer especial pelos bolos de framboesa da avó: massas fofinhas, crosta estaladiça, recheio suculento e um bocadinho de açúcar a ficar nos lábios como batom doce. Mafalda era capaz de devorar um prato inteiro de filhoses ao pequeno-almoço, a acompanhar com leite morno, e depois ainda queria mais.

Os pais babavam.

Deixa a miúda ser feliz, trocavam olhares cúmplices à mesa. Há que aproveitar enquanto é tempo.

Não viam no apetite da filha motivo de alarme, só alegria pelo facto de ela comer com gosto, sinal de saúde e infância bem vivida.

Mas a avó, alta e ossuda, com olhar de raios-X e cabelo sempre impecavelmente apanhado, encontrava sempre motivo de crítica. Aos domingos, aparecia com o cheirinho a naftalina e meia dúzia de observações desagradáveis, inspeção total à neta dos pés à cabeça, como quem espera que ela tenha engordado mais uns quilos.

Mafaldinha, devias comer menos, dizia, abanando a cabeça com ar de quem conhecia um segredo terrível que todos fingiam ignorar. Olha para ti! Qualquer dia, nem passas pela porta. Quem é que quer casar contigo assim?

Na altura, Mafalda nem percebia a urgência do casamento. No seu mundo, os temas mais importantes eram os jogos no bairro, saltar à corda, inventar línguas secretas com as amigas, devorar livros de aventuras em terras tropicais onde cresciam frutas estranhas e habitavam tribos misteriosas; e sonhar, claro, com o dia em que faria as malas para partir, finalmente livre de quem lhe dizia o que devia ou não comer.

Mas aquelas frases da avó, recitadas com frieza de quem anuncia o boletim meteorológico, ficaram agarradas à memória como ferrugem. Ao início, Mafalda encolhia os ombros era a avó, e ela era perita em dizer disparates Mas com o tempo aquelas palavras ressoavam cada vez mais alto: tornaram-se um zumbido contínuo, que reclamava cada colherada extra, cada fatia de bolo, cada sandes devorada só porque sabia bem.

Começou a notar que os outros miúdos a olhavam de lado, às vezes até se ouvia um risinho abafado quando ela corria no recreio. Mafalda esforçava-se por não ligar, mas no fundo começava a nascer uma sensação indefinida de que havia algo de errado consigo. A sua alegria em comer, em viver até, era agora um segredo culpado, algo para disfarçar e pedir desculpa, muito baixinho.

Na escola ainda piorou. Ao início Mafalda tentou ignorar as bocas, dizia a si própria que eram parvoíces próprias da idade. Mas as piadas não desapareceram eram pedrinhas atiradas por um grupo de rapazes junto ao portão, sempre prontos a assobiar-lhe alcunhas à visita. Uns empurrõezinhos escondidos no corredor, uma gargalhada a marcar o momento em que ela mordia o pão no intervalo. Mafalda fechava-se ainda mais, por fora fingindo indiferença, por dentro a tremer.

As raparigas eram diferentes mas não menos cruéis. Nada de gritos ou encontrões era o sussurrar matreiro, os olhares de esguelha, o silêncio desconfortável assim que ela passava. Apanhava frases soltas: Outro camisolão, só para esconder ou Nunca faz nada para se arranjar!. Essas palavras, embora sussurradas, magoavam tanto quanto as outras, porque diziam à socapa o mesmo: não és suficiente.

Com o tempo, Mafalda passou a moldar-se às opiniões dos outros. Largou as roupas justas, vestindo camisolas grandes, saias compridas. No balneário da escola, despia-se à pressa para ninguém reparar no corpo. Até começou a arranjar desculpas para faltar à educação física: uma dor de cabeça aqui, uma ajudinha à professora ali.

Até as refeições mudaram. Se antes se sentava alegremente com as colegas na cantina, agora procurava um canto recatado junto às escadas um refúgio onde comia à pressa, quase sem saborear, só para não sentir olhares em cima.

Em casa, o retrato não era mais cor-de-rosa. A mãe, sempre carinhosa noutras questões, parecia não ver o dano das suas palavras. Ao jantar, quando Mafalda mexia na salada, vinham os comentários de manual:

Mafaldinha, tens de te cuidar mais Viste a Carolina do prédio ao lado? Tan fininha, elegante. E tu Não queres começar a fazer caminhadas de manhã? Ou inscrever-te na natação?

