Num certo dia, o meu pai chamou-me ao seu quarto: queria conversar sobre um assunto sério, pelo menos foi o que me disse. Para ser sincera, fiquei um pouco apreensiva. Na sala de estar, estava à minha espera uma mulher.

Olha, a minha vida sempre girou muito à volta do meu pai, sabes? Ele foi quem me criou, cuidou de mim e nunca me faltou com apoio. Depois de eu nascer, a minha mãe decidiu ir embora, e o meu pai nunca quis casar outra vez, talvez por medo de voltar a sofrer. Ele sempre teve uma vida difícil e eu, desde pequena, quis crescer rápido para o poder ajudar com tudo tudo aquilo que é preciso num lar com responsabilidades.

Por causa da nossa situação financeira, comecei a trabalhar cedo, logo aos 15 anos. Escrevia artigos para jornais locais de Lisboa e, ao fim de três anos, consegui um emprego melhor. Passados mais alguns anos, encontrei um trabalho de escritório e isso permitiu-me ser independente e sustentar tanto a mim como ao meu pai. Até que um dia, o meu pai chamou-me para uma conversa séria foi mesmo assim que ele disse. Fiquei logo um bocado nervosa, não te vou mentir. Quando entrei na sala de estar, estava lá uma senhora e, segundo o meu pai, era a minha mãe.

Mal me viu, começou logo a chorar, pediu desculpa e tentou abraçar-me. Mas eu não consegui retribuir, sabes? Afastei-me calmamente e saí sem dizer nada, só os deixei ali juntos. Decidi que era melhor deixar o meu pai lidar com aquilo do jeito que achasse correto. Não consigo perdoar alguém que nos abandonou, a mim e ao meu pai, e que nem sequer se preocupou em desejar-me feliz aniversário durante todos estes anos.

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Num certo dia, o meu pai chamou-me ao seu quarto: queria conversar sobre um assunto sério, pelo menos foi o que me disse. Para ser sincera, fiquei um pouco apreensiva. Na sala de estar, estava à minha espera uma mulher.