Eles riram do seu casaco barato até descobrirem a verdade

Eles riram do seu casaco barato, até descobrirem a verdade

Num mundo onde marcas e preços parecem definir tudo, esquecemos muitas vezes aquilo que realmente importa: a pessoa. Esta história aconteceu num jantar de beneficência restrito, num dos hotéis mais exclusivos de Lisboa.

O Salão Dourado brilhava sob a luz dos lustres e das joias. Clara, vestida num exuberante vestido dourado, conversava animadamente com o seu acompanhante, Ricardo, enquanto degustavam um vinho do Porto de colheita rara e faziam comentários sobre os convidados. Mas o riso deles cessou abruptamente quando, à entrada da sala, apareceu uma jovem chamada Benedita. Trazia um simples e claramente gasto casaco bege, e uns sapatos rasos comuns.

Clara, com desdém bem visível, bloqueou o caminho de Benedita. Observou de cima a baixo os sapatos gastos da rapariga e encolheu o nariz. Ricardo inclinou-se para Clara, sussurrando alto o suficiente para ser ouvido:
**”Será que as mulheres da limpeza esqueceram-se hoje de usar a porta de serviço?”**

Clara avançou um passo e atirou-lhe, troçando:
**”Minha querida, a sopa gratuita é servida três ruas abaixo. Estás a estragar o ambiente da minha festa.”**

Benedita não desviou o olhar. Manteve-se serena, fitando Clara de frente. No seu silêncio havia mais dignidade do que em todo o luxo daquela sala.

Nesse instante, aproximou-se a passos largos um senhor idoso, de fato caro o senhor Azevedo, responsável pela fundação. Ignorou Clara e Ricardo, que já aguardavam o cumprimento. Parou diante de Benedita e inclinou a cabeça com respeito:
**”Dona Benedita Silva! Perdoe-nos, o seu avião chegou mais cedo do que prevíamos. O contrato para aquisição do grupo está pronto para a sua assinatura.”**

O rosto de Clara ficou lívido. A mandíbula tombou de surpresa. Os dedos largaram a taça de vinho do Porto, que se espatifou de imediato no chão de mármore.

Final da história

Benedita pegou calmamente na caneta que o assistente lhe estendeu e, sem sequer tirar o velho casaco, assinou com um gesto firme o documento.

Voltou-se para a paralisada Clara e, em voz baixa mas cortante, disse:
**”Aliás, Clara, esta festa já não é tua. Acabei de comprar este edifício e a empresa do teu marido. E a tua estética já não faz parte dos meus planos. Segurança, por favor, acompanhem-nos à saída.”**

Ricardo e Clara ficaram atónitos, enquanto os seguranças, com educação mas firmeza, lhes indicavam a porta.

**Moral:** Nunca julgues a força de uma pessoa pelas roupas que veste. Por baixo de um velho casaco pode estar quem amanhã muda o teu destino.

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