Milagre na Quinta: Porque é que um garanhão selvagem se ajoelhou diante de um rapaz em cadeira de rodas…

O milagre na quinta: Porque é que o garanhão selvagem se rendeu diante do rapaz na cadeira de rodas

Alguma vez acreditaram que os animais conseguem enxergar a nossa alma? O que se passou na nossa quinta, no último fim de semana, fez até os mais endurecidos pastores lá da Beira chorarem de emoção.

Segundos antes da tragédia

Era uma manhã como tantas outras, até que trouxeram o Fogo um garanhão imponente, negro como uma noite sem luar e temperamento irrequieto. Ele não estava só inquieto, estava furioso. Bastou um momento para se ouvir o estalo: a forte rédea partiu-se como se fosse um fio de cabelo.

Ouviu-se então a voz do apresentador, soando a alarme: **Toda a gente fora do picadeiro! Ele está à solta!**

A multidão nem hesitou, fugiu para as bancadas. Mas no meio do caminho, preso num sulco lamacento deixado pela chuva matinal, estava o pequeno Tomás, de dez anos. A cadeira de rodas não o deixava escapar rápido do percurso do animal enfurecido.

A mãe do rapaz, travada pelo medo a poucos metros dele, gritou numa voz que me gelou o sangue: **Tomás! Sai daí, amor!**

Momento de vida ou morte

O garanhão galopava lançado na direção do menino, atirando terra e lama com os cascos. Tudo indicava que o pior era inevitável. Mas a um passo apenas da cadeira, Fogo travou abruptamente, levantando uma nuvem de pó. Quando assentou a poeira, toda a gente prendeu a respiração.

Tomás não gritou, nem virou o rosto. Manteve os olhos fixos no cavalo, sereno como nunca vi.

**Está tudo bem, amigo,** sussurrou ele com uma calma surpreendente.

Então o inacreditável aconteceu. O cavalo selvagem, a quem nem cinco adultos conseguiam segurar, começou a baixar-se lentamente, ajoelhando-se sobre os joelhos da frente. Estendeu a enorme cabeça até quase encostar nas pernas do miúdo, ofegando devagar.

Tomás esticou devagar a mão. Os dedos tremiam, quase a tocar o nariz macio do animal. A mãe tapou a boca com a mão, os olhos marejados de lágrimas e espanto. Mal respirava de receio.

Desfecho

Os dedos do rapaz finalmente pousaram no pelo quente de Fogo. O cavalo não se moveu. Apenas fechou os olhos, soltando um suspiro profundo e tranquilo, como se toda a raiva de instantes antes tivesse evaporado ao toque daquela mão.

Durante uns segundos, reinou um silêncio absoluto na quinta. Só o vento mexia nas ervas. Tomás inclinou-se até juntar a sua testa à do cavalo.

Ele só precisava sentir que não estava em perigo, contou-nos depois o Tomás. Só queria saber que ninguém lhe ia fazer mal.

Desde esse dia, o Fogo parece transformado. Antes, não deixava ninguém montar, agora deixa que o Tomás passe horas ao seu lado, dentro da cerca. Diz-se que os cavalos bravos só respeitam a força, mas nesse dia aprendemos: a maior força é mesmo a bondade e a serenidade do coração, diante das quais até a mais selvagem criatura se rende.

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