Eles riram do seu casaco barato até descobrirem a verdade

Riam-se do seu casaco barato, até descobrirem a verdade

Num mundo onde marcas e etiquetas parecem valer mais do que as pessoas, esquecemo-nos muitas vezes do que realmente importa: o valor humano. Esta história desenrolou-se numa noite reservada de beneficência, no luxuoso Hotel Avenida Palace, mesmo no coração de Lisboa.

O Salão Dourado fulgurava sob o reflexo dos diamantes e do cristal. Margarida, vestida com um deslumbrante vestido dourado, e o seu acompanhante Ricardo, deliciando-se com um vinho do Porto raro, comentavam alto e riam dos outros convidados. Porém, o riso deles extinguiu-se abruptamente ao verem, à porta, uma jovem chamada Leonor. Ela trajava um simples casaco de lã bege, bem gasto, e sapatos básicos, sem qualquer ostentação.

Margarida, sem ocultar o desprezo, interpôs-se no caminho de Leonor. Percorreu, de cima a baixo, os seus sapatos antigos e apertou os lábios num esgar de desdém. Ricardo inclinou-se para Margarida e murmurou, suficientemente alto para todos ouvirem:
Será que hoje esqueceram de avisar às empregadas onde é a entrada de serviço?

Margarida avançou um passo, sarcasmo a escorrer-lhe da voz:
Querida, a sopa dos pobres serve-se três quarteirões daqui. Estás a estragar a beleza da minha festa.

Leonor não desviou o olhar. Mantinha-se firme, tranquila, fitando Margarida nos olhos. Naquele silêncio, havia uma dignidade que fazia encolher todo o fausto do salão.

Nesse instante, aproximou-se apressadamente o senhor Gonçalo, gerente da fundação, impecável no seu fato escuro. Nem sequer olhou para Margarida ou Ricardo, que já se preparavam para um cumprimento bajulador. Parou diante de Leonor, inclinando respeitosamente a cabeça:
Doutora Silva! Peço desculpa, o seu avião particular chegou mais cedo do que o esperado. O contrato para a aquisição do grupo já está pronto para a sua assinatura.

A câmara foca o rosto de Margarida: a sua expressão congelou de puro espanto. Os dedos perderam força, o copo de vinho do Porto escorregou-lhe da mão e estilhaçou-se no chão de mármore.

Desfecho

Serena, Leonor pegou na caneta entregue pelo assistente e, sem sequer despir o velho casaco, assinou o documento de forma decidida.

Virando-se para Margarida, disse, baixinho mas com uma frieza cortante:
A propósito, Margarida, esta festa já não é sua. Acabei de comprar este edifício e a empresa do seu marido. E a sua estética já não faz parte dos meus planos. Segurança, por favor, acompanhem estes senhores até à saída.

Ricardo e Margarida ficaram petrificados, enquanto os seguranças, educados mas firmes, os convidavam a abandonar o salão.

Moral

Nunca julgue a força de uma pessoa pelas aparências. Por baixo de um casaco velho pode esconder-se quem, amanhã, irá decidir o seu destino.

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Eles riram do seu casaco barato até descobrirem a verdade