– Maya, quantos anos tens? – perguntou o pai, sussurrando.

Lurdes, quantos anos tens? perguntou baixinho o pai. Tenho a impressão de que não estás na primeira fase da universidade, mas sim na primeira série da escola. Seja qual for o amor, há que viver em algum sítio, há que comer todos os dias, não é? Há que. Onde é que se apressam? Amanhã vão casar, não é? Ninguém se opõe ao teu Óscar, que venha, que nos conheçamos, que falemos, que encontremos os pais dele Estou certo?

Diogo, vais chegar já? perguntou Guilhermina, ligando ao marido no trabalho.

Já quase termino respondeu ele.

Então, não te demores! A conversa está aqui exclamou de repente a esposa.

Alguma coisa aconteceu? inquietouse Diogo.

Como dizer ainda não aconteceu, mas precisamos conversar dizia Guilhermina, visivelmente agitada, embora, até agora, nada de grave tivesse surgido.

Quinze minutos depois o chefe da família já cruzava a porta do apartamento.

O que se passou aqui? indagou cautelosamente a esposa.

Troca de roupa, lava as mãos, não é preciso atirar tudo ao ar e salvar o Universo beijou o marido e empurrouo levemente em direção ao banheiro.

Em pouco tempo cumpriu todos os rituais, vestiuse de novo e adentrou a sala de estar.

Vamos conduziu a esposafilhamaisnova até o quarto da menina. Lurdes estava no sofá, os olhos vermelhos de lágrimas.

Então, o que houve? tentava Diogo manter a calma.

Pergunta à tua filha cutucou Guilhermina. Conta ao pai o que decidiste!

Lurdes se encheu ainda mais de soberba, virouse para a janela, claramente sem vontade de verbalizar os seus problemas.

Pois bem, meninas batucou Diogo a mesa com a mão. Ou agora me contam, sem crises, sem emoções exageradas, qual é o problema, ou resolvem tudo sozinhas e eu vou descansar depois do trabalho!

Estamos aqui a planear o casamento completou a esposa com sarcasmo ácido. Hoje mesmo, sem adiar!

Como assim? Diogo ficou um pouco surpreso. Casar assim, agora? Por quem, se não é segredo?

Como Lurdes mantinhase em silêncio obstinado, a mãe Guilhermina teve de intervir novamente:

Óscar Silva, lembraste, tem aparecido bastante ultimamente?

Ah, então Sim, filha?

Lurdes continuava a calarse.

Muito bem, minha querida. Acaba logo este jogo. Eu devo dançar aqui à tua frente para descobrir algo? começou o pai, a sério.

Óscar e eu amamosnos! exclamou subitamente a filha. Ele é o melhor e vamos casar!

Ora, ao menos surge algum brilho suspirou o cabeça da família. Ele estuda contigo?

Sim, na mesma turma.

Primeiro ano murmurou Diogo, entre o entendimento e o desânimo crianças

Nós não somos crianças! rebentou a filha. Já temos dezoito anos, somos maiores de idade!

Muito bem. Se são maiores, então são adultos, compreendo? Falaremos como adultos, então.

Não quero falar! Agora vai começar: Ainda são jovens, esperem, ponham os pés no chão, verifiquem os sentimentos e outras chatices. Vocês são adultos, inteligentes, corretos, mas não percebem o simples: amamosnos, temos sentimentos! E vocês querem destruir tudo!

Filha, não pretendo destruir ninguém suspirou cansado o pai. Quero esclarecer tudo. Então, vocês amamse, ó? Lurdes assentiu audazmente. Isso já alivia. E querem casar? Ambos querem, ou só tu?

Pai, não precisas ofender Óscar. Ele também quer que nos casemos.

Então, bem feito. Há vontade. Onde vão viver, com que recursos? Já pensaram nessas questões?

Não importa! Se nos amamos, o resto não conta! gritou a filha, apaixonada.

