Oh, Que Vergonha!” — Vera Sentia o Mundo Desabar: Casar sem Amor ou Enfrentar o Escárnio?

«Meu Deus, que vergonha!» — Vera estava parada, como se o mundo tivesse desabado aos seus pés. A escolha era cruel: casar-se com quem não amava ou ser alvo de chacota em toda a aldeia. As lágrimas corriam pelo seu rosto, e a voz tremia de desespero:

— E agora, mãe? Todos vão cochichar que o noivo me deixou logo antes do casamento…

Preferia que a terra se abrisse e a engolisse, a ter que encarar os vizinhos. A mãe acariciava a cabeça da filha, murmurando: «Não chores, Vera, vamos encontrar uma solução». Mas na cabeça de Maria da Esperança já germinava um plano — ousado, louco, daqueles de tirar o fôlego.

E se encontrassem um novo noivo já? Ela levantou-se de repente, gritando para o vizinho:

— Pedro, liga o carro! Vamos à estação para apanhar o comboio da manhã!

Pedro, sorrindo, apenas encolheu os ombros:

— Para ti, Maria da Esperança, até trago uma estrela. Mas estás a falar a sério? Ir atrás de um noivo?

— Mais sério impossível, — respondeu ela, batendo a porta do carro. — Dinheiro interessa a todos, conseguimos voluntários.

Na plataforma, ela aproximou-se de dois rapazes simpáticos, trocou algumas palavras, e logo já os conduzia ao carro. Pedro arregalou os olhos:

— Então é verdade, o noivo e o padrinho?

— Sim, Pedro, — declarou Maria com orgulho. — João e Nuno. Vamos à loja comprar os fatos e depois direto para o casamento!

Os convidados murmuravam: «O noivo chegou! Viva!» Vera correu ao encontro, mas paralisou, como se atingida por um raio. Do carro saíram dois desconhecidos. A mãe levou-a para o lado e sussurrou:

— Este é o João. Ou te casas com ele e depois te separas em silêncio, ou vives com a vergonha. Decide.

Vera assentiu, incapaz de pronunciar uma palavra. Um minuto depois, no entanto, já exibia um sorriso no rosto molhado.

A festa de casamento durou até de manhã. João desempenhava o papel de marido como se tivesse passado a vida a preparar-se. Vera estava confusa: «De onde veio tanta ternura?» Quando os convidados saíram, ela estendeu-lhe a mão:

— Obrigada, salvaste-me. Não te preocupes, logo nos divorciaremos.

E então houve uma reviravolta. João olhou diretamente em seus olhos e disse firmemente:

— Não quero me divorciar. Gostei de ti desde o primeiro olhar.

Vera ficou pasmada.

— Estás a brincar? Um jurou amor e fugiu, e um estranho agora quer ficar para sempre?

— Estranho? — respondeu João com uma leve ofensa. — Minha mãe sempre teve medo de eu não casar. Mas eu dizia: «O meu destino vai me encontrar». E agora estás à minha frente. Pensa bem, Vera, mas eu não vou desistir facilmente.

O que aconteceu depois? Vera pensou. Pensou tanto que passaram 25 anos. Criaram três filhos juntos, vivem felizes. E Maria da Esperança ainda se admira: como a vergonha de toda a aldeia virou felicidade para a vida inteira? Talvez valha a pena reler essa história mais uma vez — quem sabe o segredo de como o destino bate à porta esteja escondido lá?

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Oh, Que Vergonha!” — Vera Sentia o Mundo Desabar: Casar sem Amor ou Enfrentar o Escárnio?