Um sanduíche e um mistério que perdura há 15 anos…

Um sandes e um segredo de quinze anos

Por vezes acreditamos que estamos apenas a fazer uma boa ação. Mas e se esse gesto for, afinal, a chave para o nosso próprio passado?

Hoje quero contar-vos a história do Tiago. É um lembrete para todos: jamais ignores a dor de alguém.

**Cena 1: À prova de humanidade**
Tiago e a sua namorada Beatriz estavam sentados num banco do Jardim da Estrela, em Lisboa. O sol brilhava, comiam e conversavam, até que um rapazinho franzino, de roupa suja e rota, se aproximou, apertando uma velha carrinha de madeira partida nas mãos.
Beatriz franziu o nariz, afastando-se com desdém:
Sai daqui, nem se consegue respirar com o teu cheiro! atirou secamente, desviando o olhar do pequeno.

**Cena 2: O gesto de compaixão**
Tiago não conseguiu ignorar aquela expressão triste e cheia de esperança. Desconsiderou o olhar de reprovação da Beatriz, pegou no saco do almoço e estendeu-o ao miúdo.
Toma, é para ti. Podes ficar com tudo. disse com ternura.
O menino pegou na comida com mãos trémulas. Mas, surpreendentemente, não a comeu disparou dali num instante e desapareceu no labirinto de ruelas lisboetas.

**Cena 3: O refúgio secreto**
Algo no peito de Tiago se mexeu. Curiosidade? Intuição? Acabou por seguir o jovem até a uma ruela escondida por trás de um supermercado antigo. Lá, entre velhas mantas, uma idosa estava deitada. O rapaz delicadamente dividiu o sandes, alimentando-a em pequenos pedaços. Tiago observava, parado na sombra, sentindo o coração apertado.

**Cena 4: O amuleto do destino**
A senhora, quase sem forças, esboçou um leve sorriso e tirou do pescoço um medalhão prateado já gasto, colocando-o cuidadosamente na mão do menino. Tiago aproximou-se e, nessa altura, o tempo pareceu parar. A luz dum candeeiro caía sobre o medalhão.
Era ele. O mesmo medalhão com uma gravura de lírio, que a sua mãe tinha ao pescoço no dia em que desapareceu, há quinze anos.

**DESFECHO DA HISTÓRIA:**

Tiago virou-se para a senhora, a voz embargada:
Como como tem esse medalhão? perguntou, apontando, quase sem conseguir respirar.

A idosa ergueu os olhos baços para ele. Ficou a olhar demoradamente, até que as lágrimas começaram a correr-lhe pelo rosto.
Tiago?… Meu filho, és tu? murmurou, num fio de voz.

Ficou tudo claro: naquela noite, quinze anos antes, a mãe de Tiago perdera a memória após um acidente. Sem saber quem era ou de onde tinha vindo, vagueou pelas ruas, sobrevivendo graças à compaixão de estranhos e ao companheirismo daquele órfão, a quem acolheu como a um neto. O medalhão era a única recordação que guardava, na esperança de um dia voltar a casa.

Tiago caiu de joelhos no chão empedrado e abraçou-a com força. Nesse instante, percebeu: se tivesse dado ouvidos à Beatriz e afastado o rapaz, nunca teria reencontrado a mulher por quem chorou metade da vida.

**Moral:** O teu coração vê bem mais do que os teus olhos. Nunca negues uma atitude de bondade a um estranho pode ser que essa pessoa traga nas mãos a chave para a tua felicidade.

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Um sanduíche e um mistério que perdura há 15 anos…