Olha, tenho de te contar o que aconteceu num stand de carros topo de gama aqui em Lisboa, acredita que isto parece coisa de novela.
Então, imagina: no meio de um show-room cheio de carros de luxo, daqueles que só vemos nos vídeos, está um homem, vestido super simples uma camisola de capuz cinzenta e uns jeans bem gastos. Ele encosta-se, na boa, a um carro desportivo novíssimo, a observar cada detalhe. Nisto, aproxima-se a Clara, a gestora do salão. Ela toda impecável, com um fato elegante que parecia saído da montra de uma loja cara, e com aquele ar de quem já nasceu mandona.
A Clara logo vai ter com ele com um sorriso daqueles todos falsos, já a julgar pela aparência, e diz-lhe assim, com um tom mesmo desagradável:
“Olhe, querido, a paragem de autocarro é ali fora. Afaste-se do carro, está a riscar a pintura de algo que, sinceramente, você nem sequer podia sonhar em comprar.”
O homem nem pestaneja. Fica ali firme, só deu um olhar rápido ao relógio, como se aquilo nem lhe aquecesse nem arrefecesse. E mal ela acaba de falar, as portas do escritório abrem-se de rompante, e sai de lá o diretor-geral do stand, o senhor António, literalmente em pânico, a endireitar o nó da gravata e a tentar parecer compostinho a correr.
O senhor António nem olha para a Clara. Passa por ela como se fosse invisível. Pára em frente ao homem do capuz e faz-lhe um cumprimento tão respeitoso como se estivesse diante de um presidente:
“Bem-vindo, senhor! Peço imensa desculpa pela demora. Ninguém esperava que o proprietário da rede viesse logo de manhã cedo!”
Podes ver a cor a fugir da cara da Clara. Ela ficou completamente sem saber onde se meter. O homem, calmo como sempre, olhou-a nos olhos, sem raiva, mas com uma frieza que gelava. Aproximou-se dela e, baixo, disse:
“Sabe, vim aqui pessoalmente para assinar a promoção que o seu chefe propôs para si. Mas a forma como tratou uma pessoa comum disse-me exatamente o que precisava de saber.”
A Clara tentou abrir a boca, mas as palavras não saíam.
Por fim, o homem virou-se para o diretor-geral e disse em tom seco:
“Eu não quero na minha equipa pessoas que julgam os outros pelo saldo bancário. Por favor, trate da rescisão dela hoje mesmo. E traga as chaves deste carro: vou levá-lo eu próprio.”
Tirou do bolso uma daquelas cartas pretas exclusivas do banco, que valem mais que um Euromilhões, e entregou ao senhor António. A Clara ficou ali parada, no meio daquele salão, a ver o seu futuro desmoronar-se em segundos só porque achou que, por estar de capuz, ele não merecia respeito.
Moral da história: podes ter dinheiro para comprar o que quiseres, mas nunca vais conseguir comprar educação. Respeita todos, nunca sabes quem tens realmente à tua frente.







