Escândalo Surpreendente: O Omelete Delicioso que Causou Conflito

O escândalo estourou de repente. Por causa de uma omelete. A omelete estava deliciosa: tomates carnudos cortados em fatias grossas, linguiça defumada cortada em cubos e um pouco de cebolinha picada. E tudo isso coberto com ovos batidos e queijo ralado. Uma delícia!

Mas quando se come a mesma omelete por oito dias seguidos, não se sente nada além de aversão. Foi o que Margarida disse a Duarte, que fazia a omelete diligentemente para o almoço pela segunda semana consecutiva.

– Não quero mais a tua omelete! Quero um prato cheio de caldo verde, que eu fiz ontem à noite. Com natas, chouriço e alho! E com a tua omelete vou acabar a cacarejar!

Claro que Duarte se sentiu ofendido. Ele achava que sopas eram completamente inúteis comparadas à omelete. E, afinal, ele fazia a omelete com carinho, e era algo tão saboroso que podia ser comido todos os dias. Mas Margarida torcia o nariz!

Foi então que Margarida disse a Duarte tudo que pensava dele. Sobre o quanto ele era pão-duro e preguiçoso, e ainda lembrou dos grelhados ressecados que ele tentava fazê-la comer por uma semana, garantindo que a carne estava no ponto perfeito depois de quatro dias. E falou também sobre os videojogos que ele jogava o dia todo, e sobre o emprego que Duarte nunca conseguia arranjar: ora era o horário que não servia, ora o chefe que não tinha cara que ele gostava, ora a distância, ora o salário pequeno. E lembrou dos sushi que ele pedia quase toda noite, pelos quais, por algum motivo, Margarida, que nem gostava de sushi, pagava.

No fim, Duarte ficou muito magoado. Ficou tanto que rapidamente juntou suas coisas, disse que ia viver por um tempo com a mãe, e que Margarida precisava refletir sobre seu comportamento. Saiu batendo a porta da frente.

Margarida odiava ser chamada de Margo, então, com raiva, jogou a omelete fora, frigideira e tudo, e aqueceu o caldo verde. Mas, de repente, perdeu o apetite e ficou com uma vontade insuportável de beber café. Não havia café no seu apartamento há dois meses, desde a noite em que Duarte se mudou para lá e argumentou que o café fazia mal à pele, e que só devia haver chá verde em casa.

Ela vestiu o casaco e saiu correndo para a rua. A vontade de café era irresistível.

Abriu a porta da primeira cafetaria que encontrou e foi envolvida pelo aroma quente de café fresco e especiarias. E teve uma vontade imediata de ficar ali para sempre.

– Bem-vinda! – sorriu-lhe um jovem ruivo por trás do balcão. – Café?

Margarida assentiu sem pensar duas vezes e subiu desajeitada num banco alto junto ao balcão.

– Você é nossa décima cliente esta noite e terá um presente da casa: um café exclusivo, por nossa conta.

Margarida sorriu sem jeito:

– Você acabou de inventar isso?

– Por que não criar uma tradição tão agradável? – disse o ruivo, colocando uma grande caneca de cerâmica com espuma cremosa à frente dela, e estendendo-lhe uma colher de chá de prata. – O seu café especial, “Memória Feliz”. Recomendo começar pela espuma.

Margarida suspirou profundamente e provou um pouco da espuma. Tinha um cheiro doce de jasmim. Provou com cuidado, e fechou os olhos de prazer.

Uma noite de verão desceu sobre a cidade. O ruído dos carros diminuía gradualmente, enquanto os poucos transeuntes passeavam calmamente nas ruas, desfrutando do maravilhoso entardecer. Uma brisa trazendo o suave aroma de jasmim em flor entrava pela janela aberta.

Margarida mantinha nas mãos trêmulas uma carta recém-aberta. Tinha sido aceite! Que alegria! Todo o esforço das noites sem dormir e o receio de fracassar nos exames de entrada valeram a pena. Com tanta felicidade, queria abraçar o mundo!

Acabou por voltar à realidade quando percebeu que não restava nem uma gota de café na xícara.

– O seu café é incrivelmente mágico e saboroso. Não sei o que colocou nele, mas estou cheia de alegria!

– E quer abraçar o mundo, não é? – disse o ruivo, enquanto lustrava um copo alto.

– Exatamente, quero abraçar o mundo… – repetiu, sentindo-se como se um tremendo peso houvesse sido retirado dos seus ombros frágeis, um peso que aprimia por longos dois meses. – Como se eu tivesse dormido durante todo esse tempo num pesadelo pesado e finalmente estivesse acordada. Obrigada pelo “Memória Feliz”. Deu-me forças novamente.

– Esse é o nosso trabalho. – disse o jovem com seriedade inesperada. – As portas do “Café” estão sempre abertas para aqueles que se sentem um pouco perdidos. Não costumo dar conselhos, mas recomendaria que trocasse a fechadura da sua porta e começasse de novo.

– Talvez siga o seu conselho. – Margarida colocou algumas moedas na jarra de vidro destinada às gorjetas, pulou levemente do banco e saiu com um sorriso satisfeito.

O ruivo Henriques, atendente, barista e cozinheiro em uma só pessoa, concentrava-se em ralar uma raíz de gengibre para preparar uma bebida refrescante para o novo cliente. Henrique tinha uma incrível capacidade de saber exatamente o que cada novo visitante em busca de magia e conforto no “Café” precisaria.

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