O milionário regressa a casa após três meses de ausência e chora ao ver a filha
A viagem de regresso a Lisboa pareceu não ter fim, mas o nervosismo não deixou Manuel pregar olho. Três longos meses. Noventa dias de contratos, reuniões e decisões que multiplicaram o seu património mas lhe roubaram o mais precioso: o tempo com a filha.
Os jornais podiam estampar as suas vitórias, mas o pensamento de Manuel estava longe dos negócios. Só pensava na Marta. Imaginava-a a correr ao seu encontro pelo hall de mármore, com os bracinhos abertos e a rir-se. No aeroporto, comprou-lhe um enorme urso de peluche apenas para ver o seu rosto iluminar-se.
Senhor Costa, já chegámos, anunciou o motorista.
O portão abriu-se. Uma estranha quietude tomou conta do ambiente: não se ouviam brinquedos, nem gargalhadas. Marta não estava.
No interior, o ar parecia mais frio. O retrato da família já não estava na parede. No seu lugar um quadro gigantesco de Cecília.
Isabel? chamou ele.
A empregada apareceu, com os olhos inchados de chorar. Ela está lá fora, senhor.
O coração de Manuel começou a bater acelerado. Correu à porta de vidro e abriu-a com força. O seu mundo desabou.
Debaixo do sol abrasador, no meio do jardim, Marta arrastava um saco preto do lixo, quase maior do que ela. As mãos tremiam-lhe, a roupa estava suja.
Ali perto, Cecília bebia café gelado, indiferente.
Marta!
A menina caiu de joelhos. Ao ver o pai, assustou-se. Desculpa, pai já estou a acabar não fiques zangado
Manuel puxou-a para si, o coração partido. O que te fizeram, meu amor
A resposta da filha deixou Manuel sem chão; ficou parado, sem reação.
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O milionário regressa a casa após três meses de ausência e chora ao ver a filha
Marta agarrou-se à camisa do pai, como se tivesse medo de o perder de novo. A vozinha dela tremia.
A Cecília disse que eu tinha de ajudar que crianças mimadas não merecem viver aqui. Disse que, se eu trabalhasse bem, talvez tivesses orgulho em mim
Manuel sentiu um aperto na garganta.
Trabalhar? Desde quando uma criança tem de merecer o amor do pai?
Marta baixou os olhos.
Ela também disse que tu não voltavas por minha causa. Que eu era um peso. Por isso quis mostrar que era útil para tu voltares.
Estas palavras magoaram Manuel mais do que qualquer perda de dinheiro. Pegou nela ao colo, como fazia quando era bebé.
Tu és a minha vida, Marta. Nada, ouviste? Nada é mais importante do que tu.
O milionário regressa a casa após três meses de ausência e chora ao ver a filha
Entrou em casa com o rosto fechado. Cecília levantou-se, surpreendida pela fúria silenciosa nos olhos dele.
Faz as malas. Agora.
A sua voz era fria, decisiva.
Depois voltou-se para Isabel: Nunca mais ela entra nesta casa.
Nessa noite, Manuel cancelou as próximas viagens. Sentado na cama de Marta, percebeu finalmente que a sua maior riqueza não estava nas contas do banco mas nos braços da filha.
Às vezes, o verdadeiro tesouro vive connosco. Não nos esqueçamos nunca de o valorizar.