Lurdes, quantos anos tens? repetiu o pai, num tom quase sussurrado. Tenho a impressão de que não estás no primeiro ano da universidade, mas na primeira classe da escola. Seja qual for o amor, há que viver em algum lugar, há que comer todos os dias, não é? Onde é que se apressam? Amanhã vão casar, não é? Ninguém se opõe ao teu Óscar, que venha, que nos conheçamos, que falemos, que encontremos os pais dele Estou certo? virouse para a esposa.

Muito correto, querido. Mas há um detalhe Há muito que fazer antes de apressaros.

Ah, vão levar Óscar ao serviço?

Não, não ao serviço, nem Óscar. Lurdes, por que calas, devo eu dizer tudo?

Não estou calada resmungou irritada a filha. Óscar e eu vamos ter um filho.

Ah, então exclamou surpreso Diogo. E o que pretendem fazer?

Casar! Ter um bebé! E não me venham dizer que não! O nosso bebé vai nascer!

Calma! Ninguém vai tentar convencerte a nada; é preciso que resolvamos isto sozinhos. Diga, os pais de Óscar sabem?

Hoje Acordámos que cada um falaria hoje com os pais

E então? Ainda não recebeu resposta?

Nnão

Quando telefonarem, avisame. Enquanto isso, deixemme jantar, pois com tanto fervor ficarei faminto.

Ele e a esposa foram à cozinha, onde Guilhermina rapidamente aqueceu o jantar e pousou o prato à frente do marido.

E o que vamos fazer? perguntou ela, baixinho.

Ainda não sei. Sinceramente, não sei. Esperemos o que os pais dele disserem, talvez cheguemos a uma decisão

Mal o prato foi acabado, chegou a notícia triste de Óscar: os pais eram categoricamente contra, a conversa foi pesada e terminou em disputa. Problema grave

Quinze minutos depois Lurdes apareceu na sala, telefone na mão, e, fechara a chamada, murmurou:

A mãe de Óscar quer falar com alguém de vocês

Guilhermina cruzou os braços, impávida:

Amor, fala tu, por favor, eu não consigo

Diogo lançou um olhar crítico à esposa, mas pegou o auricular, aumentou o volume e pôs o dedo nos lábios.

Alô, boa tarde, sou o pai da Lurdes, Diogo Mendes.

Lurdes? respondeu a voz feminina. Sou a mãe de Óscar. O nosso filho hoje declarou que ele e a vossa filha se encontram. E, ao que parece, já avançaram para algo maior, têm planos grandiosos. Sabem disso?

Sim, falámos com a Lurdes.

Muito bem. Quero que saibam que somos totalmente contra esses planos grandiosos disse com sarcasmo cortante. O nosso filho tem de estudar, obter a licenciatura, construir a carreira. Casamento no primeiro ano e ainda um filho não entram no nosso plano.

O casamento precipitado da nossa filha também não estava nos nossos planos. Mas Lurdes vai ter um filho, do vosso filho, aliás. E o que farão?

Isso, desculpe, são os vossos problemas, Diogo Mendes. Primeiro, não estou certa de que seja realmente filho de Óscar. Segundo, mesmo que seja, esse casamento rápido porque estou grávida não nos impressiona. Acho que a vossa filha, como qualquer menina, quer casar, sobretudo porque Óscar vem de família boa, tem casa, posição entendo a perspetiva feminina, mas, como mãe, farei tudo para que deixem o meu filho em paz. O pai concorda. Conversámos com o filho e ele aceitou os argumentos, pedindonos que digamos à vossa filha para não o incomodar mais. Que ela faça o que quiser, se quer ter o bebé ou não não nos compete. Adeus.

