Não és esposa, és criada. Não tens filhos!
Mãe, a Catarina vai ficar aqui. Estamos a fazer obra no apartamento, não dá para morar lá. Tem um quarto vago, por que é que ela tem que ficar a acumular pó? disse o marido da Catarina.
A ideia não o incomodava, ao contrário da esposa e da sogra. A sogra detestava a nora.
Preciso trabalhar, não consigo ficar aqui sussurrou a Catarina.
A esposa trabalhava remotamente, precisava de silêncio e tranquilidade. O Tiago estava o dia inteiro no escritório, então não era fácil partilhar o mesmo teto com a sogra. Catarina estava habituada a ficar sozinha em casa, portanto ninguém a incomodava.
Catarina olhava para a sogra e não sabia o que dizer. A sogra não queria que a Catarina permanecesse na sua casa, mas parecia não haver saída. Sentaram-se à mesa e começaram a jantar.
Catarina, traz, por favor, a tua salada de sempre disse o Tiago.
Tiago, não comas essa química. Fiz-te outra, é mais saudável reclamou a sogra.
Catarina mudou a expressão. O marido era alérgico a tomates como a sogra podia ter esquecido isso? Quando o Tiago ainda era pequeno, a sogra nunca lhe dava importância. Disse que não era preciso correr ao médico, que uma pastilha bastava.
Ele tem alergia. Por que puseste tomates na salada? perguntou a Catarina.
Que inventas? É só um tomate, nada de grave vai acontecer respondeu a sogra.
Vai ficar doente.
Catarina, acalma-te. Ele não tem alergia. A própria mãe dele conhece-o melhor que tu.
Eu sou a esposa dele. Cuido do meu marido.
Tu não és esposa, és criada. Não tens filhos! Quando os tiveres, então falamos.
Catarina levantouse da mesa e correu para o quarto. A sogra sempre acertava no ponto sensível. Tiago apressouse a consolar a esposa.
Tiago, desculpa. Melhor vou ficar na casa dos meus pais ou no escritório. Não quero viver com a tua mãe.
Deixame falar com ela. Ela vai calarse!
Não, já discutimos isto milhões de vezes. Não vamos conseguir conviver sob o mesmo teto.
Precisaram alugar um apartamento por algum tempo para evitar mais um escândalo familiar. A sogra, claro, fez as contas, mas não teve escolha. E Catarina não podia ficar mais feliz por ter um marido tão compreensivo e paciente.