Mafalda só baixava o olhar, incapaz de explicar que já tinha tentado: madrugadas com abdominais, infusões milagrosas, tudo o que liam nas revistas. Nada mudava muito, a não ser o novo fardo da culpa. Cada frase materna soava a sentença: Assim nunca vais ser suficiente.

Aos vinte e dois, Mafalda era uma jovem fechada, com um ar de eterna insegurança nos olhos. Quase não olhava de frente, falava baixo, concluía frases depressa, antes que alguém se cansasse. Encontrou trabalho como contabilista numa pequena empresa de Gaia, afastada da família. O emprego surgiu por cunha, porque as entrevistas eram demasiado desconfortáveis.

Meses passavam iguais: acordar, trabalho, tabelas de excel, regresso a casa, chamada à família, internet à noite, dormir. O mundo dela era pequeno, feito de quatro paredes e muitos cálculos. Às vezes via fotos das amigas nas redes sociais: viagens, encontros, gargalhadas. E pensava: E eu? Quando é que me calha a mim? Mas logo se calava por dentro parecia-lhe que a felicidade estava lá longe, fora do seu alcance.

Um dia, o destino decidiu brincar. Saiu mais cedo do trabalho, tentada por um estômago roncador. Cansada e com a cabeça a rebentar de números, lá se deixou convencer pelo cheiro a café do Cantinho da Sé e entrou para um abrigo breve.

Escolheu uma mesa junto à janela, pediu uma salada por hábito (há que cuidar), e agarrou-se ao telemóvel. Notícias, conversas com a Sara das aulas, tudo para esquecer mais um dia aborrecido.

Nisto, senta-se ao lado um tipo animado, laptop e carregador, ou seja, daqueles clientes de café profissionais. Era o João. Ela ouviu logo os apartes dele para o empregado, as piadas marotas, vícios de linguagem parecia que respirava à-vontade naquele ambiente, sem medo de ser notado. Mafalda ficou, por um segundo, a invejar-lhe aquela leveza.

No meio da distração, estica-se para apanhar uma guardanapo e zás, acerta mesmo em cheio na chávena do João. Café espalhado na mesa, até umas pingas na pobre do portátil. Mafalda ficou petrificada, coração aos saltos a gritar Agora é que é!.

Ai desculpe! Sou mesmo desastrada começou a limpar como pôde, mãos a tremer. Eu pago, eu trato, eu ai

João congelou um instante, olhou para a poça, olhou para Mafalda, e depois desatou a rir. Não aquele riso nervoso, mas uma coisa calorosa, contagiada de boa disposição.

Não faz mal, esqueça lá isso! Máquina arranja-se, desde que a Mafalda não se tenha queimado

O tom dele era tão cordial que Mafalda relaxou os ombros tinha-se preparado para um sermão, não para simpatia.

A sério, não se apoquente, acrescentou ele, afastando o computador. Se quiser, ofereço-lhe outro café. Assim ganhamos tema de conversa: a estreia oficial da Café no Teclado, Lda.

Mafalda sorriu, a sentir um quentinho inesperado por dentro.

Nem pensar, eu é que devia pagar o arranjo do seu portátil!

Palavras para quê? sorriu ele, abanando a cabeça. Eu também sou trapalhão; é só por isso que ando sempre com uma capa de silicone no teclado. Vê? Vamos encarar isto como um pretexto para nos conhecermos. Eu sou o João.

E começaram a conversar. João explicou que estava em Lisboa só há algumas semanas, a trabalhar remotamente, e a descobrir sítios bonitos (e bicas baratas) para mudar de ares. A conversa dele, leve, desembaraçada, foi desarmando já a habitual tensão de Mafalda. Ela até se apanhou a soltar piadas, coisa há muito adormecida.

E a Mafalda, faz o quê?

Eu sou contabilista. Nada de especial, passo o dia entre números e relatórios

Mas isso é importantíssimo, atalhou ele, espantado com tão pouco entusiasmo. Se não fossem os contabilistas, Portugal afundava-se! Alguém tem de saber fazer contas, não é? É uma profissão de respeito.

Mafalda ficou meio incrédula. Nunca ninguém elogiara a sua profissão a maioria só mudava de assunto, ou fazia troça.

Acha mesmo? sussurrou.

