Jovem Cede Lugar no Ônibus, Mesmo Não se Sentindo Bem

Lídia levantou-se do lugar no autocarro para ceder o assento a uma senhora idosa. Ela mesma não se sentia muito bem. “Ai, será que um dia também me darão o lugar?” pensou ela. Por favor, que esteja tudo bem. Lídia já havia prometido usar um cinto de castidade, costurar, atar, evitar qualquer contato com homens para não se meter em problemas.

Neste ano, o grupo de amigos planejou celebrar o Ano Novo em grande. Reservaram uma tasca com lareira e espaço amplo, organizaram um programa. As entradas eram poucas, afinal, eram estudantes sem muito dinheiro. Mas o importante era que todos estariam juntos: Lídia e Tiago! Assim todos veriam que eles eram realmente um casal. Sem hesitação!

Antes das festividades, Lídia sonhava com um futuro a dois ao estilo dos comerciais de produtos de limpeza e de comida, aquela típica felicidade familiar em tons de branco e rosa. Mas, agora, tudo desmoronou como um tijolo cinza e pesado sobre a notícia: Tiago tinha uma namorada e esperava um bebê, prestes a nascer! Foi nesse encontro, na tasca, que uma colega confidenciou a notícia a Lídia, e ela discutiu com Tiago. Ele jurou que era um engano, murmurava sobre ter sido um acidente e que a culpa era dela.

Desolada, Lídia bebeu demais e acabou sendo levada para casa por Rui, um colega apaixonado e muito querido.

Rui sempre olhava para ela: nas aulas, nas reuniões, nas viagens. Mesmo quando corria no campo de futebol com shorts engraçados, ainda lhe lançava olhares. Rui jogava na equipa da universidade e o grupo todo ia torcer por ele.

Apesar de se sentir lisonjeada, Lídia era indiferente. Ela logo se apaixonou por Tiago, um veterano alto e muito charmoso. Ele era um sonho, um verdadeiro príncipe dos filmes da Disney.

Lídia adorava a avó e confidenciava-lhe seus segredos mais íntimos.

– Avó, como saber se amamos alguém, como decidir se é com ele que vamos passar a vida, como a senhora e o avô?

– Imagina-o na tua vida. Como deve ser? Escolhe alguém assim.

Para Lídia, Tiago era assim. E recentemente ele começou a prestar atenção nela, começaram a namorar, veio o Ano Novo … e então, tal decepção!

Parecia que não havia desgraça maior. Ela queria vingança. E como vingança estava Rui. A noite que Rui a levou para casa ficou nebulosa na memória de Lídia. Parecia que ela se comportou mal. Os pais dele tinham saído para celebrar. Na manhã seguinte, Lídia tomou um banho, vestiu o robe da mãe dele e foi para a cozinha. Rui fez-lhe café, e ela confidenciou-lhe toda a sua dor. Depois decidiram abrir uma garrafa de espumante, e de repente, tudo pareceu bem…

Ah, se naquela época tivesse pensado melhor! Mas Lídia sempre agira por impulso, o que era sua perdição.

Foi ela que puxou Rui para o quarto.

– Vais-te arrepender — ele advertiu.

– Não vou!

Depois, ambos pararam de pensar. E não havia nada em casa que agora os fizesse parar e esquecer. Rui nem sonhava que hoje isto aconteceria. Ele só sonhava com Lídia e não ousava acreditar. Não estava preparado.

Agora Lídia dirigia-se à farmácia. Precisava de um teste de gravidez. Na manhã anterior, vomitara, e Sofia, a colega de quarto, suspeitou…

Lídia assustou-se tanto que vomitou de novo. Será verdade? Ou simplesmente comeu demais as saladas?

Ela tentou contar os dias, mas ficou confusa.

Se fosse de Tiago, mesmo sendo um idiota, ao menos havia sentimentos. Mas de Rui, de um caso único!

Ela sentia-se como a outra que estava grávida de Tiago. Que absurdo! Todas à volta grávidas!

E agora, além das saladas, será que tinha um bebé — um menino… ou menina? Já um ser vivo… ou viva…

Ela passou o dia anterior na cama, ansiosa, e hoje, depois de ver Sofia partir para a casa da avó, decidiu ir até à farmácia.

– Quer mais barato ou mais caro? — perguntou a farmacêutica experiente antes de receber uma resposta, pegando logo no mais barato.

– Quanto custa o mais caro? Oh, não, quero o mais barato.

– Um ou dois?

– Só um…

O dinheiro era escasso. Melhor teria sido ir para casa da mãe no Ano Novo!

Ah, se pudesse voltar no tempo…

Segundo ano! Que criança? Isso significava adeus estudo, adeus família normal, adeus juventude. A vida é cheia de surpresas. Ora uma linha, ora duas…

“Quem diria que faria parte das mulheres grávidas que voltam à casa da mãe, grávida:

– Olá mãe! Diz-me, alguém na nossa família já voltou grávida?”

Todos os anos, no Dia das Mentiras, Lídia anunciava à mãe que estava grávida. A mãe já nem se assustava, apenas olhava logo para o calendário. Desta vez, o próximo 1º de abril seria bem real para a mãe.

Ai mãezinha!

De volta ao dormitório, Lídia recordava-se do conselho da avó:

– Olha, Lídia, juízo! Cuida de ti. Não voltes grávida, como a Rosinha, filha da Valente.

A avó tinha muita experiência e sabia direcioná-la.

