Todos os Dias com a Minha Sogra: Como Ela Transformou a Minha Vida Num Inferno

Todo dia com a minha sogra: como ela transformou a minha vida num inferno

Nenhum dia sem a minha sogra: como esta mulher virou a minha vida de cabeça para baixo

Quando o Miguel e eu nos casámos, a primeira decisão que tomámos e a mais sábia, ou pelo menos eu achava na altura foi viver longe dos nossos pais. Ele era engenheiro numa empresa privada bastante conceituada, e eu tinha investido a minha parte da venda do apartamento da minha avó num crédito para a nossa casa. Estávamos a construir o nosso ninho, a sonhar com sossego, carinho e uma família pequena só nossa. Mas quem diria que a mãe dele ia acabar por se instalar connosco

Fisicamente, ela não vivia debaixo do nosso teto. Mas sentíamo-la em todo o lado: em cada tomada, em cada armário, em cada colher. Nenhuma decisão fosse comprar uma chaleira, cortinas ou até uma simples toalha de banho escapava à sua intervenção.

Se eu me atrevia a mencionar que precisávamos de trocar as cortinas, lá vinha ela, armada até aos dentes: pastas, catálogos e conselhos que não acabavam mais. Para as festas, escrevia guiões como se estivéssemos a participar num concurso de teatro amador. Uma vez, tínhamos planeado passar o Ano Novo num chalé na serra com uns amigos. Tudo estava reservado, as compras feitas, o transporte organizado. Mas ela armou um drama que até o Almeida Garrett ficaria impressionado. Lágrimas, recriminações, lamentações: “Uma noite tão especial, e vocês abandonam a vossa mãe!” Resultado: ficámos em casa, o dinheiro perdido, enquanto ela criticava os artistas da televisão, instalada no seu sofá como uma rainha.

Quando finalmente engravidei, o Miguel e eu quisemos transformar o quarto de hóspedes num quarto de bebé. Mal comentámos sobre isso No dia seguinte, ela estava à nossa porta, com dois pedreiros ao lado e rolos de papel de parede debaixo do braço. Nem tive tempo de abrir a boca as obras já tinham começado. Segundo os planos dela. As cores dela. A visão dela. E eu ali, na minha própria casa, a sentir-me como uma intrusa.

Já disse mil vezes ao meu marido que isto é demasiado, que já não me sinto em casa, que quero escolher as minhas coisas desde o papel de parede até à esponja da loiça. Mas ele responde sempre a mesma coisa: “A mamã só quer ajudar. Ela tem bom gosto. Tudo isto é por amor.” E o meu amor, então? Os meus desejos? O meu gosto? Será que não valem nada só porque não fui eu que dei à luz “um filho tão maravilhoso”?

E depois veio o auge. Ela apareceu um dia a anunciar, triunfante: “O Miguel e eu vamos de férias. Para a Grécia. Preciso de recarregar energias, ando a carregar o mundo às costas.” Eu ali, com sete meses de gravidez, sem palavras. Nem um pio. O meu marido gaguejou que não podia deixá-la ir sozinha. Então, fui clara: se ele fosse com ela, podia esquecer que tinha uma mulher.

O resultado? Ela invadiu a nossa casa aos berros, dizendo que eu era ciumenta. Que tinha dado à luz o meu marido e o tinha criado, e que eu era uma ingrata. Que eu não podia ir porque tinha “uma barriga enorme”, e agora ainda a impedia de respirar um pouco depois de “uma vida tão ingrat

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