Claro, respondeu ele. Cada um é peça fundamental na máquina do mundo. E você parece-me muito responsável. Isso vale muito.

Conversaram até o café fechar. Sobre tudo: emprego, livros, viagens, infância, sonhos. O tempo voou: os empregados já arrumavam as mesas, a rua lá fora adormecia. Quando finalmente tiveram de sair, João pediu-lhe o número de telemóvel. Mafalda lá deu, quase sem acreditar, com a voz a tremer de emoção. Ele telefonou mesmo no dia seguinte, desafiando-a para um passeio pelo Jardim da Estrela.

Com João tudo era diferente. Não reparava no corpo dela, não largava dicas de dietas, não media palavras. Era genuíno e presente, como se ela valesse o que era ponto. Pediam gelados nos domingos, sujavam-se com morangos e riam-se disso, passeavam de mão dada sem pressas nem cerimónias.

És tão luminosa, Mafalda, dizia ele, olhando-a nos olhos. Sinto que te conheço desde sempre.

No início, Mafalda ainda desconfiava se não estaria a sonhar. Tantas feridas deixadas por anos de críticas e camuflagem, medo de vestidos mais apertados, vontade de encolher no fundo da sala. Mas agora ali estava ela, abraçada àquele homem que a fazia sentir-se a mulher mais especial do mundo.

Seis meses depois, casaram-se. Uma cerimónia singela, acolhedora, só para a família e os amigos do peito bouquet de lírios brancos, vestido simples, sorrisos a espalhar-se pelo salão. Mafalda caminhou até ao altar sentindo-se inteira, pela primeira vez.

Logo depois, João sugeriu que se mudassem para as redondezas de Coimbra mais oportunidades para ele, e uma lufada de ar fresco para ela, longe dos olhares antigos e julgamentos.

Os pais de Mafalda ficaram entre o Ai, filha, pensa bem e o Olha que aqui tens tudo, família, amigos, estabilidade. À mesa, a mãe ainda tentava travá-la:

Filha, estás longe, e agora ainda mais? Não é mais fácil ficares aonde toda a gente te conhece e podes sempre voltar a casa?

Mafalda, com a chávena de chá já fria nas mãos, sabia da preocupação legítima dos pais. Mas desta vez a decisão era inabalável.

Mãe, preciso de tentar. É o meu momento. Sinto que é agora ou nunca.

A avó, sempre atenta e pronta a declarar opinião, entrou na sala, apoiada na bengala, sentou-se devagar e lançou a frase da praxe:

Vê lá, Mafalda Olha que os homens cansam-se. Poucos ficam com mulheres assim. Isto não é conto de fadas.

Aquelas palavras espetaram como seta. Mas, ao contrário de outras vezes, Mafalda não baixou os olhos e nem suspirou derrota. Levantou a cabeça, olhou a avó nos olhos e respondeu firme:

Não quero viver num conto de fadas, mas quero viver a minha verdade.

A avó abanou lenta e solenemente a cabeça, e saiu.

A sós com a mãe, Mafalda foi clara. Abraçou-a e prometeu telefonar, mas sabia que o caminho era para a frente, não para trás.

A mudança soube a liberdade. Em Coimbra era só a Mafalda, sem rótulos, sem fantasmas da adolescência. Encontrou trabalho numa empresa grande no fim da entrevista disseram-lhe: Venha, precisamos de gente assim. Pela primeira vez, sentiu-se apreciada pelo que sabia fazer, não pelo aspeto.

Fez amigos, almoçava em grupo, partilhava risadas, descobria a cidade ao fim-de-semana com João, entre jardins, pastelarias e exposições.

Num cartaz viu aulas de yoga experimentou por curiosidade, ficou rendida. Não para mudar o corpo, mas para gostar dele. Sentia-se ágil, aprendia a respirar fundo e a sentir o momento. Começou a comer o que lhe sabia bem preferia saladas por prazer, trocava refrigerantes por infusões porque agora apetecia mesmo, não para cumprir imposições.

Aos poucos, o peso foi desaparecendo, sem sacrifícios ou ansiedade. Já não se escondia em túnicas escuras: usava o que lhe apetecia, cheia de confiança.

De manhã, olhava-se ao espelho e via outra mulher. Não aquela menina cheia de vergonha, a fugir dos espelhos. Agora era alguém que sabia o que valia, orgulhosamente dona do próprio corpo e vontades.

