Alô, a sua esposa acabou de ter gémeos! – Mas… eu tenho 52 anos… e nem sequer sou casado! – Olhe, não sei… venha cá ver, ela jura que são seus…

Está a falar o senhor Duarte? A sua esposa acabou de ter gémeos! Mas… eu tenho 52 anos… e já não tenho esposa! Olhe, não sei… venha ver, ela diz que são seus

Quando ouvi isto, pensei logo que fosse um engano. Tenho 52 anos como é possível? Mas a curiosidade falou mais alto. Peguei no carro e fui.

Ao entrar no quarto do hospital, quase caí para o lado. Lá estava a minha ex-mulher, Paula, deitada na cama. E, de cada lado, dormiam dois pequenos anjinhos.

Paula, quem são estas crianças? De quem são?

Tuas, respondeu ela, com toda a calma do mundo.

Fiquei sem palavras, a tentar perceber o significado da resposta.

Tu tens 49 anos… E nós separámo-nos há meses…

Pois, há sete meses. Mas nessa altura ainda não sabia que estava grávida.

Como é que isso é possível?

Pensei que era a menopausa já. Ninguém imaginava que naquele nosso adeus tão intenso, isto fosse acontecer. Mas não te estou a pedir nada. Só achei que devias saber.

Dois de uma vez… Depois de tantos anos a tentar sem sucesso…

Sinceramente, ainda estou meio tonta com isto. Nem sonhava que estava grávida até ao quinto mês. Achei que estava a enlouquecer com tantas sensações estranhas…

Para ser honesto, isto não me surpreendeu assim tanto. A Paula sempre foi mulher de corpo cheio, e ninguém notou grande diferença nela.

Quando nos conhecemos, ela já era formosa e sempre gostei assim. Nunca fui de mulheres magras. Vivemos bem, sonhámos com filhos, tentámos de tudo. Paula fez tratamentos, sofreu, mas nada.

Eventualmente decidimos viver apenas para nós. Trabalhámos muito, mas também não nos faltaram férias: Algarve, Douro, Madeira, Paris, Roma, Madrid, todas as capitais europeias. Mas nos últimos cinco anos algo mudou entre nós. Talvez aceitássemos finalmente que não haveria filhos. E com a idade, vem aquela solidão a pesar aquela dúvida: quem virá ao meu funeral?

As discussões começaram. A Paula ganhou mais 15 quilos. Até que, um dia, disse-me:

Isto já não faz sentido. Acho melhor divorciarmo-nos. Ainda talvez consigas ser pai.

Na verdade, eu não queria. Mas ela tomou a decisão. Custou-me muito. Saí de casa.

Depois, ela confessou-me que até teve receio de me contar da gravidez. Não sabia se conseguiria levar até ao fim, se seriam gémeos saudáveis. E agora… este presente.

Nesse mesmo dia fui à ourivesaria, comprei um anel em ouro e um ramo de rosas enorme. Voltei ao hospital e pedi-a em casamento outra vez. Já passaram dois anos. Estamos juntos. Os miúdos crescem saudáveis, e nós somos felizes, mesmo não sendo jovens pais mas com o coração de quem começa agora.

E vocês, teriam coragem de ser pais numa idade destas? Ou acham que existe prazo de validade para a felicidade?

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Alô, a sua esposa acabou de ter gémeos! – Mas… eu tenho 52 anos… e nem sequer sou casado! – Olhe, não sei… venha cá ver, ela jura que são seus…