Antigamente, cá em Portugal, acreditava-se que o casamento deveria acontecer apenas uma vez e que o casal devia partilhar juntos toda a vida. Mas hoje, todos compreendem que desperdiçar a vida ao lado de alguém que não mostra carinho ou qualquer cuidado é, no mínimo, um erro. Porquê insistir e fazer um último esforço para salvar um casamento que, evidentemente, não traz felicidade? Infelizmente, nem sempre é possível uma separação tranquila, evitando feridas nos filhos.
O meu primeiro marido deixou-me por outra mulher, e fiquei sozinha com um filho de apenas um ano. Declarou que já não tinha interesse em mim. Estivemos casados durante seis anos. Tivemos uma vida razoável, com algumas discussões pelo meio. Depois de nascer o meu filho, o meu marido mudou: por qualquer motivo, ficava irritado e à noite saía de casa. Suspeitava que tinha outra, mas não quis acreditar. Um dia, arrumou as malas e foi embora. E eu fiquei só.
Há seis meses, conheci o meu segundo marido. O Filipe revelou-se uma pessoa de enorme sensibilidade. Percebeu o quanto me custava cuidar e criar um filho sozinha. Num dos nossos encontros, ao sair comigo da mercearia, perguntou discretamente se eu precisava de ir às compras. E acabou por comprar ele próprio várias coisas para o meu pequeno.
Senti-me constrangida, mas fiquei contente com o seu desejo genuíno de ajudar. Pedi depois ao Filipe para trazer carne só raramente conseguia comprar. Todos os meus ganhos destinavam-se ao pagamento do crédito do apartamento comprado durante o casamento e à alimentação. Outrora, a ideia de contrair um empréstimo imobiliário e pagá-lo em casal não me preocupava. Mas nada correu como planeara.
Quando Filipe me disse para escolher o que quisesse no supermercado, não consegui conter uma lágrima. Foi o primeiro gesto de apoio vindo de alguém! Peguei apenas no essencial, não me atrevi a ir ais doces ou frutos. No entanto, Filipe fez questão de incluir bolachas e laranjas. Trouxe ainda dois sacos grandes para casa.
Durante alguns meses fomos mantendo encontros e fui compreendendo, cada vez mais, que Filipe era efectivamente uma pessoa de valor. Percebi que cuidava da mulher que amava e que, por mim, nunca poupava esforços. Convenceu-me da sua dedicação. Em breve, casámo-nos. Filipe revelou-se um marido e um pai exemplar.
Hoje, sei que juras infindas e amores fingidos nada valem. O mais essencial é o cuidado e a verdadeira atenção do chefe de família. Quando alguém se preocupa contigo, sentimo-nos protegidas e devolvemos carinho. Sou muito feliz com o Filipe. Sinto que encontrei alguém de confiança com quem posso viver serenamente. Isso é a verdadeira felicidade!
A Inês teve imensa sorte ao encontrar o Filipe. Nem todas as mulheres precisam de diamantes ou apartamentos luxuosos para serem felizes. A maior parte das portuguesas sente-se realizada quando são tratadas com humanidade, quando recebem cuidado e respeito.
Sejam amadas e escolham bem a vossa metade.