Vezes havia em que as frases antigas da avó voltavam. Mas já não doíam. Eram só uma memória pálida da longa viagem feita.

E um dia, deteve-se no espelho do quarto. O ritual de sempre arranjar o cabelo, escolher a roupa tornou-se, pela primeira vez, uma contemplação. Viu-se: os ombros direitos, o olhar vivo, um leve sorriso a vincar-se e as linhas de expressão radiantes, mais sinais de vida plena do que cansaço.

Passou pela sala e chamou:

João!

Ele leu distraído, deitado no sofá e de óculos meio caídos.

Que se passa, Mafalda?

Fui pesar-me. Perdi seis quilos.

Ele fechou o livro devagar, levantou-se com toda a calma, chegou-se junto dela e abraçou-a, como só ele sabia.

Para mim, sempre foste perfeita, sussurrou. O que importa é que te sintas feliz. Estou mesmo orgulhoso de ti.

Mafalda enterrou o rosto no peito dele, respirando em paz. Finalmente, tudo encaixava.

Percebeu, ali mesmo, o poder das palavras: umas deixam feridas, outras curam. Umas obrigam-nos a esconder quem somos, outras fazem-nos florescer.

Apertou ainda mais o abraço agradecida por tudo o que tinha vivido e por finalmente encontrar a sua própria voz

***************

Três anos passaram. Muita coisa mudou, mas havia um sítio especial para Mafalda: o tal café onde conhecera João. Naquele serão, voltaram à mesa de sempre.

Mafalda folheava um álbum de fotografias que colecionavam desde o casamento. Pousou as mãos nas páginas grossas e, foto após foto, o sorriso crescia. O casamento ela de vestido simples e branco a rir à gargalhada porque João fazia uma careta, até ele não aguentar e acabar a gargalhar também. Depois, os dois na Serra da Estrela, cachecóis ao vento, mãos vermelhas do frio e chávenas fumegantes. Numa noite à lareira, João a ler-lhe um romance, ela, enroscada, a escrever no caderno.

Lembras-te do início? perguntou, olhando-o nos olhos, nostalgicamente feliz.

João tirou a chávena de chá dos lábios, olhou para o álbum e depois para Mafalda, devolvendo-lhe o sorriso desarmante de sempre. Entrelaçou os dedos nos dela, dedos agora calejados de tantas histórias.

Claro que sim, murmurou. E sabes que mais? Não trocava um dia, Mafalda. Nem um.

Ela apertou-lhe a mão. Nada de discursos bonitos, só aquele calor discreto, aquele olhar, a confiança na voz dele.

Lá fora, o céu despejava chuva contra o vidro, mas dentro do café reinava calor, luz suave e sossego. Mafalda olhou João nos olhos e compreendeu, de forma esmagadoramente simples: a beleza de estar com alguém que nos vê, mesmo quando nós duvidamos de nós próprios. Alguém que nunca nos pede para mudar mas nos recebe como somos, com os nossos receios e pequenas alegrias.

Inspirou fundo e sentiu a paz que tanto procurara.

Amo-te, sussurrou, com aquela sinceridade transparente de há muito tempo.

João sorriu, beijou-lhe a mão com delicadeza.

E eu a ti. Sempre.

Pediram dois galões e um pedaço de bolo de chocolate o favorito dela. Quando veio, Mafalda provou. Era tão bom como se lembrava: macio, com uma camada generosa de cobertura. Fechou os olhos a saborear, sentindo, por fim, tudo no lugar certo.

Naquele instante, Mafalda sentiu que estava finalmente em casa. Não numa cidade ou numa casa, mas na vida que escolhera. Uma vida que foi construindo, um degrau de cada vez, cada vez mais ela própria.

Lá longe, talvez a avó, em Aveiro, ainda tomasse chá e suspirasse para a vizinha: Se a Mafalda se esforçasse Se se levasse mais a sério Mas Mafalda já não se incomodava. Nenhuma frase daquelas lhe conseguia tocar ou fazer-lhe duvidar de si.

Porque, depois de tudo, aprendera uma lição simples e preciosa: a verdadeira beleza começa onde acaba o medo de ser quem somos. E essa certeza era agora tão sólida como a mão de João na sua.

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

A Liberdade de Ser Quem Somos