O telefone chiou brevemente. Diogo, com o olhar pesado, declarou:

Todos ouviram? Resumindo, vamos ter o bebé o filho não tem culpa de ser um irresponsável. Não há problema. Chegará a hora, pegaremos o apoio, depois voltaremos ao estudo, não és a primeira nem a última. Apoiaremos financeiramente e cuidaremos da criança. Quanto aos resolveremos. Desgraçados! Eu não sou, a casa não é minha. Basta. Calma, chorai se quiserdes, mas não por muito tempo. Vamos conseguir!

Ele desligou a mulher e sussurrou:

Leva hoje a Lurdes para casa, para que não faça mais nada de estranho. Sussurralhe, acalmaa. Eu ficarei no quarto dela.

Passada uma hora, ouviuse o sino da porta.

Quem será que traz notícias? resmungou irritado Diogo, indo abrir.

Logo apareceu na sala, acompanhado de um jovem rapaz.

Óscar! Lurdes correu ao encontro dele. Vim ao teu encontro?

Sim, ao teu encontro. Diogo Mendes, Guilhermina, vim buscar a Lurdes.

Levar para onde? Se bem sabes

Ainda não sei. Talvez aluguemos um apartamento. Somos maiores, não nos impeçam! Vais vir comigo? perguntou ele.

Claro! Para onde for!

Espera ergueu o braço o chefe da família. Algumas perguntas para a imprensa. A tua mãe disse que toda a família está contra a decisão com a Lurdes, inclusive tu.

Não exatamente, Diogo Mendes. Foi a mãe que decidiu. O pai concorda, a priori disse Óscar, usando a palavra rara com naturalidade, sem hesitar. E eu só finjo que me convenceram. Depois peguei a carteira, o passaporte e o cartão bancário, e aqui estou.

Interessante! exclamou Diogo, visivelmente surpreso. Agora queres levar a Lurdes, alugar um apartamento, mas com que dinheiro?

Cavei um pouco, trabalhei à noite, tenho um blog, seguidores, um canal. Dá para pagar o aluguer e a comida por uns meses, depois ganho mais.

Não é mau, não é O que acha, esposa, deixamos a filha ir? O jovem não parece tão simples como pensávamos.

Nem sei encolheu os ombros Guilhermina. Para onde, à noite, olhando

Tens razão, à noite não se deve soltar. Então vamos decidir. Vão casar?

Sim! responderam ambos.

E vão ter filho?

A mesma resposta.

Então apoiamos, mas há condições. Primeiro, tenta reconciliar os pais, e tu, Lurdes, apoiao. Óscar fica aqui hoje, nada de escapadelas nocturnas. Vamos colocar a cama na sala; para nós, és só hóspede, amiga da filha. Diz aos teus que passas a noite na casa de amigos. Depois preparaos à verdade dura, mas sem brigas! Não abandones os estudos! virouse para Óscar. Lurdes, quando entrares em licença maternidade, vamos acompanhar, mas não vamos trabalhar por ti. O apoio será discreto, o dinheiro economizado. Depois, quando tudo estiver pronto, poderás festejar à vontade. Concordam?

Sim respondeu Óscar sem hesitar.

Eu queria um casamento de verdade, com fita, limusine, convidados reclamou Lurdes, desapontada.

Ainda não é hora! objetou o noivo. Casaremos em silêncio, e depois, dentro de um ou dois anos, haverá a grande festa.

Como quiseres

Está bem, os filhos, os planos, a missão está clara. Preparamnos para o sono; amanhã todos acordam cedo.

Guilhermina agarrouo quando ele foi à cozinha beber água.

Ouve, preciso perguntarte, como mudaste tão drasticamente de rumo?

Drástico? Depois da conversa com a mãe dele, tremei. E então apareceu aquele rapaz, que eu achava ser só o filho da mãe. Mas revelouse um homem de verdade, que não fugiu, não abandonou a amada. Por alguém assim, daria a minha filha em casamento!

Tens sempre razão, meu amor! beijouo, e foi distribuir os leitos.

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– Maya, quantos anos tens? – perguntou o pai, sussurrando.