Quando um homem português decide que não vai mudar podes pendurar uma sardinha na lapela, que ele continua igual.
Não interessa o quão apaixonada estás.
Não interessa quantas vezes lhe dás uma segunda, terceira, ou vigésima oportunidade, quanto espaço lhe ofereces, quantos verões passas à espera que ele cresça
Podes explicar calmamente o que precisas, conversar como quem toma café com pastel de nata, chorar baixinho no escuro,
Ou enchê-lo de mimo na esperança de que um dia deixa a caixa de brinquedos e começa a jogar na Primeira Liga contigo.
Se ele decidiu ficar igual
só vai procurar uma mulher que lhe dê carta branca.
Uma que não o questione.
Uma que não peça crescimento.
Que não lhe exija maturidade emocional,
coisa que ele acha cansativa… ou então, sinceramente, mete-lhe um medo danado.
Isto não é amor.
É confortável, sim.
É sobreviver.
É um homem que opta sempre pela viagem mais fácil
porque quando ele carrega cicatrizes mal fechadas,
responsabilidade soa a pressão,
e uma relação verdadeira parece-lhe uma ameaça maior que trânsito da Segunda Circular.
Mulher, não confundas os teus padrões altos com ser exigente demais.
Não queres nada de outro mundo ao pedir:
honestidade, compromisso, respeito, segurança emocional
e uma relação onde ambos vão crescendo ao sabor da vida.
Isso são as bases.
É o mínimo olímpico.
E um verdadeiro homem começa a trabalhar nisso antes de te pedir um lugar à mesa no almoço de domingo.
Mas quando ele não quer sair do lugar
quando ainda vive preso aos hábitos dos tempos em que não sabia separar roupa branca da colorida,
quando o ego é o capitão da equipa
e foge das conversas difíceis como do IVA,
então a tua força vai assustá-lo.
A tua clareza vai soar a crítica.
Os teus limites parecer-lhe-ão rejeição.
E não, não é porque fizeste algo errado
Mas porque ele não está habituado a uma mulher que sabe o valor que tem.
E em vez de crescer afasta-se.
Em vez de dialogar atira um és demasiado sensível.
Em vez de igualar a tua energia vai procurar por aí uma Maria que peça pouco…
dê tudo
e não fale de crescer juntos.
Porque isso é mais fácil.
Mais seguro.
Mais confortável.
Alguém que se deixe enrolar.
Que engula em seco.
Que prefira ficar calada, vá.
Mas não deixes que isso te tire o chão.
Não deixes que o caminho dele te faça duvidar de ti.
Às vezes o problema não é que não foste suficiente para ele…
É que foste demasiado para a versão dele que está sossegada no sofá.
Tu és um espelho.
E ele ainda não tem coragem de encarar o reflexo.
Porque tu mostras-lhe não só quem és
mas também aquilo em que ele se poderia tornar, se tivesse coragem.
Por isso, deixa-o ir.
Se ele quer continuar no morno, que fique.
Mas tu nunca te encolhas para caber na vida de um homem que não quer crescer.
Não és muita mulher…
Ele é que ainda não é homem suficiente.
E esse fado não é teu para carregar.
Quando um homem não quer mudar… ele simplesmente não vai mudar. Não importa o quanto o ames. Não…







