Ela fingia ser uma sogra amorosa, mas seu plano revelou-se terrível.
— Catarina, você prefere chá verde, certo? — Margarida falou tão suavemente que já parecia estranho por si só.
Catarina ergueu a cabeça da sua xícara de café e encontrou o olhar da sogra. À sua frente, na mesa, apareceu um pequeno prato com um doce, e a mulher sorria — sinceramente, ou pelo menos parecia à primeira vista.
— Obrigada, mas sou mais fã de café, — respondeu Catarina educadamente, embora seus pensamentos estivessem ocupados com outra coisa: por que tanta atenção de repente?
Apenas seis meses atrás, Margarida tratava a nora mais como um obstáculo temporário na vida do filho. Catarina lembrava-se bem do primeiro encontro delas.
“Então você é programadora?” — a sogra perguntou com desconfiança. — “Passa o dia inteiro em frente ao computador? Já deve ter estragado os olhos, não?”
Catarina apenas sorriu naquela ocasião, decidindo não piorar a situação. Se alguém não quer aceitá-la como ela é, não faz sentido insistir.
No entanto, recentemente tudo mudou. Agora, Margarida constantemente as convidava para jantar, dava pequenos presentes, mostrava interesse pelo trabalho de Catarina e perguntava sobre seus projetos.
— Vamos, experimente, comprei especialmente para você, — insistiu a sogra, aproximando o doce.
João, o marido de Catarina, assistia ao que acontecia com um sorriso mal disfarçado.
— Mãe, estás mesmo fã da minha mulher, — riu ele, enquanto servia o chá.
— Não posso apenas mostrar cuidado? — indignou-se Margarida, cruzando os braços. — Ela é tua esposa. Percebi que antes era muito fria, e quero mudar isso.
Catarina contraiu os lábios. Gostaria de acreditar, mas sua intuição dizia que havia algo errado.
Quando voltaram para casa, Catarina sentou-se no sofá, olhando pensativa pela janela.
— Alguma coisa te preocupa? — perguntou João, sentando-se ao seu lado.
— A tua mãe… o comportamento dela parece estranho para mim, — disse Catarina lentamente. — Como se ela tivesse alguma segunda intenção.
— Talvez ela realmente tenha decidido mudar? — sugeriu João. — Apenas relaxa, não precisas procurar problema em tudo.
Catarina assentiu, mas uma voz interna insistia que ainda era cedo para relaxar.
Duas semanas depois, o acaso esclareceu tudo. Ao buscar um guarda-chuva esquecido no carro, Catarina entrou na casa de Margarida. Mas, ao ouvir o tom tenso da sogra ao telefone, parou no corredor.
— Claro, tenho certeza! Eles estão pensando em se mudar! A própria Catarina disse que não sabe o que fazer com o apartamento… E para quem ele ficará, se não para mim? — Margarida falava rapidamente, claramente preocupada.
Catarina sentiu um aperto no coração. Todos aqueles meses de comportamento amoroso, presentes, perguntas sobre sua vida… Era tudo apenas cálculo.
— Não, eu não pretendo ir com eles, — continuou a sogra. — Aqui eu estou muito bem. Só estou à espera de quando eles anunciarão que vão embora para sempre. Então tudo se resolverá.
Catarina respirou fundo, tentando manter a calma. Sua primeira vontade foi confrontar a sogra e dizer tudo o que pensava, mas ela controlou-se. Em vez disso, saiu silenciosamente, sentindo seu coração bater mais rápido do que o habitual.
Então era isso. Todas essas mudanças no comportamento de Margarida explicavam-se apenas pelo desejo de conseguir o apartamento.
Naquela noite, Catarina ficou deitada sem conseguir dormir, relembrando os últimos meses. Lembrou-se de uma conversa em que a sogra mencionou:
— Sabes, tenho uma amiga. O filho dela foi viver para a Espanha com a esposa. Uma decisão muito sábia! O apartamento, claro, ficou para os pais. Eles ao menos pensaram na família…
Na altura, Catarina ignorou, não atribuindo importância às palavras. Mas agora tudo fazia sentido.