Lídia quase correu até ao dormitório. Ali descobriria tudo, ali se decidiria seu futuro.

O processo das linhas no teste parecia interminável. E Sofia tinha ido visitar a avó! Devia estar aqui para apoiá-la!

No teste dizia: “ver após 3-5 minutos”. Lídia colocou a tirinha no parapeito da casa de banho e virou-se de costas.

Que gente louca! Três ou cinco? Lídia estava nervosa, três minutos pareceram uma eternidade e por precaução, esperou mais um pouco…

Ela virou-se:

— Ohhhh! — e soltou Lídia.

Na tirinha, aparecia uma segunda linha. Não tão intensa quanto a primeira, mas presente.

Não pode ser! Isto não pode estar acontecendo!

Será erro?

Duas! Eram duas linhas. Pensamentos confusos invadiram sua mente.

“Que filho? Eu bebi espumante! Isso é prejudicial! E se ele já estiver doente? Não!”

Lídia olhou para a sua barriga, colocou as mãos como se quisesse proteger quem ali já habitava.

Nos seus planos estava ir para casa, para junto da mãe, mas agora… agora não sabia o que fazer. Talvez fosse melhor ir ao hospital para confirmar. Ou ligar a Sofia.

Mas Lídia sabia que Sofia não daria bons conselhos, só “ohs” e “ahs”. E ainda contaria à avó.

Mas a quem Lídia realmente quis ligar, foi a Rui. Combinaram-se em frente ao dormitório.

O ar gelado animou novamente.

– E então, como estás? — perguntou Rui carinhosamente.

– A morrer devagarinho…

Lídia contou-lhe.

E Rui? Foi como esperado — ele ficou feliz! Levantou-a nos braços, mas logo assustou-se com a ideia de prejudicar quem já estava dentro, e rapidamente a colocou de novo no chão.

Sugeriu um café, mas Lídia recusou. Tinha calafrios, dor de cabeça, só de pensar em comida sentia náuseas. Será que seria assim toda a gravidez?

Rui logo propôs casamento o mais rápido possível, sem considerar outras hipóteses. Mas tinha medo. Medo de que Lídia não quisesse casar com ele.

Rui era um bom rapaz. Era reconfortante perceber que não estava sozinha naquela situação.

Lídia subitamente se lembrou da conversa com a avó sobre o que o escolhido deveria ser.

E de fato: ele devia ter uma alma como a de Rui. Ele será um pai incrível — cuidadoso e amoroso. E um bom marido. Ele sabe amar.

O amor, claro, não surgiu de repente por Rui, mas um certo afeto sim. Agora ele não irritava mais, ele era um verdadeiro amigo.

O amigo de verdade agora a ajudava em tudo. Lídia estava doente, não foi para casa, e Rui trazia-lhe mantimentos e medicamentos. Eles pesquisavam na internet sobre o que as grávidas podiam ou não fazer. Parecia que para Rui isso era ainda mais importante que para Lídia.

– Quero uma menina, que seja corajosa e linda como tu. E tu?

– Eu quero um menino, que seja confiável como tu.

Sofia voltou e exclamou:

– Oh, Lídia, invejo-vos. Que relação perfeita. Tiveste sorte com o Rui!

Entretanto, a história com Tiago também evoluía. Tinha uma filha, na verdade, nascera da namorada, mas ele negou, não a reconheceu.

Encontraram-se, ele e Lídia, por insistência de Tiago. Primeiro, ele lamentou não ter certeza da paternidade, depois que pediu para abortar, e então confessou amor por Lídia.

E Lídia percebeu — acabou. Ela não sentia mais nada por Tiago.

O seu verdadeiro príncipe hoje tinha-a levado ao centro de saúde para uma consulta.

Ah, Rui! Tão atencioso!

Mas ela não foi ao consultório… Ou melhor, foi mais tarde.

Aconteceu algo raro para mulheres grávidas. Fez um teste mais caro, e deu negativo: não havia gravidez, ele dizia claramente.

Rui estava a par de tudo, e ela não quis esconder nada.

Depois, Lídia consultou-se: não havia gravidez, talvez uma inflamação leve, quiçá saladas de Ano Novo…

E um teste barato defeituoso! Maldita falta de dinheiro!

Mas talvez não devesse amaldiçoar aquelas duas linhas. Se não fossem elas…

Era preciso ver Rui …

Sentados no parque, distantes um do outro, ele abaixou a cabeça.

– Lídia, e agora, acabou tudo?

– Por quê? A médica disse que estou saudável e posso engravidar.

– Não estou a falar disso, estou a falar de nós.

– Eu também estou a falar de nós. Sabes, a gravidez é aquele vírus que os homens carregam, mas que adoece as mulheres. Eu não dou conta sozinha.

Rui animou-se.

– Estás a falar sério? Não vamos terminar?

– Ah, Rui! Não percebeste ainda? Eu não iria casar por causa de uma gravidez! Por nada desse mundo! Só por amor. E tu? Ainda queres casar com esta parva?

– Bem… — ele endireitou-se, olhou para Lídia e disse — Eu vou pensar…

Lídia olhou para ele, viu o brilho alegre nos olhos dele e lançou-se para abraçá-lo.

Como ele era lindo — o seu príncipe!

Rate article
Mediatop Newsline
Add a comment

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

Jovem Cede Lugar no Ônibus, Mesmo Não se Sentindo Bem