Viver Plenamente aos 70, mesmo sem ter filhosAos setenta, ela descobriu que sua grande aventura seria transformar cada hobby esquecido em um novo capítulo de descobertas, cercada de amigos que se tornaram sua família escolhida.

Lembrome, há muitos anos, de quando, já com setenta e poucos invernos, decidi visitar o dermatologista no centro de Lisboa. Como de costume, esperei algum tempo no corredor, até que uma senhora cruzou o meu caminho e, ao conversar, mudou a minha forma de ver o mundo.

Chamavase Leonor, uma mulher de porte impecável e elegância rara. À primeira vista parecia ter cerca de sessenta e cinco anos, mas, ao conversar, descobri que já ultrapassara os setenta.

Ela contoume que fora casada duas vezes, embora agora vivesse só. O primeiro casamento terminou em divórcio. Desde o início, Leonor fora clara ao marido: não desejava filhos. Ele aceitou, mas, quando ela completou trinta anos, voltou a insistir na possibilidade de ser mãe. A esperança nunca se concretizou e, após longas discussões, decidiram separarse.

Mais tarde, Leonor uniuse a um homem que já tinha uma filha, a pequena Benedita, fruto de um relacionamento anterior. A vida a dois decorreu em paz, pois a questão dos filhos jamais ressurgiu. O marido não se incomodava com a decisão de Leonor, já que a casa estava completa com Benedita.

Tristemente, o segundo esposo faleceu e, desde então, Leonor habitou sozinha uma ampla casa no Alfama, assegurando que a solidão nunca lhe foi incômoda.

Muitos ainda acreditam que os filhos são o apoio garantido na velhice, que estarão sempre ao nosso lado. Leonor, porém, viaas de modo diferente: as crianças crescem, traçam os seus próprios caminhos e constroem vidas alheias às dos pais. Por isso, não quis ser mãe.

Ela nunca se arrependeu da escolha, nem agora, nem jamais. Vive uma existência plena, satisfeita com as próprias necessidades. E quanto a pedirme um copo de água, qualquer um pode, basta pagar um euro por isso, dizia ela com um sorriso.

Essa forma particular de interpretar a vida e a felicidade me faz refletir. O relato de Leonor revela uma visão baseada na independência e na realização pessoal, contrapondose aos preconceitos sobre maternidade e envelhecimento acompanhado. A sua experiência demonstra que a satisfação não depende dos laços familiares tradicionais, mas do sentido que cada um dá à própria existência.

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Viver Plenamente aos 70, mesmo sem ter filhosAos setenta, ela descobriu que sua grande aventura seria transformar cada hobby esquecido em um novo capítulo de descobertas, cercada de amigos que se tornaram sua família escolhida.