No dia seguinte, durante o jantar, ela decidiu abordar o assunto diretamente.
— João, — começou, olhando para o marido, — alguma vez ouviste a tua mãe falar sobre querer mudar-se para o nosso apartamento?
João piscou surpreendido.
— Não… Por que perguntas?
Catarina respirou fundo, reunindo-se para falar.
— Porque ela aparentemente pensa que vamos partir e deixar-lhe a casa sem questionar.
João franziu a testa, pousando o garfo sobre a mesa.
— O quê? De onde vem essa ideia? Nunca discutimos seriamente sobre nos mudar.
— Por acaso ouvi uma conversa dela, — admitiu Catarina, esforçando-se para manter a calma. — Ela pensou que os planos não seriam descobertos.
João passou a mão na testa, claramente tentando assimilar o que ouviu.
— Espera… Então ela realmente acredita que pode simplesmente receber o nosso apartamento?
Dias depois, eles estavam novamente na casa de Margarida. De repente, a sogra falou sobre o suposto plano de mudança.
— A propósito, já decidiram quando vão mudar? — perguntou ela, fingindo ser um assunto comum.
Catarina apertou as mãos sob a mesa, mas não teve tempo de responder — João foi mais rápido:
— Não vamos nos mudar.
Margarida imediatamente tensionou-se, a expressão dela alterou-se e, depois, forçou um sorriso.
— Ah… Isso é maravilhoso! Então o apartamento continua com vocês?
— Exatamente, — respondeu João calmamente. — Não pretendemos vendê-lo.
— Ah, a quem interessaria mesmo… — murmurou ela, mas uma nota de ansiedade escapou na sua voz.
— Mãe, realmente achavas que abriríamos mão da nossa casa assim tão facilmente? — perguntou João, olhando firme nos olhos da mãe.
— Esforcei-me tanto para melhorar a relação! — exclamou Margarida, levantando as mãos. — Pensei que ao menos valorizariam meu esforço!
Catarina levantou-se lentamente da mesa, sentindo uma onda de fervor interior.
— Lamento ter acreditado na tua sinceridade, — disse ela friamente. — Lamento que tenhas usado nossos momentos apenas para teu próprio benefício.
O rosto de Margarida avermelhou-se, distorcendo-se de raiva.
— Ingratos! Depois de tudo que eu fiz por vocês!
— E o que exatamente fizeste? — Catarina devolveu-lhe o olhar direto e firme. — Fingiste que me aceitaste? Criaste uma aparência de carinho onde não havia nenhum?
Margarida levantou-se subitamente, a voz trêmula de indignação.
— Esperava que fosses mais compreensiva! Alguém que valoriza a família!
— E nós esperávamos que realmente nos aceitasses, — acrescentou João, levantando-se ao lado da esposa. — Parece que ambos estávamos enganados.
—
Dois meses se passaram. Desde então, Margarida não ligou, não escreveu, nem os convidou para visitas. E, embora Catarina ocasionalmente pensasse se valia a pena tentar restabelecer o relacionamento, ela sempre afastava essa ideia.
— Achas que ela vai mudar? — perguntou João certa vez, quando estavam juntos no sofá à noite.
— Não tenho certeza, — respondeu Catarina honestamente, acariciando a mão dele. — Mas agora depende dela. Se quiser fazer parte das nossas vidas, que decida como realmente o fazer. Sem manipulações e jogos.
Ela sorriu, sentindo que a montanha que pesava sobre seus ombros nos últimos meses finalmente caíra. Agora ela sabia: não se pode permitir que as pessoas nos usem, mesmo que sejam próximas. E, pela primeira vez em muito tempo, Catarina sentiu uma verdadeira liberdade.






